CORA (Proserpina)

Filha de Zeus (Júpiter) e Deméter (Ceres), deusa da agricultura, Cora também era conhecida como Perséfone (nome grego), ou Coré, mas foi reconhecida pelos romanos como Proserpina. Raptada por Hades (Plutão), deus dos infernos (ilustração), tornou-se rainha das regiões das sombras.Tanto Cora (ou Proserpina) como Plutão, eram cultuados em algumas regiões como divindades misteriosas da fecundação da terra.


No dia em que Adonis desceu à região das sombras, ela apaixonou-se por ele de tal forma que se recusou a deixá-lo partir quando Zeus (Júpiter), a pedido de Afrodite (Vênus), devolveu a vida ao moço. Tal decisão criou um impasse com esta deusa, que também não abria mão dele, e para resolvê-lo Zeus (Júpiter) decidiu que Proserpina passaria metade do ano debaixo da terra, no submundo, na companhia do marido - corresponde essa época, ao Inverno, quando Ceres, desolada, descuida a Natureza, deixando morrer as plantas - e a outra metade do ano viria à superfície para ficar em companhia da mãe - corresponde ao Verão, quando a Natureza renasce, fruto da alegria de Ceres.

 

Ao relatar o rapto de Cora por Plutão, Thomas Bulfinch, em O Livro de Ouro da Mitologia, diz que “Há, no vale do Ena, um lugar escondido no bosque, que o protege contra os ardentes raios de sol; o terreno úmido é coberto de flores, e a Primavera ali reina perpetuamente. Proserpina lá se encontrava, brincando com suas companheiras, colhendo lírios e violetas e enchendo com as flores seu cesto e seu avental, quando Plutão a viu, apaixonou-se por ela e raptou-a. Ela gritou, pedindo ajuda à mãe e às companheiras; e quando, apavorada, largou os cantos do avental e deixou cair as flores, sentiu, infantilmente, sua perda como um acréscimo ao seu sofrimento. O raptor excitou os cavalos, chamando cada um por seu nome e soltando sobre suas cabeças e pescoço as rédeas cor-de-ferro. Quando chegou ao rio Ciano, e este se opôs à sua passagem, Plutão feriu a margem do rio com seu tridente, a terra abriu-se e deu-lhe passagem para o Tártaro”.

 

Uma outra versão diz que Proserpina foi raptada por Plutão quando colhia flores juntamente com sua acompanhante Cianéia, apesar do esforço feito por esta para evitar a consumação do seqüestro. Ao tomar conhecimento do acontecido Deméter saiu à procura da filha por todos os lugares, e durante nove dias e nove noites ela errou pela terra sem repouso, em busca de uma informação. Até que no décimo Apolo lhe revelou o nome do autor do rapto. Indignada, a deusa então pediu a Zeus que ordenasse a imediata volta da filha, e este lhe respondeu que assim seria feito, desde, porém, que a moça nada houvesse comido naquelas paragens. Mas Ascálafo, filho de Aqueronte e servidor de Plutão, disse tê-la visto comer alguns grãos de romã depois da sua entrada nas moradas sombrias, e por essa razão Proserpina foi condenada a ficar nos Infernos, como esposa de Plutão e rainha do império das sombras. Alguns mitólogos, entretanto, são partidários de um outro desfecho, segundo o qual Zeus teria intermediado uma outra solução, dando a Ceres o conforto da companhia de sua filha durante metade do ano. Dessa forma, Prosérpina passaria um período com a mãe e outro com Hades, correspondendo o primeiro deles à primavera, época que novos grãos rebentam em alimento, assim como Prosérpina deixa as trevas e se dirige ao Olimpo. O segundo é o da semeadura do outono, em que os grãos são enterrados, do mesmo modo como ela volta para o reino de Hades.

 

Os gregos chamavam-na de Coré, isto é, moça, porque acreditavam que a rainha do império dos mortos não devia ter filhos, ou porque era uma adolescente quando desceu aos Infernos. No entanto, ela teve um filho de Zeus, que se fez amar sob a forma de uma serpente. Esta filho, chamado Sabásio, era de uma habilidade notável, e foi quem coseu Baco na coxa de seu pai.

 

Era crença geral que ninguém podia morrer sem que Proserpina, por suas próprias mãos, ou por intervenção de Átropos, uma das três Parcas, lhe tivesse cortado o fio da vida. Na Sicília, o culto dessa deusa era muito solene, e os sicilianos garantiam sua promessa por juramento feito sob a égide da deusa. Nos funerais, as pessoas batiam no peito para louvá-la, enquanto os amigos e os servidores do morto algumas vezes cortavam o cabelo e atiravam os fios na pira fúnebre, para abrandar essa divindade.

 

Proserpina é representada ao lado de seu esposo, num trono de ébano, segurando um facho com fumos negros. A papoula foi-lhe dedicada por ter servido de lenitivo à sua mãe na ocasião de seu rapto. O narciso também lhe é dedicado, pois estava colhendo esta flor quando foi surpreendida e raptada por Plutão.