MULHER DA MEIA-NOITE

Essa figura se trata, na verdade, de um mito praticamente universal, já que ocorre tanto na Europa, como nas três Américas. No Brasil, seus nomes mais comuns são Mulher de Branco, Dama de Branco, Fantasma da Estrada, Dama de Vermelho, e Mulher das Duas Cores, enquanto no México ela é indicada como La Lhorona, ou como Paquita Munõz, na região dos Andes, e La Sayona, na Venezuela. Existem relatos de que em Minas Gerais e São Paulo ela sempre aparece vestida com roupas combinando duas cores, como branco e preto, vermelho e azul ou azul e amarelo. Como bem diz seu nome, a mulher da meia-noite costuma surgir antes desse horário e desaparece quando os relógios marcam a vigésima quarta hora do dia, deixando apavorados os que porventura a estejam acompanhando.

 

Diz a lenda que a dama se aproxima de um homem que esteja bebendo sozinho em um bar, senta-se à mesa, serve-se da bebida e logo o convida a ir até sua casa, o que ele normalmente aceita de imediato, diante da beleza da moça. Só quando eles param diante de um muro alto e ela avisa “é aqui que eu moro” , desaparecendo em seguida, é que o coitado percebe estar diante de um cemitério. Em outras oportunidades, a moça pega carona em alguma estrada pouco movimentada, pede ao motorista que a leve até onde mora, e ele se apavora quando ao encostar seu carro defronte ao portão de entrada do campo-santo, sua passageira pergunta: “eu moro aqui. Vamos entrar?”, sumindo em seguida. Em ambos os casos, isso acontece quando os relógios marcam a meia-noite.

 

Uma explicação para essa superstição garante que a mulher é uma alma penada vagando pelo mundo sem saber que sua vida terrena já acabou, enquanto outra versão sustenta que se trata do fantasma de uma jovem assassinada que vaga sem rumo desde o dia do crime. Muitos, porém, acreditam que a aparição é a alma de uma noiva morta por atropelamento numa noite de sexta-feira, quando se dirigia para a igreja momentos antes do casamento, e por isso sempre volta à estrada pedindo carona, vestida como se estivesse indo para o casório a que não compareceu. Já a justificação mexicana é a de que La Lhorona se trata de uma mulher que afogou os dois filhos e depois se suicidou. Desde então ela vaga pelas estradas com um bebê no colo, pedindo carona, mas basta entrar no carro para que o motorista perceba tratar-se de um fantasma, já que seu rosto é o de uma caveira. Ou então fica zanzando pela beira dos rios em buscas das crianças, enquanto chora e geme sem parar.

 

Seja como for, o fato é que existe em todo o mundo a crença na figura de uma mulher fantástica que não faz nenhum mal aos indivíduos que com ela se encontram, porque os numerosos relatos a esse respeito procedem de vários locais, em diferentes países. Isso permite imaginar que quando apenas uma pessoa alega ter visto o que lhe pareceu ser um espírito, é bem possível que ela tenha sido vítima de alucinações, probabilidade que diminui de forma significativa diante de várias testemunhas dando depoimento assemelhado, e praticamente desaparece quando dezenas de homens ou mulheres dizem praticamente a mesma coisa sobre a aparição. É aquela velha história do eu não acredito em fantasmas, mas que eles existem... existem!


Muito já se escreveu sobre a presença de assombrações em estradas e rodovias. Essas ocorrências, segundo alguns textos, podem ser classificadas em dois grupos distintos: o do acidente fantasma, que acontece quando um carro atropela alguém na estrada, e o motorista, ao sair do automóvel para socorrer a vítima, descobre que não há nenhum corpo no local; e o da chamada síndrome do carona fantasma, circunstância em que um fantasma pede carona a alguém, entra no veículo, conversa amigavelmente com o motorista, e desaparece de repente. Histórias iguais a essas são contadas aos milhares em todo o mundo, mas como não existe nenhuma explicação racional para os fatos, o mínimo que se pode dizer é que nessas horas a imaginação dos homens vai longe, bem longe...