MÁGICA

Conhecida há mais de 2.000 anos, a mágica é a arte de fazer coisas aparentemente impossíveis, usando truques e habilidade manual. De origem asiática, ela chegou a ser difundida na Europa antiga, mas entrou em declínio na Idade Média devido ao terror provocado pela crença em bruxas e demônios. Sua popularidade, porém, foi reconquistada no fim desse período, quando os mágicos passaram a fazer truques relativamente fáceis nas ruas, nas praças e nos castelos.

 

No século 18 a mágica passou a ser vista como perigosa porque a associavam às forças ocultas, ou seja, ligada ao Diabo e a espíritos estranhos. Foi no fim desse século que surgiram as idéias de magia branca – usada para fins benéficos, sobretudo a cura – e de magia negra – que provocaria o mal. No entanto, foi a Commédia dell’arte, precursora do teatro de variedades e do circo moderno, a grande responsável pela divulgação da mágica como diversão popular.

 

Embora ainda se exibissem nas ruas e nas feiras, os mágicos do século 19 começaram a conquistar o teatro, onde poderiam utilizar equipamentos mais complexos, que lhes permitiriam melhorar os seus truques. Foram construídas complicadas mesas, sob as quais um ajudante oculto acionava vários dispositivos para fazer surgir ou desaparecer objetos. O grande impulso a essa arte deveu-se principalmente à popularidade dos espetáculos de variedades, já que eram relativamente baratos e produziam muito efeito. Atualmente, a mágica perdeu muito de sua popularidade, e a maior parte dos truques é montada a partir de outros mais antigos.

 

Difundida em todo o mundo, a mágica divide-se em dois ramos distintos: a prestidigitação, com truques que exigem grande habilidade manual (para lidar com cartas, moedas e a famosa cartola), e o ilusionismo, com espetáculos de levitação, pessoas cortadas ao meio, etc. O mágico, portanto, é um ator que no desempenho de seu papel alia destreza manual e instrumentos especiais à naturalidade de representação. Ele costuma conhecer – não raro intuitivamente – a psicologia da massa, dominando, sobretudo, a chamada psicologia da fraude: desvia a atenção do espectador para determinado ponto, enquanto desenvolve seu truque em outro.

 

Muitos mágicos tornaram-se famosos no decorrer da História. Como Isaac Fawkes (1675-1731), Cristopher Pinchebeck (1670-1732) e Jacob Meyer (1735-1790), que foram os mais famosos artistas da mágica antiga. Eles apresentavam sua arte como algo extremamente complicado e, para fazer seus truques, necessitavam de um guarda-roupa requintado e extravagante, que lhes permitia um número maior de esconderijos. O primeiro mágico a apresentar-se em trajes comuns e a empregar em seus truques apenas o equipamento indispensável, foi Wiljalka Frikll (1818-1903), que se valia quase exclusivamente de suas habilidades manuais. Nepomuk Hofzinger (1806-1875), austríaco que jamais consentiu em se apresentar fora do seu país, usava pouquíssimo material além das próprias mãos, mas mesmo assim criou complicados truques de grande efeito. John Henry Anderson (1812-1874), também partidário de mágicas mais simples, ficou mais conhecido por sua autopromoção, pois na realidade seus truques eram comuns, muitas vezes inferiores aos de artistas menos conhecidos do público.

 

Classificando e sistematizando todos os truques conhecidos até sua época, o francês Jean Eugênes Robert-Houdin (1805-1871), considerado o pai da mágica moderna, foi quem mais impulsionou sua arte. Apesar de se fazer passar como criador dos truques que apresentava, reconhecia que eram fundamentados nas idéias apresentadas por seus antecessores. Certa vez, quando estava na Argélia, eclodiu uma rebelião de nativos. Ele chamou um dos rebeldes mais fortes e pediu-lhe que levantasse uma caixa de madeira que estava no chão. Isso foi feito com a maior facilidade. Houdin pronunciou então algumas palavras estranhas (um sinal para que fosse ligado um eletroímã preso ao solo, a fim de que este passasse a atuar sobre o fundo de ferro da caixa). A seguir, pediu novamente ao nativo que levantasse a caixa, o que se mostrou impossível. Apavorados com seu poder, os rebelados decidiram encerrar seu movimento. Houdin também aperfeiçoou truques anteriores de levitação, acionando o mecanismo para suspender o corpo em pleno palco, sem que o público percebesse.

 

Os grandes mágicos norte-americanos começaram a aparecer em fins do século 19, e formaram uma categoria especial entre esses artistas, devido a sua especialização em apenas certos tipos de mágica. Um dos mais famosos foi Harry Keller (1849-1922) que aprimorou sua arte em pequenos, rápidos e numerosos truques. Howard Thurston (1869-1936) só trabalhava com cartas, e Thomas Nelson Downs (1867-1938) dedicava-se apenas a truques feitos com moedas. Harry Houdini - 1874-1926 (ilustração acima), húngaro de nascimento, cujo nome artístico foi inspirado no de Houdin, ficou conhecido pela facilidade com que se libertava  das cordas e correntes. Suas exibições eram feitas freqüentemente em locais abertos, podendo assim ser visto por milhares de pessoas – o que lhe garantiu extrema popularidade no mundo todo. Celebrizou-se principalmente por um número de grande efeito: acorrentado e preso dentro de uma caixa, era atirado num rio, conseguindo safar-se graças a extraordinária resistência física e à habilidade que desenvolveu, de abrir as fechaduras mais complicadas em poucos segundos, sem precisar utilizar as chaves adequadas.

 

Outros mágicos especializados foram Goldin (1873-1939), que apresentava truques de grande efeito, como serrar uma mulher ao meio, e Nate Leipzig (1873-1939), especializado em pequenos truques contando quase exclusivamente com destreza e habilidade excepcionais.

 

Fonte: Enciclopédia Abril