AUTO DA LIBERDADE

Localizado a 285 quilômetros de Natal, capital do Rio Grande Norte, o município de Mossoró foi fundado em 1852. Conhecida como a Capital da Cultura, a cidade é famosa não só por realizar uma das três maiores festas juninas do Nordeste (as outras duas acontecem em Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco), mas, e principalmente, por ter sido palco de quatro movimentos libertários de extrema importância político-social para a época em que aconteceram:

 

- a abolição de escravos em 1883, cinco anos antes de a princesa Isabel assinar a Lei Áurea.

- o motim das mulheres, rebelião da população feminina da cidade contra o recrutamento masculino para o Exército e a Armada.

- a resistência, em 1927, ao bando de Lampião, o mais famoso cangaceiro do Nordeste.

- e o primeiro voto feminino dado por Celina Guimarães Viana, em 1928, após ter recorrido à Justiça para ter seu nome incluído no rol dos eleitores.

 

Esses grandes momentos da história mossoerense são contados em um espetáculo que tem o nome de Auto da Liberdade, que vem sendo encenado anualmente. No dia 09 de agosto de 2009, o Correio Mossoró, daquela cidade, publicou texto comunicando o encerramento, no dia imediato, das inscrições para participação na nona edição do auto. A nota dizia ainda que “O Auto da Liberdade faz parte do programa da Festa da Liberdade e será encenado em setembro, dias 27, 28 e 29, com 57 atores e participação da comunidade representada por instituições como Maçonaria, Tiro de Guerra, Batalhão de Polícia, grupos de quadrilhas juninas e alunos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), conforme proposta de inclusão social, pela cultura, de crianças e adolescentes carentes”.

 

Cuidando da cobertura jornalística do espetáculo de 2006, quando ele ainda não havia sido encenado, a jornalista Sayonara Amorim escreveu o texto abaixo, que registra com precisão a importância e grandiosidade do evento artístico:

 

"Foi no dia 30 de setembro, a assembléia dos bravos onde ficou decretado: 'Aqui não tem mais escravos'. E em vez de sangue e espada, teve luz, música cantada, discursos, rosas e cravos. Este trecho do texto original de autoria do poeta Crispiniano Neto, descreve exatamente o sentido do espetáculo Auto da Liberdade, cuja edição 2006 estréia amanhã em Mossoró".

 

"Num palco gigantesco, montado na Estação das Artes Elizeu Ventania, o público assistirá, pelo oitavo ano consecutivo, a história do povo de Mossoró na luta por liberdade. O espetáculo é o maior ao ar livre do mundo e, a cada ano, expõe mais brilho e talento de seus atores e brincantes, que somam duas mil pessoas".

 

"Sob a direção do teatrólogo Marcelo Flexa, o Auto da Liberdade 2006 terá significativas novidades, entre elas a expansão do palco montado em quatro níveis, o que permitirá mais mobilidade dos atores e maior beleza visual. Esse novo formato do palco também vai possibilitar acrescentar novos elementos cenográficos ao espetáculo, montado a partir da adaptação do texto do jornalista Crispiniano Neto".

 

"Quarenta vozes farão um coro, e todas as etapas da história serão contadas de forma cantada. Seiscentas crianças e adolescentes, entre estudantes e integrantes do Peti, serão os protagonistas. Outra grande novidade deste ano será uma maior participação da comunidade no espetáculo. 'O Auto da Liberdade é o maior evento que conheço no Brasil a promover inclusão social através da cultura', disse Marcelo Flexa, durante a solenidade de lançamento do evento deste ano".

 

"Como no ano passado, o Auto será encenado por 57 atores dos grupos teatrais da cidade, e dois mil figurantes, pessoas da comunidade, representantes da Marçonaria, Tiro de Guerra 07-010, 2º Batalhão de Polícia Militar, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e alunos de escolas municipais. As crianças do Peti formarão um grupo de dança com 100 componentes, e os alunos das escolas municipais, um coral de 500 vozes".