Macumba, no entendimento popular, é o feitiço, o encantamento, o malefício, o sortilégio ou o objeto a que se atribuem propriedades sobrenaturais, conceito esse que inclui o despacho, a coisa-feita, o catimbó e a muamba, além dos ebós. Tais práticas ou procedimentos místicos, têm origem na crença de que existem comunicações ocultas entre os homens e a divindade, ou seja, elas nascem e crescem conforme a disposição de alguém em acreditar no que está acima das leis naturais. Para determinados filósofos, o sobrenatural é aquilo que se situa além da Natureza e não pode ser explicado pela razão pura e simples, mas esse pensamento é combatido por racionalistas, naturalistas e materialistas, que rechaçam tanto a existência como a própria possibilidade de qualquer ordem sobrenatural.
Entre nós, macumba é a denominação genérica de cultos afro-brasileiros com influências católicas e espíritas, que se desenrolam em meio a danças e cânticos rituais, ao som de instrumentos de percussão. Desenvolvidos inicialmente no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, esses cultos incluem oferendas rituais de comidas e bebidas com fins mágicos. A palavra foi estendida a estas oferendas, depositadas quase sempre em lugares públicos, e constituídas de um vaso ou embrulho com farofa, azeite-de-dendê e restos de galinha, acompanhado de uma garrafa de cachaça, charutos e tocos de velas acesos.
Na verdade, desde épocas remotas os povos acreditam em palavras e canções mágicas pelas quais se alcançariam dons sobrenaturais, tanto que o folclore dos mais diversos países é rico em exemplos de encantamentos - que têm como significado a arte de dominar por meio de atos de magia. Entre os judeus, a legislação punia severamente tais práticas, mas conforme atesta a própria Bíblia, não se conseguiu bani-las completamente da vida cotidiana: em algumas camadas da população, esses ritos eram freqüentemente confundidos com as práticas religiosas. A Idade Média herdou a antiga tradição popular sobre tais costumes e ampliou-a em suas lendas e contos, apesar da Igreja tê-las combatido tenazmente, perseguindo e queimando em praça pública os seus executores . Modernamente, o exercício de encantamento ficou reduzido principalmente a regiões mais atrasadas e a alguns povos que o conservam entre suas tradições, embora no folclore afro-brasileiro seja comum a sua prática.
Malefício, como o próprio nome já permite deduzir, é tudo aquilo feito com a intenção de danificar, prejudicar, fazer mal ou exercer influência maléfica sobre alguém; enquanto sortilégio é a sedução, a atração especial feita através de artifícios ou dotes naturais, o encantamento, o domínio exercido por alguma coisa que fascina. Coisa-feita é a bruxaria, a feitiçaria, o mal praticado às escondidas, às ocultas. Catimbó, além de feitiço, coisa-feita, canjurê, ou muamba, é também o conjunto de regras e cerimônias que devem ser obedecidas durante a feitura do encanto. O catimbó não é religioso e não tem ritos do candomblé baiano, do xangô pernambucano, sergipano ou baiano, nem da macumba carioca, e quer dizer cachimbo, usado pelo mestre de cerimônia para defumar os assistentes com sua fumaça e receber o espírito de um mestre defunto, mestre Carlos, Xaramundi, Pinavaruçu, Anambar, Faustina, indígenas, negros feiticeiros como pai Joaquim, bons e maus.
O despacho é uma das práticas mais comuns da macumba, e representa a concretização de um sortilégio. Compreende o ebó (dar cumprimento a uma promessa) e o feitiço, propriamente dito, que serve para causar mal a alguma pessoa. Por exemplo, um despacho de olhos e dentes de carneiro leva a uma morte ou punição sem que a vítima possa se queixar a alguém. Outra função do despacho é a troca de cabeça, isto é, transmitir os males de uma pessoa a outra. Sua procedência é africana, e muitas vezes basta uma pequena quantidade de pipocas, embrulhos com farinha e azeite-de-dendê, ou outros objetos usados na feitiçaria, para se fazer um que deve ser jogado na direção da pessoa a quem se deseja fazer mal.
Os ebós, por sua vez, são oferendas feitas para orixás e outras divindades, e suas finalidades são muitas, entre elas a de apaziguar problemas, agradecer alguma graça atingida, alcançar algum objetivo ou simplesmente agradar a entidade que está sendo cultuada. Um presente a Oxum, por exemplo, que é o orixá das águas, preparado por quem está querendo acalmar a pessoa amada, pode ser feito com cinco batatas inglesas, mel, azeite doce, açúcar mascavo e duas velas amarelas de 30cm. Para prepará-lo, basta cozinhar as batatas sem casca, deixar esfriar, colocar um pouco de mel, azeite doce e açúcar mascavo em um prato de louça, amassar as batatas com as mãos e misturar tudo, sempre com o pensamento voltado para a pessoa amada. Depois, dar um formato de coração à massa, acender as velas ao lado da oferenda e fazer a oração exprimindo o desejo.