VAMPIROS

Vampiro é um ente fantástico que a superstição popular acredita sair das sepulturas para sugar o sangue dos indivíduos vivos, especialmente das crianças. Essa crença é muito antiga, porque as lendas sobre as temidas criaturas que supostamente se alimentam de sangue, vêm de tempos que antecederam o cristianismo, originárias do Oriente e incorporadas aos receios e medos dos europeus através dos povos eslavos ocidentais que ocupavam as montanhas dos Cárpatos, na Europa central. Não é à toa, portanto, que a história do terrível conde Vlad Drácula (1431/1474) - que se tornou conhecido como o mais famoso dos vampiros graças às obras escritas pelo irlandês Abraham “Bram” Stocker (1847/1912),  e editadas a partir de 1897 - tenha se originado na Transilvânia, região histórica da moderna Romênia.

 

Em 1764 o escritor francês Voltaire (1694/1778), escreveu Dicionário Filosófico, e nele inseriu uma longa entrada sobre vampiros, definindo-os como “corpos que saem das suas campas de noite para sugar o sangue dos vivos, nos seus pescoços ou estômagos, regressando depois aos seus cemitérios”. Acreditava-se, naquela época, que esses entes malignos dormiam em seus caixões durante o dia porque a luminosidade do Sol era letal para eles. Mas como podiam assumir a forma de morcego (o que os tornava ainda mais perigosos e difíceis de capturar), faziam isso e saíam por volta da meia-noite, para saciar sua sede de sangue. Eles entravam por alguma janela que estivesse aberta, mordiam no pescoço a infeliz e descuidada criatura mergulhada em sono profundo, sugavam todo o seu sangue e depois se iam satisfeitos, em busca do merecido repouso. Por essa razão eram temidos pela população, não só porque as vítimas, depois de mortas, retornavam ao mundo dos vivos como novos vampiros, mas também em virtude da idéia predominante de que eles eram quase imortais, só podendo ser aniquilados com uma estaca cravada no coração, decapitados, ou então tendo o seu sangue queimado. Mas quem ousaria fazer isso?

 

Os vampiros têm aparições antiqüíssimas na mitologia de muitos países, onde surgem como filhos de Lilith, um demônio feminino da noite que se originou na antiga Mesopotâmia e era associada ao vento, daí porque se pensava ser ela portadora de mal-estares, de doenças e mesmo da morte. Para os antigos hebreus, aprisionados e reduzidos à servidão na Babilônia, Lilith era demoníaca, e foi dela que surgiram as lendas vampíricas. Dizia-se que tinha 100 filhos por dia, súcubus quando mulheres e incubus no caso dos homens, alimentando-se estes de sangue humano e da energia despendida no ato sexual. Segundo relatos católicos medievais, uma particularidade interessante sobre essa deusa do mal era a sua habilidade em cortar com a vagina o pênis do coitado que deitava com ela.

 

Além de Lilith, a crença em vampiros originou um sem número de outras lendas a respeito dos chupadores de sangue, criaturas sobrenaturais como Lamia, rainha da Líbia, que segundo a mitologia grega teve muitos filhos de Zeus, o deus maior. Sabedora do que acontecia, e não suportando os ciúmes, a deusa Hera, esposa do infiel, vingou-se matando todos os filhos da soberana e privando-a do poder de fechar os olhos, para que jamais pudesse esquecer a visão dos filhos mortos, mas Zeus, apiedando-se do seu sofrimento, permitiu-lhe remover e recolocar os olhos quando quisesse. Não podendo desforrar-se diretamente de Hera, a rainha Lâmia refugiou-se em uma caverna e passou a atacar os filhos de mães humanas, bebendo o sangue das crianças.

 

Ao longo dos séculos foram feitos muitos registros sobre esses entes sinistros, como os que falavam dos Asanbosam, na África, vampiros com dentes de ferro, que se penduravam nas árvores pelos pés e atacavam quem passasse por perto; do Camazota dos antigos maias, um deus da agricultura que morava em cavernas de onde saía para atacar pessoas e sugar o seu sangue; dos Loogarroo, no Haiti, mulheres velhas que tinham pactuado com o demônio, que em troca dos poderes mágicos que lhes dava, exigia um pouco de sangue fresco todas as noites; dos Krvopijac búlgaros, vampiros também conhecidos como Obours, parecidos com vampiros normais, mas com apenas uma narina e a língua longa e pontiaguda; das Moslem, cobras vampiras, da Iugoslávia; das Empusas, conhecidas na Grécia e em Roma, lindas mulheres que atraíam homens para matá-los e alimentar-se deles; das mulheres astecas que morriam ao dar à luz, atacavam crianças à noite, deixando-as paralisadas ou doentes, além de outros mais.

 

Há algum tempo, em www.redeglobo.globo.com  publicou-se o texto intitulado Quem Acredita em Vampiros?, que dizia:

 

“Disse o filósofo iluminista Jean Jacques Rousseau, em uma carta ao Arcebispo de Paris: ‘Se alguma vez existiu no mundo uma história provada e digna de crédito, é a dos Vampiros. (...) Não falta nada: autos, certificados de homens notáveis, de cirurgiões, clérigos e juízes. A prova jurídica abarca tudo. Com tudo isto, quem acredita, pois, nos Vampiros?’. Rousseau foi apenas um dos muitos intelectuais, de todas as épocas, que se ocuparam do assunto. No final da Idade Média, os Vampiros eram uma realidade, e foram listados no 'Malleus Maleficarum', uma publicação da Igreja de 1486. Durante muito tempo, este tratado foi a Bíblia dos caçadores de bruxas, divulgando os ensinamentos necessários para evitar Vampiros e outras criaturas do Mal. Tempos depois, Dom Augustin Calmet (1672-1757), monge da Ordem de São Benedito, publicou 'Dissertações sobre a Aparição de Anjos, Demônios e Espíritos, e dos Vampiros da Hungria, Boêmia, Morávia e Silésia', em 1746. Neste trabalho, Dom Calmet descreveu os Vampiros como corpos mortos que ressuscitavam em busca de sangue. Apesar das palavras de figuras ilustres como Rousseau e Calmet, muitos consideram os Vampiros uma ficção pura. Os céticos argumentam que nunca houve um Vampiro, e que a tal ‘epidemia de vampirismo’ na Europa Oriental não passou de um surto de Raiva ou de alguma doença do sangue. Mesmo as características mitológicas dos Vampiros são oriundas dos sintomas dessas doenças, dizem. Muitos doentes de Raiva mordem outras pessoas, sofrem de insônia, hipersensibilidade a estímulos como a luz, reflexos no espelho, água ou odores fortes (como o do alho). Além disso, o sangue de mortos por Raiva leva muito mais tempo para coagular, e pode escorrer da boca após dias de sepultamento!  Acreditando neles ou não, o fato é que a Arte e a História não cansam de nos ensinar como reconhecer um Vampiro, com riqueza de detalhes e muitas versões”.