Certos animais, como a rã e o sapo, recebem o nome de anuros por não possuírem cauda no estado adulto. Também são chamados saltadores por causa da locomoção aos saltos, favorecida por longos membros posteriores. Os anuros constituem uma subclasse dos anfíbios, com grande importância econômica: são insetívoros, utilíssimos para a agricultura, e em muitos países fazem parte da alimentação. As rãs também têm amplo uso em laboratórios de zoologia e fisiologia, em uma variedade de pesquisas.
Os anuros são pequenos (em torno de 4 a 8 centímetros), com exceção da Rana goiliath, de 32cm (da ponta do focinho ao fim do dorso), que vive na África, e o minúsculo Sminthillus limbatus, de 10 milímetros de comprimento, encontrado em Cuba. A cabeça achatada, em forma de triângulo, une-se ao corpo sem pescoço. A boca é ampla e as narinas são pequenas e aproximadas, fechando por uma prega cutânea quando o animal mergulha. Os olhos são grandes e salientes, muito móveis, e se retraem na cavidade orbital para facilitar a deglutição. Atrás dos olhos fica a membrana timpânica, sem orelha.
O tronco é reduzido. Das quatro patas, robustas e bem desenvolvidas, as posteriores geralmente são maiores e com uma forma apropriada para saltar: anca, tíbia e pé têm quase o mesmo tamanho. Em repouso, as pernas ficam dobradas em esquadro (90 graus), mas graças à forte musculatura, distendem-se rapidamente, lançando o corpo do animal para o alto, em amplo salto. As pequenas patas anteriores dão apoio durante o impulso e abrandam o choque na queda. As posteriores, além de servirem para o salto, possuem membrana de ligação entre os dedos, útil para a natação, que o anuro pratica num ritmo alternado de extensão e distensão, enquanto as patas anteriores são conservadas junto ao corpo, para diminuir o atrito com a água. Os dedos, quatro nos membros anteriores e cinco nos posteriores, podem apresentar caracteres particulares, devido ao fenômeno de adaptação ao ambiente (como os discos adesivos nas espécies arborícolas).
A epiderme, em geral, é mole e sempre úmida, apresentando, às vezes, endurecimentos calcários, mas raramente formações ósseas ou córneas. Graças à presença dos cromatóforos (células pigmentadas), muitos anuros mudam sensivelmente de cor, adaptando-se ao ambiente na medida do possível. A pele tem glândulas de veneno espalhadas que, no sapo, concentram-se nas glândulas paratóides, situadas atrás dos olhos. Na boca, os dentes se implantam sobre a maxila e o vômer (pequeno osso que forma a parte posterior da parede divisória das fossas nasais). Em alguns casos, como no gênero Bufo, não apresentam dentição. A coluna vertebral possui de seis a dez vértebras (na maioria, nove) e um cóccix (pequeno osso da parte inferior da coluna vertebral) alongado.
Os anuros são dotados de boa visão, audição e olfato. Quanto ao tato, aparentemente são insensíveis. Sua dieta, quando adultos, é exclusivamente carnívora, formada de insetos e outros invertebrados. A língua, recoberta de uma secreção adesiva, entra em ação para capturar as presas menores, enquanto na captura das presas maiores podem participar inclusive os membros anteriores. Em geral, alimentam-se de presas vivas, chegando alguns a comer os jovens da mesma espécie, ou de espécies afins. Os girinos (larvas), excepcionalmente, são vegetarianos. Os anuros machos são capazes de emitir som graças a um órgão vocal bem desenvolvido, apresentando, muitas vezes, sacos aéreos de ressonância na garganta.
No período da fecundação, o macho adere às costas da fêmea, abraçando-a firmemente pelas axilas com as patas anteriores. Estas às vezes são dotadas de calos especiais (úteis na distinção de sexos) que o mantém fixado sobre a parceira (é o caso do sapo). Este abraço pode durar até um dia, antes que a fêmea comece a expelir pela cloaca, uma fita ou massa de gelatina contendo os óvulos. Quando isso começa a acontecer, o macho vai lançando esperma sobre ela e fecundando os óvulos. A desova, feita sempre na água de rios, lagos ou poços, pode conter 20.000 ovos nas rãs, e 25.000, nos sapos.
A larva, chamada girino, sempre nada ou flutua. De início, não tem membros, mas possui brânquias (órgãos para retirar oxigênio da água) externas e uma cauda musculosa com barbatana nas costas ou ventre. A princípio, não possui nenhuma abertura bucal, mas logo surge um bico córneo com filas de dentes labiais bem diferentes dos anuros adultos. Pouco depois, as brânquias tornam-se internas, permanecendo fechada a câmara branquial. Quanto termina a metamorfose, não há nenhuma outra transformação externa no girino, exceto o gradual desenvolvimento dos membros posteriores. Os anteriores, que se formaram e permaneceram escondidos na câmara branquial durante o período larval, começam a aparecer desde o início da metamorfose. A cauda vai perdendo dimensões até ser totalmente reabsorvida, enquanto a boca assume a forma típica do adulto.
Internamente aparecem outras mudanças: a das brânquias, o encurtamento do intestino (devido à passagem de dieta vegetariana para carnívora), etc. Esta forma embrionária é típica dos anuros, com exceções entre as espécies que colocam ovos nos lugares úmidos da terra: cada ovo é munido de uma gema enorme, que permite ao embrião passar em seu interior um breve período larval, após o qual o ovo se abre para sair o anuro já com forma definitiva.
A fêmea da rã marsupial da América do Sul traz os ovos num saco sobre as costas, do qual saem os girinos, ou pequenas rãs já metamorfoseadas, conforme a espécie. No sapo Pipa, natural dos pântanos da região amazônica, os ovos se desenvolvem em uma série de alvéolos, um para cada larva, situados no dorso da fêmea. Nessas câmaras individuais os girinos respiram, aderindo sua cauda muito vascularizada à pele mais fina do alvéolo, voltada para o ambiente. O macho do Rhinoderma darwini, uma espécie de sapo que se acredita estar extinta porque nenhum exemplar é visto desde o início da década de 1980, protege seus filhotes escondendo-os dentro da boca até a metamorfose. O mais original é o gênero africano Nectophrynoides, que é ovovivíparo, ou seja, os filhotes se desenvolvem dentro dos ovos, diretamente no interior do organismo materno.
Com base no aspecto externo o povo conhece três tipos de anuros: os sapos, que têm locomoção lenta, pêlo com rugas e atos terrestres; as rãs, com hábitos aquáticos e pele lisa; e as pererecas, que tem ventosas nos dedos das mãos e dos pés. No Brasil são cerca de 776 espécies de anfíbios anuros - sendo 489 endêmicas e 110 ameaçadas - compondo as seguintes famílias: Brachycephalidae; Dendrobatidae; Bufonidae; Centrolenidae; Hylidae; Leptodactylidae; Pipidae; Ranidae e Pseudidae.
Fonte: Enciclopédia Abril