BARATA

Encontrada em todo o mundo, a barata é um inseto de corpo negro ou pardo, mais ou menos escuro, alongado e mole, cujo aparelho bucal está disposto para roer e mastigar. Tendo sofrido poucas mudanças em sua forma ao longo de mais de 300 milhões de anos, ela se reproduz abundantemente por meio de ovos depositados em ninhos ou encerrados em estojos formados por uma secreção que produz, chamada ooteca. Um casal de baratas, no período de um ano, pode gerar até 100 mil descendentes, sendo que nos países tropicais esse número é facilmente ultrapassado. Suas larvas são brancas ao nascer, e levam quatro anos para atingir o desenvolvimento completo, realizando quatro mudas durante esse período. 

 

Sendo um inseto terrestre, mas que pode voar acidentalmente, a barata vive escondida durante todo o dia, fugindo da luz, e somente à noite se movimenta à procura de alimentos, o que faz com facilidade porque possui olhos compostos e muito desenvolvidos. Assim, para cada barata que se vê a luz do dia, existem em média cinqüenta outras escondidas, pois elas passam cerca de 75% do seu tempo de vida abrigadas nos esconderijos. Possuindo um corpo achatado, recoberto por uma dura casca brilhante, a barata se aproveita disso para rastejar sob tábuas do assoalho, ou entre fendas estreitas, procurando locais aquecidos. Outra de suas características é que vive geralmente em grupos que reúnem uma relativa quantidade de exemplares.

 

Assim como aconteceu com o rato doméstico, a barata também descobriu que nas construções habitadas por humanos existe sempre calor artificial e suprimento regular de restos de comida fornecendo condições ideais para sua sobrevivência, e por isso se mudou para lá, onde fixou residência. Como sua boca é adaptada à mastigação, ela se transformou na mais eficiente destruidora  de lixo da natureza, porque sobrevive mastigando matéria orgânica viva ou morta. Mas além disso, outros fatores contribuem para sua permanência nas residências humanas: come praticamente de tudo, inclusive papéis e capas de livros, e como reage rapidamente diante da presença de luz, consegue escapar com relativa facilidade de qualquer perseguição. Mas ela pode viver até 15 dias sem água ou alimento e trinta dias somente com água proveniente da evaporação obtida pela cocção dos alimentos.

 

Muito embora não tenha visão aguçada, a barata compensa essa deficiência com uma grande sensibilidade não só às mudanças de luz e variações das ondas sonoras, detectadas através de pêlos sensitivos existentes em um par de órgãos protuberantes localizados no rabo, como também à sua capacidade de perceber mínimas vibrações no solo, como movimentos inferiores a um milionésimo de milímetro. É isso que lhe permite fugir ao menor sinal de perigo, desaparecendo rapidamente.

 

Das quase 4.000 espécies distintas, apenas 1% são pragas urbanas, e dessas, as mais comuns são a barata de esgoto (Periplaneta americana) e a baratinha de cozinha (Blatella germanica). A primeira habita normalmente os lugares onde existam gordura e matéria orgânica em abundância, como galerias de esgoto, bueiros, caixas de gordura e de inspeção. Já a segunda é de controle mais difícil, pois como convive com o homem há muito tempo, próximo à sua fonte de alimentação, adquiriu resistência a diversos inseticidas. Sua ooteca possui maior número de ovos (em 300 dias, tempo médio de vida, pode gerar até 300 ovos), e suas ninfas se desenvolvem em menor tempo (36 dias para ir do estágio de ovo à adulta). Ela prefere as cozinhas e despensas, abrigando-se em armários, gavetas, interruptores de luz, aparelhos eletrodomésticos, dentro de vãos de batentes, rodapés, sob pias, dutos de fiação elétrica e locais como garagens ou sótãos com depósitos de papel e principalmente caixas de papelão, entres outros.

 

Segundo levantamento recente realizado em São Paulo, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Biológicas, na Grande São Paulo, a relação numérica  entre esses insetos e os seres humanos é de 200 baratas por cada habitante. Como elas são responsáveis por curtos-circuitos e até mesmo incêndios, e disseminadoras de bactérias, fungos, vírus, helmintos e protozoários patogênicos causadores de enfermidades como conjuntivites, diarréias, infecções urinárias, infecções alimentares, gangrena gasosa, infecção de ferimentos, pneumonias, alergias, verminoses, micoses, amebíase, poliomielite, hepatite, e outras, além de suas secreções danificarem as leituras nos discos de computadores, entende-se o por que da necessidade de um controle rigoroso desse inseto. E como não existe produto químico que atue com eficiência na ooteca (na ilustração, ao lado de uma ninfa), esse tratamento deve ser feito de acordo com cronograma previamente estabelecido, para que os novos indivíduos nascidos dos ovos possam ser atingidos.