AÇAI - Amazonas

O açaí, fruto do açaizeiro, palmeira comum na Amazônia, é conhecido pelos indígenas como iça-çai, a fruta que chora. Ele contém uma polpa carnuda que é usada como alimento quando misturada ao mel, açúcar ou farinha de mandioca, sendo também aproveitada para a produção de refrescos e de um vinho nutritivo feito da fruta e da casca dos frutos.

 

Este vinho, na verdade um macerado que tem a cor do suco de uvas, é denso e  muito apreciado pelos habitantes da região por ser energético e nutritivo. Há duas variedades de açaí: o roxo e o branco. O roxo tem polpa cor de vinho. Isso justifica o nome do suco que se extrai dessa polpa. Do açaí branco faz-se um suco creme-claro. A época de maturação dos frutos constitui motivo de festa para diversas tribos, que tratam então de preparar a bebida numa operação reservada às moças solteiras.

 

Diz a lenda que num passado distante vivia na região de Belém do Pará, ainda não fundada, uma tribo indígena numerosa que sofria com a escassez de alimentos, e por isso muitos dos seus membros passavam fome quase que diariamente. Preocupado com essa situação e reconhecendo que o problema precisava ser resolvido de vez, o cacique Itaki se viu forçado a adotar uma medida cruel: para evitar o aumento da população tribal, ele decidiu que dali em diante todas as crianças que nascessem na aldeia seriam sacrificadas, porque procedendo dessa forma, após certo tempo ninguém mais entre eles ficaria de barriga vazia. E isso foi feito até mesmo no dia em que Iaçã, a filha do cacique, deu à luz uma bela menina, que também foi morta porque essa era a lei.

 

A jovem mãe ficou desesperada com a perda da criança, e todas as noites ela chorava desconsolada em sua cabana, pedindo que o deus Tupã mostrasse a seu pai um outro caminho que pudesse impedir o sacrifício de tantos recém-nascidos. Até que certa noite a índia ouviu um choro de criança, e ao sair de onde morava avistou sua filha junto a uma palmeira. Por um momento ela ficou paralisada, não acreditando no que via, mas logo depois correu em direção à menina, pretendendo abraçá-la com toda a ternura que guardava no coração. Porém sua filha desapareceu da mesma forma como acontece com a fumaça na ventania, e por causa disso Iaçã desfaleceu. Quando o dia amanheceu, seu corpo foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira, trazendo no rosto um sorriso de felicidade e com os olhos voltados para os frutos escuros presentes no alto da planta.

 

Por ordem do cacique Iraki os frutos da palmeira foram colhidos e com eles se fez um vinho vermelho batizado com o nome de açaí (iaçã invertido), para homenagear sua filha. Como a fruta também serviu para alimentar satisfatoriamente toda a sua tribo, o chefe decidiu que, a partir daquele dia, sua ordem de sacrificar as crianças estava suspensa.

 

Manifestando-se sobre o fruto, a Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia - Emater RO, esclarece que “por causa de seus valores nutricionais o açaí vem despertando o interesse de todo o mundo.  Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Pará levantou sua tabela nutricional, permitindo concluir que ele é o ingrediente perfeito para um café da manhã reforçado e para praticantes de atividades esportivas, crianças e executivos. As qualidades protéicas do açaí começaram a ser divulgadas por praticantes de jiu-jitsu, e hoje a fruta é recomendada para praticamente todos, sobretudo os idosos e os que têm problemas digestivos”.

 

Bastante consumido por atletas, o açaí possui, incontestáveis propriedades nutricionais. Ele é rico em proteínas, fibras, lipídeos, vitamina E e minerais, além de apresentar elevado teor de pigmentos recomendados ao controle do colesterol. Favorece ainda a circulação do sangue e melhora as funções intestinais.