A mitologia grega ensina que Hipnos, filho de Erebo e da Noite, era o deus do sono, e errava docemente sobre a terra e o mar distribuindo a todos um repouso benéfico e reparador. Os estudiosos da mitologia acreditam que seu palácio ficava numa caverna perto da região onde habitava um povo descrito por Homero, em sua Ilíada, como vivendo numa escuridão perpétua, e considerado por Heródoto, o "pai da História", como os primeiros ocupantes da Rússia Meridional, de onde foram repelidos através do Cáucaso até a Ásia Menor. Ainda segundo alguns estudiosos, "junto à entrada da caverna crescem abundantemente papoulas e outras plantas, de cujo suco a Noite extrai o sono, que espalha sobre a terra escurecida". Entre os filhos de Hipnos estava Morfeu, que tinha a faculdade de revestir de sonhos a imaginação dos homens adormecidos.
O sono, ou adormecimento, é o relaxamento natural dos sentidos. Ele tem uma função importante na mitologia e no folclore dos mais diferentes povos, e a preocupação com o que sucede à pessoa que dorme aparece muito cedo na evolução de cada um desses agrupamentos humanos, dirigindo-se essa preocupação quer para o fenômeno do sonho, quer para o sono, em geral, em que os povos mais primitivos. e mesmo os da antiguidade. viam não apenas uma atividade fisiológica, mas uma das manifestações do sobrenatural na vida cotidiana.
Por isso Hipnos era o deus do sono, e seu filho Morfeu, palavra grega que significa “aquele que forma, que molda”, o principal deus dos sonhos, entidade que entre as suas habilidades tinha a de assumir qualquer forma humana e aparecer nos sonhos de homens e mulheres como se fosse a pessoa amada por eles. Ele foi mencionado no Metamorphoses de Ovídio como um deus vivendo numa cama feita de ébano numa escura caverna decorada com flores. Os outros filhos de Hipnos - Icelus, Phobetor, e Phantasos - também chamados de os Oneiroi, personificavam os sonhos e viviam, segundo a lenda, em uma caverna perto da beira do Hades. Em razão disso, quando a expressão popular "cair nos braços de Morfeu" pretende indicar que alguém vai dormir o sono dos justos, comete um engano mitológico, porque a lenda explica que o responsável por esse estado de repouso é o deus Hipnos, de cujo nome, inclusive, surgiu o prefixo hipno, com o significado de sono, como em hipnose e hipnótico.
A droga morfina tem o seu nome derivado de Morfeus, visto que ela propicia ao usuário sonolência e efeitos semelhantes aos dos sonhos. Entre a farta variedade de drogas de que o homem vem se servindo há milhares de anos, o ópio é uma das mais antigas de que se tem notícia, pois no quarto milênio antes de Cristo os sumérios já o conheciam, bem como os gregos, os egípcios e os árabes. Extraído de diversas espécies de papoula, o ópio contém vinte alcalóides diferentes, sendo a morfina o principal deles. Isolada em 1805 pelo farmacêutico alemão F.W.Setürmer, ela recebeu inicialmente o nome de morphium, em alusão a Morfeu, mas depois essa designação foi alterada para morfina, acompanhando a terminação comum a outros produtos tóxicos, como a estricnina, a cafeína, a atropina e a cocaína.
Publicações médicas esclarecerem que dormir não é apenas uma necessidade de descanso mental e físico, já que durante o sono ocorrem vários processos metabólicos que, se alterados, podem afetar o equilíbrio de todo o organismo a curto, médio e longo prazo. Estudos provam que quem dorme menos do que o necessário tem menor vigor físico, envelhece mais precocemente, está mais propenso a infecções, à obesidade, à hipertensão e ao diabetes. Alguns fatos comprovados por pesquisas podem nos dar uma idéia da importância que tem o sono no nosso desempenho físico e mental. Por exemplo: num estudo realizado pela Universidade de Stanford, EUA, indivíduos que não dormiam durante 19 horas foram submetidos a testes de atenção, constatando-se que eles cometeram mais erros do que pessoas com 0,8 g de álcool no sangue - quantidade equivalente a três doses de uísque. Por outro lado, tomografias computadorizadas do cérebro de jovens privados de sono, mostram redução do metabolismo nas regiões frontais (responsáveis pela capacidade de planejar e de executar tarefas) e no cerebelo (responsável pela coordenação motora). Esse processo leva a dificuldades na capacidade de acumular conhecimento e alterações do humor, comprometendo a criatividade, a atenção, a memória e o equilíbrio.