A Festa do Divino é uma manifestação religiosa que surgiu em terras portuguesas no início do século 14, por iniciativa da rainha Isabel (1271-1336), canonizada pela igreja católica como Santa Isabel, que foi esposa de Dom Dinis (1261-1325), sexto rei de Portugal, poeta e fundador da Universidade de Lisboa, depois transferida para Coimbra. Seu nome refere-se ao Divino Espírito Santo porque a data de sua comemoração, Dia de Pentecostes, celebrado cinqüenta dias após a Páscoa, é a mesma em que os católicos relembram a descida do Espírito Santo sobre os doze apóstolos discípulos de Jesus, e a proclamação solene do Evangelho, feita por São Pedro, quando então a Igreja ficou publicamente constituída.
A literatura histórica diz que a Festa do Divino começou a ser celebrada no Brasil por volta de 1765, trazida pelos jesuítas e portugueses que se haviam localizado principalmente nas áreas em que ocorria a extração de ouro, mas alguns pesquisadores se baseiam em indícios para defender a tese de que sua chegada ao Brasil ocorreu pouco mais de cem anos antes disso, por intermédio de açorianos que entre 1615 e 1625 a trouxeram ao Maranhão. Depois, e ao longo do tempo, ela acabou se transformando em uma das manifestações folclóricas mais ricas do estado, sendo as mais famosas as que acontecem no eixo São Luís - Alcântara. Apesar da origem comum e da pequena distância existente entre as duas cidades, existem algumas diferenças entre as suas comemorações. A Festa do Divino em São Luís está associada não só ao Espírito Santo mas também a outros santos católicos e de casas de culto afro-maranhenses.
A partir daí a devoção ao Espírito Santo espalhou-se rapidamente pelo país, originando em inúmeras cidades interioranas as festas conhecidas por nomes diferentes. A data de sua celebração é móvel porque acontece no sétimo domingo após a Páscoa, em obediência ao calendário eclesiástico, e algumas das mais importantes são as celebradas no Serro e em Diamantina, em Minas Gerais; Salvador e Poções, na Bahia; Pirenópolis e Pilar, em Goiás; São Luis do Paraitinga, em São Paulo, e Parati, no Rio de Janeiro.
As comemorações da Festa do Divino geralmente são iniciadas antes da data marcada, com a reza de novenas e ladainhas. Depois a procissão percorre a cidade pedindo donativos. Antigamente era costume que passasse por uma região inteira mostrando a Bandeira do Divino, mas como isso podia demorar alguns meses, o trajeto foi reduzido e hoje vai de um ponto a outro da cidade. No dia de Pentecostes, ponto alto da festa, o cortejo sai com o imperador, a imperatriz e o restante da corte imperial, além de pessoas representando a Virgem Maria, as qualidades do Espírito Santo, os apóstolos, crianças formando a Roda dos Anjos, bonecos gigantes que são o João Paulino e sua mulher Maria Angu, e a Miota, uma velha fofoqueira. No final, cerca de 24 cavaleiros lutam como se fossem mouros e cristãos.
A Festa do Divino tinha tanta importância para os brasileiros, à época de sua criação, que, segundo contam, determinou a escolha do título de imperador no Brasil, ao invés de rei, porque era àquela denominação que o povo dava mais valor. Discorrendo sobre a origem dessa festa religiosa, a igreja católica de Parati publica em seu site (www.igrejaparati.com.br) o seguinte texto:
"Consta que a festa do Divino Espírito Santo, como se conhece em Parati, foi criada pela Rainha Dona Isabel de Portugal, no ano de 1296, quando convidou o clero, a nobreza e povo para assistirem a Missa de Pentecostes. Naquela ocasião, dentre os pobres que estavam presentes à cerimônia, convidou-se o mais pobre para ocupar o lugar do rei, no trono, na capela-mor. Ali o pobre ajoelhou-se e o bispo colocou-lhe sobre a cabeça a coroa real, enquanto o povo cantava o hino: 'Vinde Espírito Criador'. Depois das solenidades, foi oferecido um bom almoço a todos, servido pela rainha e pelos nobres. Nos anos seguintes, com autorização do rei, mandou-se fazer coroas iguais à coroa do rei e em toda Portugal e colônias, passou a se fazer, no dia de Pentecostes, cerimônias iguais a que ali havia acontecido. Este ato que se repete, através dos séculos, mantém este mesmo significado".
“Alguém é escolhido no meio do povo, para ser o imperador. Não precisa ser rico, nem letrado. Depois da oração, ele exerce suas funções imperiais para mostrar que, qualquer um de nós pode, por mais humilde, simples e pobre, exercer em sua comunidade uma liderança que possa conduzir este povo a uma vida melhor, mais justa, mais digna e cristã! É uma demonstração de que podemos, dentro da comunidade em que vivemos, liderar e conduzir o povo de Deus à convivência fraternal que Jesus pregou ao longo de sua doutrinação e que o Divino Espírito Santo confirmou ao descer sobre os Apóstolos, na Festa de Pentecostes, como nos contam os Atos dos Apóstolos”.