O Minotauro, monstro que possuía cabeça de touro e corpo de homem, era filho de Pasifaé, rainha de Creta, com um touro branco que o deus Posseidon (Netuno) havia dado a seu marido, o rei Minos, de Creta. Porém, quando o monarca se recusou a sacrificar o animal, Posseidon fez com que Pasifaé se apaixonasse pelo touro e mantivesse relações com ele. Posteriormente, depois do nascimento do Minotauro, Minos mandou o arquiteto e inventor Dédalo construir um labirinto tão complexo que a fuga dele, sem ajuda, seria impossível. Ali o Minotauro foi confinado.
Nessa época Minos declarara guerra aos atenienses, como vingança pela morte do filho Androgeu, e só lhes concedeu a paz sob condição de que periodicamente sete rapazes e sete moças deveriam ser enviados ao Minotauro, para que este os devorasse. Inconformado com isso, Teseu, o herói grego, decidiu acabar com o sacrifício inútil e se ofereceu como uma das vítimas, dando origem a uma passagem mitológica descrita por Thomaz Bulfinchi, em História dos Deuses e Heróis, da seguinte forma:
“Os atenienses encontravam-se, naquela época, em estado de grande aflição devido ao tributo que eram obrigados a pagar a Minos, rei de Tebas. Esse tributo consistia em sete jovens e sete donzelas, que eram entregues todos os anos a fim de serem devorados pelo Minotauro, monstro com corpo de homem e cabeça de touro, que era mantido num labirinto construído por Dédalo, e tão habilmente projetado que quem se visse ali encerrado não conseguiria sair sem ajuda. Teseu resolveu livrar os seus patrícios dessa calamidade, ou morrer na tentativa. Assim, quando chegou a ocasião de enviar o tributo e os jovens foram sorteados, de acordo com o costume, ele se ofereceu para ser uma das vítimas, a despeito dos rogos de seu pai Egeu. O navio partiu com as habituais velas negras, que Teseu prometeu mudar para brancas no caso de regressar vitorioso. Chegando a Creta, os jovens e donzelas foram todos exibidos diante de Minos, e Ariadne, filha do rei que estava presente, apaixonou-se por Teseu e este amor foi correspondido. A jovem deu-lhe, então, uma espada, para enfrentar o Minotauro, e um novelo de linha, graças ao qual ele poderia encontrar o caminho. Teseu foi bem sucedido, matando o Minotauro (ilustração ao alto) e saindo do labirinto. Em seguida, levando Ariadne consigo, o herói retornou a Atenas juntamente com os companheiros salvos do monstro, mas durante a viagem pararam na ilha de Naxos, onde Teseu abandonou Ariadne, deixando-a adormecida, e a desculpa que deu para tratar sua benfeitora com tanta ingratidão foi a de que Minerva lhe apareceu num sonho ordenando-lhe que assim o fizesse. Ao aproximar-se do litoral da Ática, Teseu esqueceu-se da combinação que fizera com o pai e não mandou alçar as velas brancas. O velho rei Egeu, julgando que o filho tivesse morrido, ficou desesperado e atirou-se ao mar, que daí em diante passou a ser conhecido pelo seu nome. Teseu tornou-se, então, rei de Atenas”.
Alain Quesbel, em A Grécia - Mitos e Lendas, assim relata o mesmo episódio:
Durante toda a noite Teseu se esforça para tranqüilizar seus companheiros. De repente, anunciam ao jovem príncipe ateniense que alguém quer falar com ele. Surpreso, Teseu vê entrar uma bela moça que ele já viu ao lado do trono de Minos. Ela lhe diz: ‘- Jovem estrangeiro, eu me chamo Ariadne e sou a filha do rei Minos. Quando vi seu ar decidido, compreendi que você veio para matar o Minotauro. Mas será que já pensou numa coisa? Mesmo que mate o monstro, nunca vai conseguir sair do Labirinto’. Teseu fica confuso, pois Ariadne tem razão. Ele não pensou nesse problema! Percebendo o constrangimento do rapaz, ela acrescenta: ‘– Desde que o vi, fiquei interessada por você. Estou disposta a ajudá-lo se, depois, você se casar comigo e me levar para Atenas’. Assim fica combinado.
No dia seguinte, na entrada do Labirinto, Ariadne dá ao herói um novelo de um fio mágico, que lhe permite não só procurar o Minotauro mas também encontrar a saída. Teseu encoraja os trêmulos companheiros e todos penetram naquele lugar sinistro com o príncipe à frente, desenrolando o fio cuja extremidade fixou na soleira da porta de entrada. Dali a pouco, o grupo de jovens, confundido por corredores sempre idênticos, está completamente perdido no Labirinto. Teseu, cauteloso, pára e vigia os mínimos esconderijos, sempre com a mão no punho da espada que Ariadne lhe deu.
Acordando de repente, o Minotauro salta mugindo sobre o rapaz. mas este está alerta, e sem medo nem hesitação, abate o monstro com um só golpe. Depois, graças ao fio que desenrolara durante a caminhada, Teseu e seus companheiros saem do Labirinto, e Ariadne os conduz ao porto. (...) Ao chegarem à ilha de Naxo, fazem uma escala para reabastecimento, e quando partem, Ariadne, fica adormecida na praia.
Enquanto isso, desde a partida do filho o velho Egeu não teve um único momento de repouso, olhando o mar todos os dias na esperança de avistar o navio com a vela branca, mas quando o barco enfim aparece, está com a vela preta. Certo de que Teseu está morto, o rei desespera-se, quer morrer também, e por isso joga-se ao mar e nele se afoga. Por isso, desde esse tempo o grande mar que banha a Grécia chama-se mar Egeu. Sem saber do suicídio do pai Teseu desembarca radiante de felicidade, mas se entristece quando fica sabendo da trágica notícia. Culpando-se amargamente por sua irresponsabilidade, começa a chorar, e apesar da triunfal acolhida que Atenas lhe dá, ele fica de luto, mas depois compreende que não deve lamentar seu ato de heroísmo, e já que subiu ao trono, só lhe resta ser um bom soberano. É o que tenta fazer, sempre reinando com grande respeito pelas leis e garantindo o bem-estar de seu povo. Sob seu sábio governo, a Grécia conhece a paz, e Atenas, a prosperidade.