Hipólita, rainha das amazonas, tribo de mulheres guerreiras, possuía um cinturão mágico dado a ela por seu pai, o deus Ares (Marte), mas que Admeta, filha de Euristeu, rei de Micenas, desejava para si. Por isso o soberano ordenou a Hércules que fosse buscá-lo sem tardança. Sobre a realização desse trabalho existem versões diferentes, como a do historiador francês Alain Quesnel, em “A Grécia – Mitos e Lendas”, que diz em certo trecho:
“Chegando à foz do rio que banha o país das Amazonas, o herói decide permanecer no primeiro porto que avista. No minuto exato em que o navio atraca, aparece sobre as colinas vizinhas uma tropa de cavalaria impressionante, toda engalanada. Armadas até os dentes, cabelos ao vento, as amazonas descem ao porto. Hércules dirige-se à horda de guerreiras, entre as quais logo identifica Hipólita. Em seu esplêndido traje de combate a rainha é facilmente reconhecível. Na cintura ela leva o magnífico cinturão que Ares, deus da guerra, deu-lhe de presente. Hipólita também reparou em Hércules. Seduzida pela enorme estatura e pela possante musculatura do herói, a rainha acalma o ardor combativo de suas guerreiras e dispõe-se a falar tranqüilamente com ele. Hércules convida-a a descansar um pouco em seu barco”.
“A rainha aceita, e na coberta do navio, começa a conversar longamente com Hércules e a contemplá-lo com olhos cheios de amor. Como prova dessa afeição nascente, tira o cinturão e oferece-o ao semideus, o primeiro homem a inspirar-lhe ternura. Hércules recebe com alegria o presente, feliz por ter cumprido sem nenhum combate essa tarefa. Mas tal harmonia desagrada a Hera (Juno), que, já sabemos, detesta Hércules. A deusa assume a aparência de uma amazona e, esgueirando-se entre as fileiras do exército de mulheres, começa a espalhar o calunioso boato de que os estrangeiros querem raptar a rainha Hipólita. Loucas de raiva, as amazonas vestem as couraças, pegam as armas, montam nos cavalos e, vociferando, vão para o porto, onde atacam as sentinelas de Hercules”.
“Surpreendido pelos gritos, o herói sai da cabine. Diante de seus olhos, trava-se entre seus homens e as terríveis amazonas, um combate feroz. Certo de que foi traído, Hércules mata Hipólita e entra na luta. Fazendo girar sua maça, abre caminho entre as inimigas. No calor do combate, o semideus da pele de leão enfrenta tudo, esquiva-se das flechas e revida todos os golpes. As bravas guerreiras compreendem que não estão enfrentando um adversário comum. Muitas já estão caídas na poeira, e o resto do exército encontra-se na maior confusão. Algumas ficam com medo. Até aquele momento, julgavam-se invencíveis, mas Hércules mostra-lhes que a coisa é bem diferente. Em pânico, fogem a galope. Então, Hércules ordena a partida do navio. Algum tempo depois chega a Micenas e dá o cinturão a Euristeu, que se apressa a mandar colocá-lo como enfeite no templo de Hera”.
Outro relato, de Márcio Pugliesi, professor da Pontifícia Universidade Católica -SP, em “Mitologia Greco-Romana - Arquétipos dos Deuses E Heróis”, diz que:
“As Amazonas fixaram-se nas circunvizinhanças do Ponto Euxino e viviam do saque e da caça. As suas vestes eram feitas de peles de animais ferozes e, presas no ombro esquerdo, chegavam até os joelhos, mas deixando a descoberto todas a parte direita do corpo. As armas, segundo os relatos, se compunham de um arco, de uma aljava plena de setas e de um machado. O escudo teria a forma de um crescente, com o diâmetro de cerca de meio metro. A rainha, quando em combate, usava cota de malha fixa por um cinturão e, como todas, um capacete ornado de plumas mais ou menos brilhantes, insígnias de sua categoria ou dignidade. Geralmente combatiam a cavalo, mas também combatiam a pé. Pentesiléia, uma de suas rainhas, lutou com suas companheiras ao lado de Tróia. Outra rainha, Harpalice, célebre pela velocidade na corrida, dominou toda a Trácia”.
“No tempo de Hércules reinava Hipólita, cujo cinturão, a mando de Euristeu, tinha (Hércules) de obter. O herói partiu em busca das Amazonas, matou Migdon e Amico, irmãos de Hipólita, que lhe impediam a passagem, desbaratou as guerreiras e raptou-lhes a rainha, que obrigou a casar com Teseu, seu amigo”.
A terceira versão, autoria de Thomas Bulfinch, e incluída em “O Livro de Ouro da Mitologia”, diz que:
“O trabalho seguinte foi de natureza mais delicada. Admeta, filha de Euristeu, desejava ardentemente possuir o cinto da rainha das Amazonas, e Euristeu ordenou a Hércules que o fosse buscar. As amazonas constituíam uma nação de mulheres muito belicosas, que possuíam diversas cidades florescentes. Tinham o costume de criar apenas as crianças do sexo feminino; os meninos eram mandados para os países vizinhos, ou mortos. Hércules partiu acompanhado por um certo número de voluntários e, depois de várias aventuras chegou ao país das Amazonas. Hipólita, a rainha, acolheu-o benevolentemente e concordou em entregar-lhe o cinto, mas Juno, tomando a forma de uma amazona, convenceu as demais que os estrangeiros estavam raptando sua rainha. Elas armaram-se imediatamente e atacaram o navio. Hércules, julgando que Hipólita tivesse agido traiçoeiramente, matou-a e, levando o cinto, fez a viagem de volta”.
Em outra narrativa, Teseu casa com Hipólita, também chamada Antíope, com quem teve um filho – Hipólito -, mas depois a abandona para unir-se a Fedra, filha do rei Minos, de Creta. Por causa disso a rainha das amazonas volta com suas guerreiras durante a realização da cerimônia do novo casamento de Teseu, disposta a liquidar todos os presentes, mas é morta pelos homens do noivo, segundo alguns, ou por Pentesiléia, também amazonas, no entender de outros.