CÉRBERO

Guardião da porta do Hades, ou mundo inferior, Cérbero era um cão monstruoso que possuía cinco cabeças e cauda de dragão. Filho do gigante Tifeu, ou Tifão, cuja união com a não menos monstruosa Équidna, uma criatura metade serpente, metade mulher, resultou no nascimento de diversos outros monstros, como a Hidra, o próprio Cérbero, a Esfinge, as Harpias, e outros mais, esse terrível animal era representado de diversas maneiras pelos poetas e historiadores, que algumas vezes o imaginavam com apenas três cabeças, como na ilustração acima, mas em outras o apresentavam como se de suas numerosas cabeças brotassem serpentes, e delas saísse veneno.

 

Seu pai, filho de Tártaro e da Terra, segundo uma tradição, e de Hera, segundo outros, foi o chefe dos Titãs na guerra contra os deuses, e sendo vencido, foi fulminado por Zeus (Júpiter), que o sepultou sob o Etna. Tinha várias cabeças de serpente e lançava chamas pela boca.

 

Diz a lenda que quando alguém se aproximava do portão do inferno, Cérbero simplesmente abanava a cauda amistosamente e levantava as orelhas, não impedindo a sua passagem. Deitado em um antro, à margem do Estige, onde permanecia preso, amarrado por serpentes que lhe protegiam os pescoços, guardava a entrada dos Infernos e do palácio dos deuses infernais. Lambia as sombras que entravam, mas estas, uma vez lá dentro, não mais poderiam sair, pois ele aterrorizava com seus latidos e suas três faces as que tentavam fazê-lo.

 

Mas se acalmava quando lhe eram lançados bolos de mel e de farinha, e foi dessa forma, segundo a mitologia romana, que a linda virgem Psiquê e o príncipe troiano Enéas foram capazes de pacificá-lo com um bolo de mel e assim continuar sua viagem pelo mundo inferior. Às vezes Cérbero é representado com uma juba de serpente e 50 cabeças.

 

Hermes (Mercúrio), mensageiro de Zeus (Júpiter), conseguiu aplacá-lo com seu caduceu (uma vara enlaçada por duas serpentes e encimada por duas asas), e Orfeu, considerado como a própria personificação da música e do ritmo, que havia descido ao mundo subterrâneo para suplicar às divindades infernais que lhe devolvessem a esposa Eurídice, morta por uma picada de serpente, encantou-o com a lira que tocava de forma maravilhosa, a tal ponto que até as feras, as árvores e os rios iam ouvi-lo. Hércules, no entanto, mediu forças com ele quando levou Alceste dos Infernos, e tendo-o vencido, o arrancou do trono de Plitão, sob o qual se refugiara, a o levou por um momento à superfície da Terra.

 

Na Tessália e em outras regiões da Grécia, apontavam-se cavernas por onde se dizia que Hércules teria trazido para a terra esse monstro infernal.para atender às determinações de Euristeu. Mas segundo a crença ou a lenda mais difundida, foi pela caverna do cabo Averno que Cérbero, amarrado e humilde, tinha vindo no séqüito do seu vencedor. Em memória desse feito erigiram um templo a Hércules, depois desse acesso ao mundo subterrâneo.

 

Nas medalhas, nas moedas e nos vasos antigos, Cérbero acompanha sempre Hades (Plutão), o deus a quem serve e protege.