ESTÔMAGO DE AVESTRUZ

Avestruzes são aves corredoras das quais se afirmam coisas nem sempre condizentes com a realidade. Como por exemplo, a de que escondem a cabeça na terra quando estão em perigo. Na verdade, ao colocarem-na junto ao chão, esses desconfiados animais estão simplesmente tentando se confundir com a paisagem, para não serem percebidos pelos inimigos.

 

Vivendo em áreas descampadas onde é praticamente impossível ocultar seu corpo, a alternativa que resta aos avestruzes é tentar se parecer com outra coisa. Assim, como o calor faz com que o ar tremule nas planícies, eles, quando pressentem algum tipo de ameaça, baixam a cabeça e o pescoço, levantam o rabo, eriçam as penas e permanecem completamente imóveis, porque dessa forma, se avistados à distância através da luz tremulante, podem dar a impressão de que são arbustos redondos com troncos altos e finos. Mas se esse recurso não funcionar, então o bando se põe a correr a uma velocidade que chega aos 72 km por hora, suficiente para que todos se mantenham distantes da maior parte dos predadores.

 

Ave de grande porte e vida longa (50 a 70 anos), o avestruz, quando adulto, atinge de 2 a 2,5 m de altura e de 100 a 150 quilos de peso. Seu aparelho digestivo é semelhante ao dos ruminantes (sem papo e dois estômagos), tem asas rudimentares (não voam), e suas pernas longas lhe permitem ser excelente corredor, atingindo velocidades de até 60 quilômetros por hora. Foi no século 19 que essa ave começou a ser criada comercialmente na África do Sul para a produção de plumas, em um sistema extensivo onde os animais não eram abatidos, mas tinham as plumas cortadas duas vezes por ano e em seguida exportadas para a Europa e Estados Unidos. Esse tipo de criatório foi introduzido posteriormente na Austrália, mas com o fracasso da atividade as aves ficaram soltas e se tornaram selvagens. Somente na década de 1960 a criação de avestruzes começou a se desenvolver novamente graças à valorização de outros produtos do animal, como a carne e o couro. Atualmente a África do Sul tem o maior plantel no mundo, mas os Estados Unidos, a Austrália, Israel, Canadá e outros países também têm um número considerável de animais.

 

O avestruz africano e a ema brasileira pertencem ao grupo das ratitas, subclasse das aves que têm o osso esterno sem quilha, ao contrário das aves voadoras, e que também inclui o pavão, o pingüim, o peru, o casuar e o kiwi. Deste fato decorre uma importante peculiaridade produtiva do avestruz: a maior quantidade de carne produzida não estará no peito mas nas coxas, já que se trata de animal corredor. Considerados os animais mais gulosos do planeta, avestruz e ema engolem praticamente tudo o que encontram pela frente, aí incluídas as folhas, frutinhas, sementes, insetos e pequenos animais (lagartos, rãs e cobras), além de pedrinhas, tampas de garrafa, pedaços de plástico, pregos, parafusos e o que aparecer pela frente.

 

Os estudiosos não conseguem explicar a causa dessa atração por objetos brilhantes, embora alguns sugiram que isso tem a ver com os besouros de casca reluzente e aparência metálica que constituem o alimento predileto das aves. Esses corpos estranhos vão direto para o estômago das comilonas vorazes sem serem mastigados, sendo depois regurgitados ou expelidos juntamente com as fezes, mas se porventura ficarem presos no estômago de uma delas, poderá provocar a sua morte.

 

Os antigos romanos apreciavam a carne de avestruz, que hoje em dia está sendo oferecida ao público consumidor e paulatinamente vem ganhando novos mercados. Mas a expressão “estômago de avestruz” foi sendo consagrada ao longo dos tempos como indicadora das pessoas que assim como a ave de apetite insaciável, comem de tudo e não se queixam de qualquer problema digestivo.

 

Em maio de 1995 foi implantado em Bragança Paulista (SP) o primeiro criatório comercial de avestruzes do Brasil, com o objetivo de difundir a exploração comercial dos principais produtos extraídos da ave - carne, couro e plumas -, a exemplo do que já vinha ocorrendo com sucesso nos Estados Unidos, África, Europa, Israel e Austrália . O peso de abate do avestruz - 100 a 120 quilos - é alcançado por volta dos seus doze meses de idade, e gira em torno da média de 30 quilos brutos de carne, sendo 15 quilos de carne de primeira, ou seja, de pedaços inteiros, tipo filé,  e 15 quilos de carne de segunda, assim chamada não por se tratar de um produto de menor qualidade em termos de composição ou maciez, mas sim porque é mais picada, sendo ideal para a preparação de pratos tipo estrogonofe ou hamburguer.