O mito da Loira do Banheiro é conhecido em quase todo o Brasil, sendo relatado de inúmeras maneiras não só pelos que dizem já ter vivido a experiência de um encontro imprevisto e indesejável com essa criatura fantástica, mas também por aqueles que ouviram a narrativa da boca de quem afirma ter visualizado, algum dia, essa aparição nada tranqüilizadora. Por isso mesmo, os locais onde a referida criatura fantástica aparece são os mais variados, neles incluindo-se as escolas ou hospitais, os centros comerciais ou restaurantes, as estradas de rodagem ou ruas de qualquer cidade.
Os motoristas de caminhão geralmente dão notícia do surgimento dessa visão em banheiros dos postos de abastecimento de combustível instalados às margens das estradas de maior movimento, e todos eles relatam que a mulher que lhes aparece quase sempre está de costas, mas qualquer um percebe que seu corpo é bonito, suas pernas bem feitas, e o cabelo liso e comprido, além de brilhante, mas sem ter cor definida. Porém, quando ela se volta e fica de frente para o infeliz que a está vendo, mostra-lhe um rosto ferido, ensangüentado e contraído pelo medo de alguma coisa, dando assim um grande susto no pobre coitado que a essa altura certamente espera por tudo, menos por isso.
Essa lenda urbana contemporânea ocorre com pequenas modificações em todas as regiões do país, razão pela qual é conhecida por muitos nomes assemelhados: Loira do Banheiro em alguns lugares; Loira Fantasma, em outros; Big Loira, Menina do Algodão ou simplesmente Loira, em certas cidades, e assim por diante. Tanto pode ser uma mocinha na flor da idade, como uma mulher já feita, casada ou não, mas suas aparições acontecem invariavelmente em banheiros públicos, na forma de uma figura feminina com vasta cabeleira loura, a cor do rosto muito pálida, os olhos encovados e marcados por largas olheiras negras, trazendo as narinas tampadas com chumaços de algodão, como se estivesse querendo evitar corrimento de sangue.
De forma geral, comenta-se que a loira do banheiro, como o próprio nome indica, vive nos banheiros das escolas, e a explicação de sua preferência pelos chamados WC’s é a de que se trata do espírito de uma aluna que gostava de matar as aulas, e para fazer isso usava como esconderijo os cubículos existentes nesses salões sanitários femininos. Certo dia, diz a lenda, ela escorregou no chão molhado, bateu com a cabeça em alguma quina, fraturou o crânio e morreu ali mesmo, sem que a pudessem socorrer. Mas inconformada com o fim trágico e prematuro que tivera em vida, sua alma teima em não tomar o caminho que lhe é destinado, e por isso permanece por ali, aguardando ou desejando não se sabe o quê. Em outra versão, trata-se de uma professora que ao se encher de amores por um dos seus alunos, afastou-se do marido traído, que enciumado e encolerizado a matou a facadas em um dos banheiros da escola onde ela lecionava. A partir de então, a professorinha vitimada pelos desatinos do amor aparece aos estudantes que a qualquer hora procuram satisfazer suas necessidades fisiológicas, mostrando-lhes, sempre, seu corpo ensangüentado e suas roupas em frangalhos.
Muitos acreditam que o espírito da loira do banheiro pode ser invocado por qualquer um que estiver disposto a encará-lo, bastando, para isso, que o corajoso aperte o botão da caixa de descarga por três vezes seguidas, ou então chute com força algum vaso sanitário, para que na mesma hora a figura sobrenatural apareça pronta para atormentar o primeiro que entrar no cômodo. Por isso a recomendação expressa de quem entende desses assuntos: nunca acione a descarga por três vezes, nem tampouco chute a privada para descarregar suas tensões particulares ou colegiais, porque tal procedimento poderá colocar à sua frente a criatura fantasmagórica e terrivelmente assustadora.