BICHO GEOGRÁFICO

Bicho geográfico é o nome comum dado à Larva migrans, um parasita intestinal de cães e gatos domésticos ou silvestres, mas que também pode acometer o ser humano. Medindo entre 5 e 10 milímetros de comprimento, esse verme possui um par de dentes bem desenvolvidos, que usa para perfurar a pele e penetrar no corpo dos seus hospedeiros.

 

No que diz respeito ao homem, isso acontece quando a larva entra em contato com a pele do mesmo, o que geralmente ocorre em praias, caixas de areia em parques e jardins, areia de construção, terrenos úmidos ou qualquer outro lugar onde os caninos e os felinos costumam defecar. Após perfurar a pele dessa pessoa a larva inicia uma caminhada subcutânea à procura de alguma brecha que lhe permita chegar ao intestino, e nessa locomoção aparentemente sem rumo ela vai formando uma espécie de túnel tortuoso e avermelhado, com características semelhantes ao traçado de mapas, o que deu origem ao apelido de bicho geográfico, pelo qual se tornou conhecida.

 

Geralmente os cães e gatos (além de raposas, bovinos e suínos) são contaminados pelo parasita de duas formas: ou por via oral, quando da ingestão das larvas juntamente com os alimentos, ou então pela sua penetração através da pele, uma situação similar à que acontece com os humanos. A infestação se dá no intestino dos animais atacados, onde as larvas iniciam a postura dos ovos que são eliminados juntamente com as fezes.

 

Uma vez lançados no meio ambiente esses ovos desenvolvem-se rapidamente (uma semana, mais ou menos) na areia úmida, transformando-se em larvas infectantes que penetram no corpo humano atraídas pelo calor emanado por ele. Normalmente, as regiões da pele mais atingidas pelo parasita são aquelas que mantêm maior contato com a areia ou terra poluída, principalmente os pés, as pernas, as coxas e as nádegas (sobretudo em crianças), além de mãos e antebraços. Após um período de incubação que pode durar vários dias, elas começam a cavar túneis na tentativa de chegar ao intestino do hospedeiro, o que não acontece. No local da invasão surge um ponto vermelho, ou pequena bolha que desaparece em pouco tempo, pois com a movimentação do verme ela dá lugar a uma erupção linear, tortuosa e saliente, em cujo final se percebe uma mancha que é o lugar onde o parasita se localiza.

 

A peregrinação feita pelo bicho geográfico provoca intensa coceira no agredido, principalmente à noite, causando-lhe insônia e nervosismo. A repetição constante e irritada do ato de coçar, quase sempre usando as unhas com força desnecessária, acaba por provocar ferimentos na pele, o que dá oportunidade para o surgimento de infecções ou eczemas. Para aliviar essa coceira costuma-se recomendar o uso de compressas de gelo no local afetado, não sendo aconselhável o emprego dos chamados métodos caseiros, como furar as lesões com agulhas ou alfinetes. Durante a infestação cutânea não ocorre o desenvolvimento do ciclo reprodutivo da larva, já que elas apenas caminham sob a pele, mas na visceral, que é incomum, as conseqüências são mais sérias. Embora sejam esporádicas tais infecções atingem principalmente crianças na faixa de quatro a seis anos de idade, que em contato com a sujeira do solo, ou areia contaminada por fezes de animais, ingerem ovos desses parasitas.

 

No caso da infestação cutânea o tratamento nem sempre é necessário, a não ser nos casos de maior gravidade, Apesar disso, quando essa manifestação é pequena, o curativo pode ser feito com pomadas específicas que devem ser usadas de 10 a 15 dias, mas dependendo da sua extensão, a medicação deve ser feita por via oral.

 

Como profilaxia, além do tratamento de cães e gatos parasitados, outras providências podem e devem ser adotadas, entre elas a cobertura, ao final do dia, dos tanques de areia onde as crianças brincam, para impedir que os animais tenham acesso a ele; a utilização de esteira para isolar o corpo da areia e da terra úmida; o uso de calçados nos locais infestados; e a proibição de animais domésticos em locais públicos como praças e praias.

 

Freqüentemente alguns banhistas se revoltam diante da recomendação de que não devem levar seus cães à praia, sem se darem conta de que essa medida, ao invés de arbitrária, é muito mais uma proposta para a adoção de hábitos preventivos que possam evitar a ocorrência de problemas de saúde em homens, mulheres e crianças, decorrentes de procedimentos inadequados. Por isso, a responsabilidade dos donos de cachorros é o melhor método preventivo da doença, e para isso não são necessários esforços extraordinários, mas apenas a vermifugação e recolhimento das fezes e qualquer tipo de sujeira dos animais, tanto em casa quanto em lugares públicos, o que certamente impedirá a proliferação do parasita e evitará que outros animais e humanos venham a ser contaminados.