FADAS

As fadas são descritas como entes sobrenaturais imaginários, do sexo feminino, quase divindade, às quais se atribuía o poder mágico de fazer milagres ou maravilhas, de predizer o futuro, de causar ou provocar o bem ou o mal, de encantar, transformar ou seduzir o que bem lhe aprouvesse. Na imaginação dos humanos, algumas tinham asas de borboleta e costumavam trazer consigo uma varinha chamada de condão, com a qual conseguiam produzir efeitos prodigiosos e inexplicáveis.

 

Tanto na Europa como na Ásia, diferentes povos acreditaram em entes fantásticos iguais às fadas, tornando-se difícil determinar a origem de tal concepção. Supõe-se que a própria idéia do fado, ou fatalidade, destino misterioso e inflexível, tivesse sido desdobrada numa série de entes quase divinos, geralmente invisíveis, mas que se materializariam em determinados momentos, ora para defender e aconselhar os seres humanos, seus protegidos, ora para causar os mais diversos malefícios a outros homens.

 

As Parcas foram designadas pelos gregos e romanos da antiguidade como Tria Fata, encontradas com freqüência nas obras de Virgílio, Horácio e outros poetas, mas além dessas três divindades do destino os romanos acreditavam em muitas outras, geralmente benfazejas. Essa crença desenvolveu-se ao extremo na Idade Média, com larga repercussão no folclore de muitos países, como entre os povos nórdicos, por exemplo, que acreditavam em numerosas fadas disseminadas pelas florestas, rios, lagos, montanhas, etc.

 

Os romances de cavalaria aludem em muitas passagens ao poder milagroso das fadas, mesclando fatos da tradição popular, e mesmo da mitologia, a elementos relacionados com a vida dos santos católicos. Em muitos países, os grandes poetas do Renascimento referiram-se a elas com freqüência, o mesmo acontecendo nos contos das Mil e uma Noites e em outras histórias orientais, da mesma forma como em óperas e operetas, que transmitindo fatos de tradição popular, também faziam-nas aparecer em cena. Além disso, até hoje as crianças deliciam-se com as histórias dessas criaturas fantásticas contadas por Charles Perrault, Irmãos Grimm, Hans Christian Andersen e outros.

 

Na cultura popular, muitas fadas se tornaram famosas, como Lorelei, ou Lurlei, que segundo a mitologia germânica habitava uma rocha na margem direita do rio Reno, próximo a Bingen, e que inspirou algumas obras de Heinrich Heine (1797-1856) e outros poetas, bem como peças musicais de Felix Mendelsshon (1809-1847) e Franz Lachner (1802-1890). Ou Melusina, que na lenda francesa era mostrada como ninfa das águas, cuja mãe, uma fada, lhe havia dado o poder de ter, em todos os sábados, a extremidade inferior do corpo em forma de serpente.  Ou, ainda, a fada Morgana, personagem mitológica celta que apareceu nos primeiros séculos da Idade Média, mas somente introduzida na literatura no início do século 12 (1135), por Godofredo de Monmouth, em Vida de Merlim.  Segundo a lenda, Morgana reinava na Ilha da Felicidade e possuía o dom de curas milagrosas. Foi ela que recolheu o rei Artur depois de sua derrota, curou-o dos seus ferimentos e conservou-o em sua companhia. Ou, ainda, de Viviana, fada cuja aparição data do ciclo de romances do tempo do rei Artur. Ela foi amante do mago Merlim, raptou o cavaleiro Lancelote e educou-o em seu palácio às margens de um lago encantado, ou imerso no mesmo, recebendo, por isso, o nome de Senhora do Lago. 

 

A apresentação do livro Fadas, Duendes e Gnomos – O Mundo Invisível, de Gilberto Schoereder (Editora Hemus, 1977), diz que "Os mundos invisíveis existem e a relação dos seres humanos com esses mundos é, talvez, a mais antiga de que se tem notícia. As histórias a esse respeito são em número impressionante. Lendas sobre o que existe nesses mundos, contos sobre os seres que nele residem e que, por vezes, manifestam-se em nosso universo, assustando ou maravilhando as pessoas. Fadas, duendes, dragões, fantasmas ou sacis, vivem à nossa volta e dentro de nós, na literatura, no cinema, nos sonhos ou em mundos paralelos. São seres com uma visão muito nítida do que é bom e do que é ruim para seus mundos e não é má idéia prestar um pouco mais de atenção ao que têm a nos contar".

 

Luís Fernando Veríssimo, consagrado escritor brasileiro, também já se manifestou a respeito dessas criaturas sobrenaturais. Em Conto de Fadas para as mulheres do século 21, diz ele que:

 

“Era uma vez.... numa terra muito distante... uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima que se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas".

 

Então a rã pulou para o seu colo e disse:

 

- "Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e seríamos felizes para sempre"...

 

"Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava...

 

- Nem morta!”.