Essas divindades helênicas, segundo a tradição, eram filhas de Zeus (ou Júpiter) e Têmis, esta filha do Céu e da Terra, irmã mais velha de Saturno e tia de Zeus (Júpiter). Ela desejava permanecer virgem, mas seu tio (Zeus) a obrigou a se tornar sua segunda esposa, tendo com ela três filhas: a Equidade, a Paz e a Lei. Mas existem alguns que consideram que essa deusa como sendo também e mãe das Horas e das Parcas.
O nome pelo qual essas deusas eram conhecidas - Horas - deriva da palavra grega que designa os espaços do tempo. Seu número e atributos variavam conforme o conceito preciso dado a elas, e por isso podiam representar tanto as horas do dia, como as estações do ano. Na definição de Marcio Pugliesi, professor do Programa de Pós-Graduação em Direito na Pontiíícia Universidade Católica de São Paulo, ”pela palavra Horas eram designadas, primitivamente, as divisões do ano”.
Consideradas aias dos deuses ou dos heróis, e guardas das portas do céu, eram elas que presidiam as estações do ano. Homero dá-lhes o nome de porteiras do céu, porque cabia a elas a responsabilidade pelo cumprimento da tarefa de abrir e fechar as portas eternas do Olimpo. Por outro lado, o poeta grego Hesíodo, que viveu provavelmente no século 8 a.C. nomeia as três como sendo Eunômia, ou boa ordem, Dicéa, ou justiça, e Irene, ou paz, tornando-as, assim, guardiãs das instituições políticas e sociais. Mas, ao que tudo indica, o nome das deusas Horas variava segundo as fontes, pois apesar da indicação feita por Hesíodo, em Atenas elas eram chamadas de Auxô (Crescimento), Thallô (Floração) e Karpô (Fruto).
Inicialmente a mitologia grega conheceu apenas três Horas, ou três estações: a primavera, o verão e o inverno, mas depois se juntaram a elas o outono e o solstício de inverno; por isso duas novas Horas foram criadas, Carpo e Talate, ou Talata, às quais foi confiada a guarda dos frutos e das flores. Mais para frente, quando os gregos dividiram o dia em doze partes iguais, os poetas identificaram doze Horas a serviço de Zeus, e as chamaram de “as doze irmãs”, cujos nomes, além dos de Eunômia, Dicéa e Irene, eram Talo, Carpo, Auxo, Acme, Anatole, Dysis, Dicéia, Eupória, Gymnásia, consideradas guardiãs da ordem natural, do ciclo anual de crescimento da vegetação e das estações climáticas anuais.
Foram essas divindades que se encarregaram da educação de Hera, da qual atrelavam o carro, tendo também a missão de descer aos Infernos para conduzir Adônis a Afrodite (Vênus), de quem cuidavam do toilette. Quanto a esta última deusa, conta-se que logo após o seu nascimento ela foi arrebatada para o céu, em grande pompa, pelas deusas Horas, que presidiam às estações, e todos os deuses a acharam tão formosa, que a designaram deusa do amor, e cada um deles queria desposá-la.
Freqüentemente associadas às Graças, as deusas Horas foram representadas por muitos artistas como dançarinas de tenra juventude, com vestes que só chegavam até os joelhos, e com coroas de palmeiras que se voltam para cima. Diversas cidades prestavam-lhe culto. Na Mitologia Romana tornaram-se alegóricas, representavam as estações e eram consideradas filhas do Sol e da Lua, ou de Cronos, e como tal, em número de doze, personificavam as horas do dia ou da noite.