TANATOS (MORTE)

Na mitologia grega, Tanatos era a própria personificação da morte, enquanto Hades (Plutão) reinava sobre os mortos no submundo. Tanatos era irmão gêmeo de Hipnos, o Sono e filho de Nix, a Noite e Érebo, as trevas.

 

Inimigo do gênero humano, odioso mesmo aos deuses, morava no Tártaro, ou conforme outras versões, tinha como habitação a porta dos Infernos. Hércules o amarrou com laços de diamantes quando foi libertar Alceste, primogênita de Pélios e mulher de Admeto, rei de Feres. Mas, segundo outros relatos, Febo (Apolo) conseguira das Parcas que estas poupassem a vida de Admeto se alguém quisesse morrer em seu lugar; Alceste ofereceu-se para isso, e esta sua dedicação comoveu Proserpina, esposa de Hades (Plutão), que a libertou. 

 

Tanatos teria coração de ferro e entranhas de bronze. Os gregos representavam-no com a figura de uma criança de cor preta, com os pés tortos, acariciada pela Noite, ou, ainda, com o rosto desfeito e emagrecido, coberto por um véu, os olhos fechados e com uma foice na mão. Esse atributo parece significar que os homens são ceifados em multidão, como as flores e as ervas efêmeras, e além da foice, asas e um facho em queda, uma urna e uma borboleta. As asas indicariam a velocidade com que se aproxima dos mortais; o facho em queda, a extinção de uma etapa de realizações; a urna, tanto o segredo de pós-morte quanto o resíduo da vida (o corpo); e a borboleta, a alma.

 

Tanatos tem um pequeno papel na mitologia, sendo eclipsado por Hades (Plutão). Na nomenclatura psicanalítica de Freud, Tanatos é o conjunto dos instintos de morte, um impulso urgente e inconsciente de morrer, contrapondo-se a Eros, o instinto de vida. Em Roma era chamado de Orco, sendo provável que encarnasse a divindade infernal que castigava os perjuros, ou até mesmo que fosse uma primitiva divindade romana identificada mais tarde com Plutão. Era uma espécie de anjo da morte que assassinava os moribundos, supondo-se que o dia do seu aniversário, o quinto de cada mês, fosse infausto.

 

O culto a esse deus era ainda expresso por diversas outras manifestações na vida cotidiana dos romanos. Em tradições européias posteriores, derivadas diretamente da lenda romana, Orco, também conhecido como Horco, transformou-se num espírito da floresta, devorador de pessoas.