HÉRCULES 07 - TOURO DE CRETA, O

Na mitologia grega existem dois personagens com o mesmo nome: Minos. O primeiro, rei de Creta, uma ilha longa e estreita, com 260 km de comprimento e largura variando entre 12 e 60 km, situada no sul do mar Egeu, teria sido filho de Zeus (Júpiter) e de Europa, marido de Pasifaé e construtor do famoso Labirinto de Creta, que depois de morto desceu ao mundo subterrâneo e lá se tornou um dos juizes dos mortos. O outro seria filho de Licaste e neto do primeiro.

 

A Minos se atribui o início da guerra contra os atenienses, como vingança pela morte do filho Androgeu. Ele só concedeu a paz sob condição de que em cada ano sete rapazes e sete moças fossem enviados ao Minotauro, uma criatura com cabeça e cauda de touro num corpo de homem, para sacrifício.

 

Minos (que supostamente viveu por volta do ano 1.500 a.C.) e seus irmãos Radamanto e Sarpédon, tinham sido criados por Asterion, rei de Creta, que ao morrer legou seu trono ao primeiro. Inconformados com essa decisão os dois preteridos se dispuseram a iniciar uma disputa pelo poder, mas Minos alegou que por direito Creta lhe pertencia, pois essa era vontade dos deuses, afirmando também que os imortais lhe concederiam qualquer coisa que desejasse. Para confirmar o que dizia, ele solicitou a Poseidon (Netuno), deus das amplidões marinhas:

 

- Oh!, Poseidon, deus dos mares, faça sair destas águas um touro, se quiser que eu seja o rei de Creta. Em troca, lhe oferecerei um sacrifício, matando o animal.

 

E foi prontamente atendido, porque na mesma hora surgiu do mar um grande touro branco, muito bonito, o que acabou de vez com a contestação dos irmãos insatisfeitos. Todavia, a beleza do animal impressionou o rei de tal maneira, que este, desejando conservar-lhe a raça, o enviou para junto de seu rebanho, esquecendo o compromisso assumido com Poseidon.

 

Indignado com essa afronta, o deus marinho enlouqueceu o animal, que a partir desse momento passou a espalhar o terror em Creta. Mas como ainda não estava satisfeito, Poseidon fez com que no coração de Parsifaé, esposa do rei perjuro, brotasse uma paixão irresistível pelo touro enfurecido, um desejo carnal incontrolável. Sem saber o que fazer para saciar aquela vontade louca que não lhe dava sossego, ela procurou Dédalo, um notável arquiteto e inventor, e pediu-lhe ajuda, tendo este fabricado para a rainha uma novilha de bronze (ou de madeira) coberta por uma pele de novilha, uma obra tão perfeita e bem acabada que logrou enganar o animal.

 

Então, colocando-se dentro daquela simulação de uma fêmea bovina, Pasífaé finalmente conseguiu satisfazer à sua paixão alucinada. Dessa união nasceu o Minotauro, um misto de homem e animal que posteriormente foi morto por Teseu. Mas por causa da ajuda dada por Dédalo a Pasífaé, Minos mandou que o prendessem no Labirinto juntamente com seu filho Ícaro, de onde os dois conseguiram evadir-se construindo asas artificiais.

 

A notícia dos estragos causados pelo touro chegou a Euristeu, rei de Micenas e de Tirinto, que chamou Hércules e lhe disse que como era necessário capturar o animal, ele ficaria encarregado dessa tarefa. O herói grego partiu em seguida para executar o seu primeiro trabalho fora do Peloponeso, conseguindo fazê-lo sem muito trabalho. Depois de prendê-lo, cavalgou-o como se fosse um cavalo, atravessou o mar a nado e o levou a Euristeu, que o soltou. Mas o bovino escapou e passou a devastar a planície de Maratona, e por isso Hércules teve então que matá-lo.