ABRAÇO DE TAMANDUÁ

O palavra tamanduá, segundo algumas versões, vem do tupi tá-monduá, e significa aquele que caça formigas. Ela designa um animal desdentado encontrado no Brasil em espécies de tamanho variado, sendo que dessas, as mais conhecidas são o tamanduá-bandeira e o tamanduá-mirim, que recebem nomes diferentes conforme a região de seu habitat: tamanduá-açú e tamanduá-cavalo, para o primeiro, e tamanduá-de-colete, melete e mixila para o segundo.

 

Atualmente, várias são as causas que colocam esses animais na lista dos que estão ameaçados de extinção, destacando-se entre elas a destruição de seu habitat natural provocada pelo avanço da agropecuária nas regiões de cerrado, o aumento das populações urbanas, a caça predatória e inconseqüente, e as queimadas criminosas, que lhes são fatais em virtude de seu pêlo ser altamente inflamável.

 

O tamanduá-bandeira mede da ponta do focinho à base da cauda cerca de 1,10m a 1,30m, mas a sua cauda tem comprimento igual ou pouco menor. A pelagem é grosseira como crina e tem, de forma geral, um tom cinzento-enegrecido, sendo mais escura junto às costas onde aparece, na parte superior, uma estreita faixa branca. Sua cabeça é fina e prolongada num focinho em forma de tubo comprido, com uma abertura estreita na extremidade, que é a boca, pela qual se projeta um fio longo e fino, a língua. Suas mãos têm quatro garras, e seus pés, cinco, mas as das mãos se entortam para trás quando ele anda, o que lhe dificulta o caminhar. Já a cauda vistosa costuma ficar erguida durante a marcha do animal, que se alimenta principalmente das quase trinta mil formigas e cupins que consegue capturar diariamente quando enfia dentro dos formigueiros e cupinzeiros sua língua comprida e coberta por pegajosa saliva. Vem daí a importância ecológica do tamanduá, pois essa é uma das formas de que se vale a natureza para controlar a população de formigas e cupins.

 

De forma geral, o tamanduá-bandeira não sobe nas árvores, e como é um animal muito tímido, prefere fugir ao menor sinal de qualquer perigo que possa lhe ameaçar. Mas ao ser atacado, ele imediatamente se apóia nas patas traseiras e se põe de pé, na posição vertical, usando então a força que possui nos braços e nas unhas para agarrar firmemente o adversário e feri-lo profundamente o mais que possa. Freqüentemente perseguido pelas onças que andam pela mata em busca de alimento, o tamanduá-bandeira costuma enfrentá-las de igual para igual, mas o que geralmente ocorre nesses confrontos é que os dois lutadores acabem mortos.

 

Por sua vez, o tamanduá-mirim, que tem o tamanho de um esquilo, é uma criatura vagarosa que passa a maior parte do tempo dormindo em árvores. Porém, quando ameaçado por corujas ou outras aves, ele põe as patas dianteiras na cara e mostra as enormes garras que possui, armas formidáveis capazes de estripar facilmente um cachorro, e que por isso mesmo desencorajam qualquer predador.


O tamanduá se reproduz somente uma vez ao ano, sempre gerando um único filhote que fica nas costas da mãe até os três meses de idade, quando então terá que tratar da própria sobrevivência. Sua longevidade em cativeiro é reduzida pois não tem à sua disposição a quantidade e o tipo de insetos de sua preferência. Alimentando-se mal, fica mais vulnerável.

 

Essas duas espécies de tamanduá têm em comum os braços fortes e garras afiadas, com que dão um abraço quase sempre mortal em qualquer inimigo disposto a enfrentá-los. E quem conhece a sua força e o poder destruidor das unhas que possuem, sabe que são extremamente perigosos, sendo sempre bom que as pessoas abram os olhos e tomem cuidado com eles. Essa situação de perigo escondida em um gesto aparentemente tão cordial como um aperto entre os braços, ensejou a criação da expressão abraço de tamanduá, porque o amplexo de um falso amigo, ou de alguém mal-intencionado, pode trazer conseqüências tão danosas como o que é dado pelo conhecido comedor de formigas. Por isso mesmo, é sempre recomendável ficar de olho vivo quando algum desses indivíduos perigosos estiver por perto.