Existem várias versões explicando a existência do lobisomem porque a crença nesse ser fantástico sobrevive em muitos países, sobretudo em meio às populações rurais. A mais antiga de todas esclarece que tal mito nasceu na Europa, onde se acreditava que o oitavo filho de um casal, depois de sete gestações seguidas em que haviam nascido somente meninas, estaria destinado a se transformar em lobo nas sextas-feiras de lua cheia, sempre à meia-noite.
Outra diz que o mesmo acontece com o filho de mulher amancebada com padre, e que essa transformação ocorre na noite imediata ao seu aniversário de 13 anos, quando o menino sai de casa, procura uma encruzilhada e lá se transforma em lobisomem pela primeira vez. Daí em diante, em todas as terças ou sextas-feiras ele corre pelas ruas e estradas desertas uivando de forma horripilante. Uma terceira hipótese assevera que em noites de lua cheia o sétimo filho homem de um sétimo filho homem se transmudará nessa criatura fantástica que sai à procura de sangue em caçada noturna cuja duração se prolonga até o amanhecer, momento em que ela procura um cemitério para voltar a ser homem. Em algumas regiões acredita-se que o lobisomem tenha preferência por bebês não batizados, o que faz com que as famílias levem suas crianças à igreja o mais rapidamente possível, para que recebam esse sacramento.
A lenda sobre essa figura estranha chegou ao Brasil com os portugueses, e daí em diante foi ganhando tanta força que ainda hoje existe quem aceite a idéia de que alguns homens possam se transformar nesse tipo de animal. No Nordeste não é difícil encontrar-se quem acredite na possibilidade dos doentes de amarelão se transformarem em lobisomens de orelhas enormes, aparecendo com suas roupas vestidas pelo avesso. A descrição mais comum desse ser fantástico é a de que ele é metade homem, metade lobo, de estatura média, tendo seu corpo coberto de pêlos, as unhas enormes, os dentes grandes, focinho e rabo. Normalmente ele anda de quatro, mas pode manter-se de pé sobre duas patas, como se fosse um ser humano. Comportando-se como um lobo verdadeiro (chegando até a uivar), o lobisomem costuma atacar as pessoas que encontra, e por ser muito veloz torna a fuga da vítima praticamente impossível. Seu período de atividade termina com o nascer do sol, quando ele retorna ao lugar de onde partiu e se transforma novamente em homem.
Os relatos existentes sobre lobisomens nos dão conta de que eles desarmam com facilidade qualquer um que os ataque armado de facão, porrete ou coisa parecida. Porém, como têm as unhas grandes, tornam-se alvos fáceis para pequenas armas brancas como facas, punhais ou canivetes, pois não conseguem pegá-las. Daí não ser difícil matar um lobisomem, mas se o autor dessa façanha quiser que ele morra com essa aparência, deve dizer que matou um bicho; mas se desejar conhecer sua verdadeira identidade, é melhor dizer que matou um homem. Para quebrar o encanto do lobisomem é preciso chegar bem perto dele e bater em sua cabeça, ou então usar bala de revólver untada com cera de vela que ardeu em três missas de domingo ou na missa do galo, na meia-noite do Natal. Mas com cuidado, porque se uma gota de seu sangue atingir a pessoa, ela também ficará como ele. Um lembrete: quem por infelicidade estiver no caminho do lobisomem durante suas andanças noturnas, deverá rezar três Aves Maria para se livrar de qualquer azar.
No folclore a palavra licantropia designa a capacidade ou maldição caída sobre um homem que se transforma em lobo, mas na medicina, essa é a designação dada a um tipo de alienação em que o indivíduo imagina estar transformado nesse mesmo animal. Alguns relatos sobre esse distúrbio mental esclarecem que os licantropos têm um perfil físico característico, como sobrancelhas espessas, dedo médio comprido e unhas longas e avermelhadas, além de serem amantes da noite e admiradores da solidão, vivendo quase sempre em estado de profunda melancolia.