Segundo a mitologia grega, Argos, príncipe da Argólida, cidade da Grécia que por volta de 680 a.C. reivindicou a hegemonia do Peloponeso, descendia de Agenor, que por sua vez era filho de Netuno e pai de seis filhos com Europa, raptada por Zeus (Júpiter) disfarçado em touro branco, quando passeava com as amigas em uma praia da Fenícia. Na opinião de alguns autores, Agenor simboliza o Sol, cuja marcha para o ocidente foi seguida pelas migrações dos povos antigos.
Argos possuía cerca de cem olhos, dos quais, alternadamente, cinqüenta se conservavam sempre abertos e vigilantes, enquanto os outros cinqüenta repousavam tranqüilamente. Por isso Hera, ou Juno para os romanos, rainha do Olimpo e deusa dos fenômenos celestes, incumbiu-o da guarda de Io, filha de Ínaco, deus-rio da Argólida, para que ela não mais pudesse encontrar-se com seu marido Zeus (Júpiter), que amava a jovem e a procurava com relativa constância.
Entre as narrativas dessa passagem mitológica, a de Thomaz Bulfinch, falecido em 1867, diz que: Certa vez Juno notou que o dia escurecera de súbito e imediatamente desconfiou de que o marido levantara uma nuvem para esconder algumas de suas façanhas que não gostava de expor à luz. Juno afastou a nuvem e viu o marido à margem de um rio cristalino, com uma bela novilha ao seu lado. A rainha dos deuses desconfiou de que a aparência da novilha ocultava alguma bela ninfa de estirpe mortal, como, na verdade, era o caso. Tratava-se de Io, filha do rio deus Inaco, a quem Júpiter cortejava, e a quem dera aquela forma ao sentir a aproximação de sua esposa. Juno foi juntar-se ao marido e, vendo a novilha, elogiou a sua beleza e perguntou quem era ela e a que rebanho pertencia. Júpiter, para evitar que as perguntas continuassem, respondeu que se tratava de uma nova criação da terra. Juno pediu-lhe que lhe desse a novilha de presente. Que poderia Júpiter fazer? Não queria entregar a amante à sua esposa; como lhe recusar, porém, um presente tão insignificante como uma novilha? Não poderia fazê-lo sem despertar suspeitas. Assim, concordou. A deusa ainda não pusera de lado suas desconfianças: entregou, portanto, a novilha a Argos, ordenando que fosse vigiada atentamente. Ora, Argos tinha cem olhos na cabeça e, para dormir, jamais fechava mais de dois, ao mesmo tempo, de maneira que velava por Io constantemente.
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Inconformado com essa situação, o deus supremo enviou seu mensageiro Hermes (Mercúrio, entre os romanos) para resolver o problema. Este calçou as sandálias aladas, pôs o barrete, pegou sua vara de condão que fazia dormir e atirou-se das alturas do céu para a terra. Despojou-se então de suas asas, conservando apenas a vara de condão, com a qual se apresentou como um pastor conduzindo um rebanho. Enquanto caminhava, tocava sua gaita, que Argos ouviu deleitado pois era a primeira vez que via o instrumento. Daí porque ele exclamou: - Jovem! Vem assentar-te ao meu lado nesta pedra. Não há melhor lugar para o teu rebanho pastar por estas redondezas, e aqui há uma sombra suave, tal como os pastores apreciam. Diante do convite, Mercúrio sentou-se, conversou, contou histórias, e tocou em seu instrumento, até bem tarde, as melodias mais suaves, tentando adormecer os olhos vigilantes. Horas depois, quando finalmente induziu o guardião de Io a cerrar os cem olhos, simultaneamente, matou-o com uma grande pedra, e em seguida cortou-lhe a cabeça. Ao tomar conhecimento desse fim tão trágico que o príncipe tivera, a deusa Hera o transformou em um pavão, espalhando-lhe pela cauda os cem olhos que possuía.
Sobre Argos, sabe-se também que ele matou Equidna, filha de Fórcis e Ceto, quando a surpreendeu adormecida. Equidna era um monstro metade mulher, metade serpente, não possuía lenda própria, mas mesmo assim tornou-se conhecida por ter gerado, de suas uniões com Tífon e Ortros, diversas outras criaturas horripilantes, como a Esfinge de Tebas, a Hidra de Lerna, o cão Cérbero, guardião do inferno, a apavorante Quimera e outros mais.