Paulista é um município litorâneo do estado de Pernambuco. Localizado ao norte da Região Metropolitana do Recife, capital pernambucana, da qual se encontra afastado cerca de dezessete quilômetros, ele ocupa área territorial de 93,52 quilômetros quadrados e conta com uma população em torno de 320 mil habitantes, segundo estimativa feita pelo IBGE no ano de 2009.
Distrito de Olinda até o ano de 1935, quando foi emancipado, o município de Paulista tem o seu território dividido entre dez distritos, um dos quais é o de Janga, localizado entre pequenos morros e o mar, com extensão litorânea de dez quilômetros, aproximadamente, onde se encontram, em sucessão, as praias da Enseadinha, de Janga, do Pau Amarelo, de Nossa Senhora do Ó e da Conceição.
A de Janga, em particular, que se estende por quatro quilômetros e é marcada pela presença de casas residenciais com seus muros de proteção contra erosão, possui vegetação composta de coqueiros espaçados.
O coqueiro é uma palmeira perene originária do Sudeste Asiático e foi introduzida no Brasil em 1553, pelos portugueses. A planta é considerada uma das árvores mais importantes do mundo porque gera emprego e renda em vários países do globo, onde seus frutos podem ser consumidos in natura ou industrializados na forma de mais de cem produtos e subprodutos. Além disso, sua raiz, caule, inflorescência, folhas e palmito geram diversos subprodutos de interesse econômico, sendo o coqueiro utilizado como planta paisagística para embelezar praças, canteiros públicos, chácaras e fazendas.
Como normalmente acontece nas praias urbanas do nordeste brasileiro, os coqueiros de Janga têm uma destinação decorativa, ou seja, servem mais para embelezar o local aonde se encontram. Mas apesar disso, eles também são coadjuvantes incidentais em uma das muitas lendas pernambucanas: a do palhaço do coqueiro. Segundo se acredita, este indivíduo misterioso aparece naquele trecho da orla marítima em noites de quarto minguante, e acaba assustando algum passante, ou até mesmo matando o infeliz, segundo o dizer de muitos, caso o mesmo não sorria diante de suas palhaçadas.
Diz-se que em certa época o filho de um famoso palhaço de circo desejava seguir a carreira do pai. Mas como lhe faltava um mínimo das qualidades necessárias para desempenhar esse papel, ele tentava, tentava e tentava demonstrar sua capacidade e competência nesse particular, sem jamais convencer aos que poderiam ajudá-lo a iniciar profissionalmente a atividade circense com que tanto sonhava.
Ao que tudo indica, a seqüência dessas tentativas fracassadas foi acumulando neste homem sonhador um profundo desalento, e o peso deste sentimento negativo passou a exercer tamanha influência sobre a mente do pobre coitado que ao final de algum tempo ele não mais suportou a pressão psicológica que sofria e acabou enlouquecendo. E louco como estava, desapareceu sem deixar pistas ou qualquer indicação de para onde tinha se dirigido.
E as coisas ficaram assim até o dia em que começaram a surgir rumores de que nas noites de quarto minguante um indivíduo vestido e maquiado como palhaço subia em um dos coqueiros da praia de Janga e de lá de cima ficava a contemplar a lua com olhar radiante, como se a conversa silenciosa que mantinha com ela estivesse sendo recompensada pelo dourado satélite com os sorrisos que fazem a alegria de qualquer fazedor de graça.
Mas quando nuvens trazidas pelo vento escureciam o céu e impediam a continuidade daquela admiração mútua, o palhaço descia do coqueiro, abordava o primeiro passante que encontrasse, exibia-se para ele, e caso não recebesse de volta os sorrisos que desejava, tornava-se ameaçador e violento, chegando algumas vezes a exceder-se nessas manifestações de desagrado.
Porém, bastava as nuvens se afastarem em outras direções, e a lua minguante voltasse a se mostrar radiosa no céu noturno, permitindo assim que o palhaço pudesse admirá-la novamente, para que ele se encarrapitasse no alto do coqueiro mais próximo, onde se entregava então, sem resistência, ao doce deleite de receber seus sorrisos.