ASTERÓIDES

Asteróides são objetos sem atmosfera, rochosos e metálicos, que giram ao redor do Sol e cujos tamanhos variam de alguns poucos metros até quase 1000 km (o maior deles, Ceres, tem 980 km de diâmetro). São conhecidos dezesseis asteróides com diâmetro superior a 240 km, mas até hoje só três deles foram fotografados de perto, permitindo a observação de detalhes. A foto do asteróide Ida (ilustração), obtida pela sonda espacial Galileu, em agosto de 1993, a 3.000 km de distância, mostra o grande número de crateras na sua superfície, devido a impactos sofridos com corpos menores. Ida tem 56 km de comprimento.

 

As inúmeras crateras existentes na superfície da Terra, algumas com quilômetros de diâmetro, também são oriundas de colisões com asteróides. Para reconhecermos a possibilidade da ocorrência de catástrofes provenientes dessas colisões, basta lembrar que há 65 milhões de anos o que se imagina ter sido um asteróide com 15 quilômetros de diâmetro caiu sobre a atual península de Yucatán, no México, a uma velocidade de 20 quilômetros por segundo. A explosão e o desequilíbrio ecológico que se sucederam destruíram 70% das espécies de seres vivos que havia então, e puseram fim a 150 milhões de anos de domínio dos dinossauros sobre a Terra. No lugar do impacto abriu-se uma cratera de 170 quilômetros de extensão. Em 1908, um asteróide de aproximadamente 50 metros de diâmetro teria explodido no ar sobre o rio Tunguska, na Sibéria, devastando mais de 2.000 quilômetros quadrados de densa floresta.

 

Para um corpo celeste colidir com a Terra é necessário que ele cruze a órbita do nosso planeta. Estima-se que existam cerca de dois mil asteróides e cometas cujas órbitas cruzam a da Terra; mas deles apenas duzentos são conhecidos e constantemente monitorados. Daí se poder assegurar que nenhum dos objetos atualmente conhecidos cairá na Terra nos próximos 100 anos, embora não se possa afastar a possibilidade de que amanhã se descubra algum corpo celeste viajando pelo espaço diretamente em nossa direção. Mas se isso vier a acontecer, um possível impacto só viria a ocorrer daqui a algumas dezenas de anos.

 

O número desses corpos no sistema solar diminui muito na medida em que seus tamanhos aumentam. Ou seja: existem muitos corpos pequenos e poucos corpos grandes. Isso faz com que a probabilidade de colisões desses asteróides de maior tamanho com nosso planeta também seja menor, não se podendo deixar de lado, porém, o fato de que devido a grande velocidade desses corpos, a queda de um deles na Terra, mesmo sendo um dos considerados pequenos, poderá liberar uma quantidade muito grande de energia. Esse impacto é avaliado da seguinte maneira:

 

 - Ao colidirem com a Terra, objetos de 10 a 30 metros de diâmetro seriam capazes de liberar uma energia de 3 a 1.000 megatons, equivalente a centenas de bombas de Hiroshima (estima-se que corpos desse tamanho se choquem com a Terra em intervalos que variam de 1 a 100 anos).

 

- Já os que têm entre 30 e 200 metros de diâmetro liberariam uma energia de 1.000 a 10.000 megatons (o intervalo das quedas varia entre 100 a 10.000 anos). O asteróide que caiu em Tunguska no início do século 20, se encontra nessa faixa de tamanho.

 

- Objetos de 200 metros a 2 quilômetros de diâmetro liberariam uma energia de 10.000 a 100.000 megatons (freqüência de queda entre 10.000 a 1 milhão de anos). Eles seriam capazes de devastar áreas equivalentes a um continente.

 

- Objetos de 2 a 10 quilômetros de diâmetro liberariam uma energia de 100 mil a 1 milhão de megatons (freqüência de 1 milhão a 100 milhões de anos). O asteróide que provocou a extinção dos dinossauros se encontra dentro dessa faixa de tamanho.

 

- Objetos com mais de 10 quilômetros de diâmetro seriam capazes de extinguir a vida em nosso planeta e devem cair na Terra com uma freqüência de 100 milhões a 1 bilhão de anos.

 

Os asteróides estão concentrados em uma órbita cuja distância média do Sol varia de 2,17 a 3,3 unidades astronômicas (cada uma delas tem 149.597.870,691km), entre as órbitas de Marte e Júpiter, na região conhecida como Cinturão de Asteróides (ilustração). Dentro dele existem faixas praticamente vazias (são as chamadas Lacunas de Kirkwood), que correspondem a zonas onde a atração gravitacional de Júpiter impede a permanência de qualquer corpo celeste. Alguns deles, no entanto, descrevem órbitas muito excêntricas, aproximando-se periodicamente dos planetas Terra, Vênus e, provavelmente, Mercúrio. Os astrônomos também acreditam que se não fosse pela força gravitacional que o planeta gigante Júpiter exerce, os planetas internos seriam constantemente bombardeados por grandes asteróides. Sendo assim, a presença de Júpiter impede, na verdade, que Mercúrio, Vênus, Terra e Marte sofram repetidas colisões com eles.

 

Existem previsões de que por volta de 2030 um asteróide que está se deslocando pelo sistema solar poderá passar bem perto da Terra (a menos de 50 mil quilômetros, bem mais próximo, portando, que a Lua, cuja distância mínima do nosso planeta é de 364 mil quilômetros), e por essa razão cientistas do mundo inteiro estão monitorando seu avanço, estudando, inclusive, uma maneira de colocá-lo em nova direção. Descoberto em 2004, e batizado com o nome de Apophis, ele tem cerca de 320 metros de largura (praticamente uma montanha viajando pelo espaço), e representa um risco relativamente pequeno. Mas como sua trajetória pode ser modificada pela gravidade terrestre, aumentando assim o risco de colisão, os cientistas já estão estudando a melhor forma de afastar esse perigo.

 

No dia 03 de julho de 2006 os jornais noticiaram que um asteróide de grandes dimensões passou perto da Terra naquela madrugada, a cerca de 435 mil quilômetros de distância. Os cientistas acreditam que o XP14 (essa a sua identificação), com 600 metros de diâmetro, esteja entre os maiores asteróides que se aproximaram do nosso planeta nos últimos anos, e prevêem que ele ainda terá mais dez encontros com a Terra neste século, embora nenhum deles represente uma ameaça.

 

Cientistas de vários países estão trabalhando na elaboração de um catálogo desses corpos com mais de um quilômetro de diâmetro. Geofísicos russos calcularam que, se um asteróide de dez quilômetros de diâmetro caísse na Terra, os maremotos provocados pelo impacto acabariam com todas as formas de vida no planeta.

 

Fonte: UFMG – Observatório Astronômico Frei Rosário – Serra da Piedade - Caeté - Prof. Renato Las Casas e Divina Mourão (31/08/98)