O baiacu é um peixe que tem os maxilares guarnecidos de placas, lembrando o feitio do bico de tartaruga. Ao ficar assustado ou irritado, incha o corpo como se fosse uma bola de borracha e nada por algum tempo de barriga para cima, até expelir o ar, quando então pode mergulhar novamente.
Eles pertencem a três famílias, a dos Triodontídeos, que têm uma placa inteiriça (dente) no maxilar superior e duas no inferior; a dos Tetraodontídeos, que têm duas placas em cada um dos maxilares; e a dos Diodontídeos, que têm as duas placas inteiriças, sendo os espécimes pertencentes a essa família chamados de baiacus-de-espinho, por terem todo o corpo coberto de espinhos grandes, grossos e triangulares. Algumas espécies atingem três palmos de comprimento e se deixam apanhar com facilidade nas redes. São peixes venenosos, embora, segundo afirmam alguns entendidos, não o sejam na época da reprodução.
O baiacu é muito comum em águas costeiras. Apesar de encontrado desde os costões das ilhas oceânicas até os estuários e mangues, eles têm nos recifes de coral o ambiente de sua preferência. Como são peixes lentos, e por isso quase sempre não consigam livrar-se com facilidade dos seus inimigos, quando se vêm ameaçados defendem-se usando outras armas que a natureza lhes concedeu: usam as mandíbulas possantes armadas com quatro dentes grandes, ou então eriçam o corpo coberto de espinhos, o que fazem enchendo o estômago de ar e água. Nessas ocasiões eles podem fazer com que seu tamanho fique até três vezes maior do que o normal, o que provavelmente serve para afugentar a maior parte dos predadores.
A ordem dos baiacus divide-se em várias espécies, entre elas o baiacu-açu, o baiacau-caixão, o baiacu-espinho, o baiacu-panela, o baiacu-areia, o baiacu-de-água-doce, o baiacu-liso, o baiacu-de-chifre e outras mais, tendo os exemplares de todas elas o hábito interessante de inflar a barriga quando retirados da água. (ilustração). Como sua alimentação normal é constituída de peixes pequenos, moluscos e crustáceos, são essas as iscas que devem ser usadas por quem desejar capturá-los. De forma geral, os baiacus são pescados com relativa facilidade, mas como possuem dentes cortantes e poderosos, os pescadores precisam ser cuidadosos no momento em que vão retirá-los dos anzóis. Uma recomendação importante é a de que, para pescá-los, deve ser usado um bom encastoamento de aço, pois do contrário o peixe poderá cortar a linha com os dentes.
A carne do baiacu é apreciada por quantos a experimentem, porque é deliciosa, sem gosto acentuado, sem gordura e de uma brancura impar. Mas a limpeza de cada um desses peixes deve ser feita com cuidado em virtude do poderoso veneno (tetrodoxina) que poderá ser ingerido caso isso não seja feito adequadamente. Em www.pesca.com.br, informativo que trata de assuntos de interesse dos pescadores, explica-se que esse veneno fica armazenado numa pequena bolsa situada junto ao aparelho digestivo do peixe, ao mesmo tempo em que são dadas instruções detalhadas de como proceder para retirá-la corretamente.
O artigo em questão esclarece ainda que na hipótese da ingestão do veneno, a intoxicação, quando pequena e moderada, pode provocar desde leve formigamento na boca até a queda da pressão sangüínea, com conseqüente perda da força física, além de comprometimento da fala e da respiração. O entorpecimento, a dor de cabeça e os problemas gastrintestinais também são comuns nestas situações. Nos casos mais graves a toxina age bloqueando a ação do sistema neural, e os problemas começam freqüentemente com contrações musculares que podem progredir para a paralisia total. Nesses casos, a vítima fica imóvel (paralisada) mas com plena consciência de tudo que está acontecendo, mas a morte pode ocorrer devido ao colapso dos pulmões e coração. Como não há um antídoto específico para a tetrodoxina, o tratamento a ser aplicado baseia-se nos sintomas apresentados pela vítima.
No Japão, o baiacu chamado fugu (ilustração acima) é considerado uma especialidade culinária entre os apreciadores de sushi. É um prato típico dos meses de dezembro e janeiro, servido em fatias cruas quase sempre arrumadas no prato de forma a lembrar as pétalas do crisântemo, considerado pelos japoneses como a flor da morte. Apesar disso, algumas pessoas morrem todos os anos naquele país, vitimados pela toxina nem sempre retirada corretamente.
Há algum tempo circulou na imprensa mundial a informação de que pesquisadores da cidade de Nagasaki, ao Sul do Japão, defensores da teoria de que os baiacus adquiriam o veneno ao consumirem alimentos tóxicos como estrelas do mar e moluscos, porque eles próprios não o produziam, realizaram entre 2001 e 2003, ao longo da costa japonesa, um experimento em que 5.000 fugus foram colocados em sete cercados instalados a 10 metros de profundidade, no mínimo, ou em tanques purificados para minimizar sua exposição a toxinas. Durante dois anos a alimentação desses peixes consistiu em cavalas e outros frutos do mar saudáveis, e ao fim desse período os peixes examinados apresentaram resultado negativo para a tetrodoxina.