As libélulas são caçadoras tão vorazes que conseguem comer em meia-hora uma quantidade de insetos equivalente ao seu próprio peso. Verdadeiras especialistas na arte de voar, elas são capazes de agarrar suas presas em pleno ar graças aos seus dois pares de asas que funcionam separadamente. Assim, quando precisam voar devagar, o primeiro par bate um pouco antes do segundo; mas quando querem voar rapidamente, ou simplesmente planar, os dois pares batem em uníssono.
Segundo informativo do Instituto Ecológico Aqualung, “graças ao fantástico aparelhamento biológico que possui, uma libélula consegue planar, o que é impossível para a maioria dos insetos alados. Enquanto uma abelha vibra suas asas 4 vezes por segundo e muitos mosquitos imprimem até 8 batidas, a libélula bate suas asas 50 vezes por segundo. De acordo com as espécies, o tempo de vôo pode variar de dias, como ocorre com as espécies migratórias que possuem asas mais largas e conseguem planar nas correntes aéreas, a alguns minutos por dia. Em média, elas se mantêm voando por 5 a 6 horas diariamente. O absoluto controle de vôo da demoiselle (senhorita, como a libélula é chamada pelos franceses), inspirou o brasileiro Alberto Santos-Dumont na criação de seu modelo mais bem sucedido: o Demoiselle”.
Em virtude dessa sua habilidade na arte de voar, elas não só bebem, lutam e acasalam-se em pleno ar, mas também caçam sempre perto da água, valendo-se para isso não só da rapidez com que avançam no espaço graças ao seu par duplo de asas que lhes permite pairar, voar para trás e alcançar no vôo uma velocidade de até 48km/h, mas também, e principalmente, dos dois grandes olhos esbugalhados que cobrem quase toda sua cabeça, dando-lhe visão completa de tudo o que acontece à sua volta.
Cada um desses olhos é composto por mais de mil minúsculos olhinhos, todos com seu próprio cristalino e retina, que são estimulados um a um por qualquer movimentação ocorrida dentro do seu campo visual, permitindo-lhe, dessa forma, uma visão tão boa quanto a da maioria dos mamíferos. Por isso a libélula percebe os menores movimentos de uma presa, por mínimos que sejam, e sai imediatamente em sua perseguição, apanhando-a no ar, pegando-a em uma cesta formada por suas pernas, e geralmente a comendo em pleno vôo, garantindo assim parte da refeição diária de que necessita.
As libélulas pertencem a uma ordem de insetos que compreende vários gêneros e numerosas espécies. Elas têm o abdome muito fino e longo, a cabeça grande, os olhos enormes, os maxilares bem desenvolvidos, além de dois pares de asas tão abundantemente reticuladas que se assemelham a pequenas redes às vezes coloridas com tons de vermelho carregado, azul ou amarelo. Suas larvas, puramente aquáticas, são extremamente úteis à natureza porque ao se desenvolverem na águas elas não só caçam as larvas dos mosquitos, mas também se colocam na condição de alimento muito apreciado pelos peixes insetívoros.
Em contrapartida, as larvas das espécies maiores não deixam por menos e prejudicam com a mesma voracidade a multiplicação dos predadores aquáticos que se deliciam com seus parentes de menor tamanho, já que não hesitam em devorar os filhotes recém-nascidos desses comedores de insetos.
Os indivíduos adultos da subordem dos Aniposetos têm o corpo, principalmente o abdome, mais grosso, e um modo de respirar extremamente curioso: como o reto, que é a parte final do seu tubo digestivo, é dilatado e amplamente provido de traquéias, eles sugam a água pelo ânus e a expelem em seguida, alternadamente, conseguindo dessa forma o efeito obtido pelos peixes com sua respiração através das guelras, que é o aparelho respiratório dos animais que vivem debaixo da água. Para completar, eles ainda aproveitam esse mesmo jato de água expelida como forma de energia propulsora para nadar.
Existem dois grandes grupos de libélulas, e essa classificação é feita levando-se em consideração as suas asas. Num deles estão os anisópteros, ou as libélulas propriamente ditas, que têm o segundo par de asas mais estreito do que o primeiro. Já os zigópteros, do segundo grupo, apresentam dois pares de asas do mesmo tamanho. Essa espécie de libélula é menor e tem um vôo mais pausado e elegante. Em repouso, elas são bem diferentes do aspecto que adquirem com as asas abertas durante o vôo, mas de qualquer forma, as suas cores e reflexos são muito chamativos.
Quem tiver qualquer dúvida quanto à qualidade da água de um rio, ou de um lago, poderá fazer o teste da libélula, que consiste na simples observação sobre se esses insetos estão presentes na área. Isso porque a menor alteração físico-química da água ou do ar, já será suficiente para expulsá-los do lugar, além de impedir que dos ovos saiam novas larvas. A grande ameaça à vida das libélulas é, portanto, a poluição ambiental.
Irrequieta, voando incessantemente, planando, dando rasantes, subindo ou pousando como um helicóptero, a libélula parece ter sempre muita pressa. E motivos não faltam para isso. Toda libélula está sempre vivendo o ponto culminante de sua vida e não tem tempo a perder. Deve procurar parceiros e acasalar em um prazo máximo de dois meses (tempo entre sua última metamorfose, quando de larva se transformou em libélula, e sua morte), que corresponde, em algumas espécies, a menos de 10% de seu tempo total de vida.