As aranhas são pequenos animais de abdome volumoso e não dividido, com a cabeça unida ao tórax formando o cefalotórax. Nesta região encontra-se a quelícera, apêndice pré-bucal dos aracnídeos, entendendo-se como definição de apêndice a de que se trata de um pequeno órgão adaptado exteriormente ao corpo dos animais articulados, assim como as patas, as mandíbulas, as antenas, os palpos, as guelras, etc. Para completar a explicação, palpos são apêndices do maxilar dos insetos e dos crustáceos, e no caso das aranhas, estão inseridos por baixo de suas mandíbulas, estando, por conseguinte, relacionados com o ato de comer desses artrópodes.
Por sua vez, o papo é uma porção dilatada do esôfago das aves, em forma de saco mais ou menos amplo, onde o que foi engolido por elas permanece durante certo tempo antes de passar à moela. Em outras palavras, trata-se de um reservatório temporário em que os alimentos ingeridos ficam depositados por algum tempo, sendo ali amolecidos e impregnados com certa quantidade de líquido antes de seguirem em frente no caminho natural da digestão. Observa-se, portanto, que as aranhas não têm papo, mas sim palpos, donde a expressão correta deveria ser “estar em palpos de aranha”, como, aliás, aparece registrado nos dicionários. Mas alguns estudiosos da linguagem defendem o ponto de vista de que por se tratar de uma expressão popular, não cabe dizer “palpos”, principalmente porque essa é uma palavra erudita, e aí se torna forçoso reconhecer que como o povo, de forma geral, não entende muito dessas coisas de erudição, o remédio é simplificar.
Na verdade, usava-se a expressão “palpos de aranha” para indicar que alguém, ou o próprio usuário da frase-feita, encontrava-se em situação delicada, sem saída. Mas o brasileiro tem o mau hábito de falar depressa, como acontece na hora em que o sujeito está no corredor do ônibus lotado, quer chegar à porta de saída, e por isso vai pedindo “cença”, ao invés de “dá licença”, e todo mundo compreende, tanto que um a um os passageiros vão dando a afastadinha necessária. Por isso, como a letra “l” acabou desaparecendo por força da pronúncia apressada, o que era “palpo” virou “papo”, e a expressão “estar em papo de aranha” adquiriu o sentido de que alguém metido em apuros estaria na mesma situação do bichinho azarado que vai ser almoçado pela aranha.
Sobre o comportamento das aranhas, o livro “Segredos do Mundo Animal” revela que “em muitas espécies de aranha a fêmea é muito maior que o macho e pode facilmente confundi-lo com um inseto e devorá-lo. Portanto, qualquer macho que queira acasalar deverá aproximar-se com o máximo de cuidado possível.. Diferentes espécies de aranha usam diferentes táticas. O macho pode balançar freneticamente as patas ou os palpos (sensores localizado na cabeça), ou pode caminhar cuidadosamente pela teia da fêmea dando passos como se estivesse dançando, para distinguir-se de outros insetos. Alternativamente, ele pode aproximar-se para suborná-la, oferecendo-lhe um inseto como aperitivo para distraí-la. As tarântulas não enxergam bem e por isso comunicam-se pelo toque. Quando um macho encontra uma fêmea, ele manifesta sua presença usando as patas dianteiras para tocar, com movimentos ritmados, no corpo dela. Ela assusta-se e levanta as patas dianteiras, pronta para atacar. É necessário muito esforço e carícias do macho para acalmá-la. Finalmente, ela levanta seu corpo e abre a presa mortal capaz de aniquilá-lo com uma única mordida. Mas ele não está desprevenido. O macho possui ganchos nas patas dianteiras especiais para separar as mandíbulas da fêmea. Enfim, salvo, ele insemina a fêmea e depois retira-se o mais rápido possível”.