TUBARÃO - Máquina assassina

Tubarão é o nome comum que se dá a várias espécies de peixes encontradas em todos os mares da Terra. Esses representantes da fauna marinha alcançaram seu estado atual de evolução há nada menos que 63 milhões de anos, tornando-se, ao longo de todo esse tempo, caçadores extremamente competentes, de tal forma que podem ouvir e localizar com absoluta precisão, a até 1.600 metros de distância, os sons de baixa freqüência provocados pela agitação de um peixe se debatendo na água.

 

Considerados como os maiores e mais temidos assassinos marinhos que existem, esses grandes predadores também farejam pequenas concentrações de sangue ou outros fluídos corporais distantes cerca de 400 metros, ou mais, seguindo o cheiro até a sua fonte. Utilizando os detectores que possui ao longo das laterais do corpo, o tubarão compara diferenças mínimas no fluxo da corrente marinha e nada em direção a elas, para localizar sua vítima. Dono de uma visão cerca de dez vezes mais sensível à luz fraca que a dos homens, ele pode ver, mesmo na escuridão quase absoluta, os menores movimentos feitos pela presa a oito metros de distância, podendo desativar seu sistema de adaptação ao escuro quando está se dirigindo rapidamente para a superfície, acostumando-se instantaneamente à claridade. Mas ao aproximar-se para o ataque, o tubarão nada quase cego, pois dependendo da espécie, seus olhos são cobertos por uma membrana ou desaparecem nas órbitas, como forma de proteção contra barbatanas ou garras afiadas.

 

Nesse momento, a sua capacidade de detectar atividade elétrica através de receptores no focinho permite ao tubarão perceber insignificantes correntes causadas pela contração muscular no corpo da vítima (como a batida de um coração, por exemplo), e se guiar por elas em direção à presa, a uma velocidade que pode alcançar os 25 quilômetros por hora. Isso talvez explique porque vez ou outra os tubarões investem contra os barcos: na verdade, eles não buscam seus ocupantes, mas são atraídos pelas fracas correntes elétricas produzidas pelas peças de metal imersas na água. Em resposta a esse estímulo os tubarões reagem instantaneamente, abrindo suas mandíbulas a atacando a fonte dos sinais.

 

Segundo Otto Fazzano Gadig, pesquisador e professor do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), “são conhecidas pouco mais de 450 espécies diferentes de tubarão. O público em geral pode achar que esse número é muito alto, pois geralmente se imagina que existem poucas espécies, as quais seriam conhecidas justamente por morder e atacar as pessoas, como o -tubarão-branco, o tubarão cabeça-chata e o tubarão-tigre, considerados como os que mais atacam seres humanos. O tubarão cabeça-chata e o tubarão-tigre são espécies que atacam nas regiões tropicais, enquanto o tubarão-branco prefere águas frias. Estes são, sem dúvida, os que representam maior perigo para os surfistas, banhistas, mergulhadores, etc. Existem ainda mais umas seis ou sete espécies diferentes que, eventualmente, envolvem-se em acidentes, que são de menor gravidade”.


Das mais de quatrocentas espécies que habitam os oceanos, as mais conhecidas são o tubarão-branco, tubarão-martelo, tubarão-tigre, tubarão-touro, tubarão-baleia e cação-leopardo. Deles, o tubarão branco é o mais perigoso: individualista, instável, pesando até quase duas toneladas e com comprimento que pode chegar aos oito metros, ele se vale das centenas de sensores elétricos dispostos na parte frontal do corpo para captar até mesmo as batidas cardíacas de um outro animal distante e avaliar, pelo ritmo das pulsações, se a vítima potencial está assustada ou tensa, situação em que pode ser dominada com mais facilidade.

 

A natureza o dotou de uma mandíbula móvel que lhe permite projetar a boca para fora da face, aumentando o tamanho da sua mordida para perto de metro e meio, quase o suficiente para engolir um homem em pé. Para fazer isso ele primeiramente ergue o nariz num ângulo de 40 graus em relação ao próprio corpo, e em seguida abaixa a mandíbula inferior e desloca para frente a gengiva superior, abrindo, então, uma bocarra da qual as vítimas não conseguem escapar.

 

Os tubarões exercem duas funções importantes no ambiente marinho: como predadores situados no topo da cadeia alimentar, mantêm o controlo populacional das suas presas habituais e são um instrumento da seleção natural ao se alimentarem dos mais lentos e mais fracos. Por outro lado, quando consomem animais e peixes doentes, feridos ou mortos, contribuem para a manutenção da salubridade dos oceanos. Embora possuam um sistema imunológico primitivo, apresentam baixa incidência de doenças e raramente contraem infecção após ferimentos graves.

 

Em Ciência Hoje das Crianças, Pedro Gomes Ribeiro publica matéria (08.06.04) que trata dos ataques de tubarões a seres humanos, em praias de Recife, Pernambuco. O autor do texto informa que “(...) as espécies de tubarão que vivem perto da praia, e que antes tinham comida à disposição, agora não têm mais tanto alimento assim. Segundo os cientistas, isso aconteceu provavelmente por conta da construção do Porto de Suape. Durante as obras, foi preciso destruir mangues e rios das redondezas - explica Otto Bismarck Gadig, professor da Universidade Estadual Paulista e especialista em tubarões. Isso afetou o ecossistema de tal jeito que esses animais ficaram sem muita comida disponível e, também, sem lugar para ter seus filhotes”. “(...) Como nós, seres humanos, não fazemos parte da alimentação dos tubarões, os cientistas levantam duas hipóteses, ainda não comprovadas, para explicar os ataques registrados na capital de Pernambuco. - Imagina-se que, por terem dificuldade em encontrar comida, os tubarões possam estar atacando pessoas como uma nova opção de alimento - conta Otto Bismarck Gadig. Outra explicação dada sugere que os tubarões atacam o homem porque o confundem com suas presas: peixes grandes, tartarugas marinhas, raias, focas etc. Isso, no entanto, também não está provado”.