As abelhas estão compreendidas em numerosas famílias, com avultado número de espécies que se distribuem em dois grupos, segundo o modo pelo qual nidificam: abelhas sociais, as que vivem agrupadas em enxames, ou colméias, e abelhas solitárias, as que vivem isoladas.
Elas são encontradas em todo o mundo, sobretudo nas regiões de clima temperado e quente, e já não é fácil distinguir os tipos puros, após os sucessivos cruzamentos a que tem sido submetidas. Varia grandemente de tamanho, existindo no gênero verdadeiros gigantes, como a Apis zonata, das Filipinas, que chega a atingir cerca de 3,5 centímetros, em contraposição à Apis tectacea, do Timor, a menor espécie existente.
As abelhas surgiram há mais ou menos 100 milhões de anos, junto com as flores. Desde então ambas mantêm uma relação de dependência mútua, já que as abelhas encontram nas flores o néctar e o pólen indispensáveis à sua sobrevivência: durante a visita, o pólen de uma flor adere ao corpo da abelha e é levado a outra flor, que assim será fecundada. O néctar produzido pela flor é sugado pela abelha através de uma língua comprida e fina, indo até o papo, onde a ação de enzimas inicia sua transformação em mel. Deste, apenas uma pequena porção poderá eventualmente passar para o verdadeiro estômago da abelha, sendo a maior parte regurgitada na colméia.
Na coleta do pólen a abelha usa, além das mandíbulas, seus três pares de patas providas de escovas e pêlos, nos quais partículas de pólen vão aderindo. Depois esse pó fino é levado em movimentos complexos até as estruturas existentes no seu terceiro par de patas, sendo transportado nesses cestos até o seu destino. Além desses alimentos a abelha também leva água para o cortiço, cuja finalidade é abaixar a temperatura interna do mesmo, além de resinas de plantas que servem para pequenos consertos ou cobrir cadáveres de intrusos.
A colméia é feita com a cera secretada por glândulas especiais do abdome das abelhas, em caixas de madeira, nos apiários, ou em cavidades nas árvores, rochas, galhos, etc. Do teto e dos lados da construção pendem os favos, folhas verticais de cera cobertos de alvéolos (ou células) hexagonais e justapostos, servindo alguns como depósitos de mel ou pólen, e outros de ninho para os ovos. A comunidade que nela habita divide-se em três categorias principais: as fêmeas, os machos (zangões) e as obreiras. Normalmente, apenas uma fêmea, a rainha, põe ovos, que na primavera podem chegar a mais de mil por dia. Embora viva de 3 a 5 anos, ela é fecundada apenas uma vez: uma espermateca, cápsula que o macho transfere para a fêmea durante a cópula, conserva milhões de espermatozóides vivos. Na sua atividade reprodutora a rainha visita as células abertas pelas obreiras e deposita um ovo fecundado em cada uma delas. Após 3 dias nascem as larvas, que depois se transformam em pupas, e ao final de 21 dias as novas abelhas já terão forma e tamanho definitivos.
As obreiras, mais de 50.000 em cada colméia, são fêmeas estéreis, menores que a rainha, e não têm vida sexual: Vivem cerca de seis semanas e sua atividade visa garantir a sobrevivência e crescimento da comunidade, o que realizam dentro de uma organizada divisão de trabalho. Nos seus primeiros dias elas executam a limpeza das células; depois passam a alimentar as larvas; entre o 10º e 16º dia dedicam-se a construção e reparos internos; depois, a receber e armazenar néctar e pólen trazidos por outras obreiras, até que por volta do 20º dia passam a guardar a entrada da colméia, atacando a ferroadas os animais estranhos que se aproximem. Só as fêmeas possuem ferrão, localizado na extremidade posterior do abdome e dotado de uma bolsa de veneno que é expelido sobre o local por ele ferido. Enquanto o ferrão da obreira só pode ser usado uma vez (e quando isso acontece, ela morre cerca de dois dias depois), o da rainha pode ser utilizado mais de uma vez, contra as suas rivais.
Depois de um estágio curto como sentinela, a abelha finalmente sai da colméia e passa a visitar as flores. Suas asas, bem como as seis patas, estão ligadas ao tórax, entre a cabeça e o abdome. São quatro asas delicadas, duas de cada lado, uma anterior e uma posterior. No vôo, pequenos ganchos da asa posterior prendem-se a um sulco da anterior, e assim ligadas podem vibrar até quatrocentas vezes por segundo. As abelhas possuem um complexo sistema circulatório, inclusive coração.
A abelha orienta-se muito bem, conseguindo voltar à colméia depois de voar longas distâncias. Ao encontrar uma boa fonte de alimentos a abelha executará uma dança dentro da colméia. Se essa fonte estiver a menos de 100 metros, a dançarina se movimentará em círculos. Caso a distância seja maior, o percurso da dança terá a forma aproximada de um oito comprido, com a velocidade da dançarina e a inclinação do oito indicando respectivamente a distância e direção da fonte. Como tudo isso é feito no escuro, as obreiras obtêm as informações tocando com as antenas o corpo da dançarina, podendo assim voar corretamente até o local indicado. Suspeita-se, também, que os sons produzidos durante a dança sejam importantes na comunicação.
Na execução de tarefas tão precisas e complexas, a abelha utiliza aperfeiçoados sistemas perceptivos, dos quais os órgãos principais são os olhos e as antenas. Na cabeça, além de três pequenos ocelos (olhos simples), há dois grandes olhos compostos, cada um com milhares de unidades chamadas omatídios. Embora profundamente diferentes dos olhos humanos, eles permitem à abelha distinguir formas, movimentos e algumas cores, bem como a polarização da luz. Na cabeça estão as duas antenas flexíveis e muito ágeis, capazes de fazer movimentos delicados. Com elas a abelha percebe odores e explora pelo tato as superfícies.
No Brasil, a espécie tratada acima, introduzida no século 19, é conhecida como abelha doméstica, européia, abelha-do-reino ou abelha-do-mel. Há também numerosas espécies de abelhas solitárias, que fazem ninhos em buracos no chão. Entre outras sociais, destacam-se as africanas, trazidas para o Brasil em 1956, e já disseminadas por todo o território nacional. Apesar da vantagem de produzirem o triplo de mel das abelhas européias, são mais agressivas, atacando animais e o próprio homem, chegando a matá-lo. As mamangabas sociais não formam enxame, e a rainha finda sozinha a sua colônia. As obreiras dessa espécie têm diversos tamanhos, o que define a divisão de trabalho, e podem usar muitas vezes o ferrão que possuem. As espécies indígenas não usam o ferrão, que é atrofiado. Elas constroem ninhos de diversos tipos: algumas usam barro, outras uma mistura de cera e resina. Aparentemente não usam a dança para comunicar-se, tendo um sistema de odores que utilizam na marcação do caminho.
Fonte: Enciclopédia Abril