O futebol é considerado o esporte das multidões porque nenhuma outra modalidade esportiva consegue reunir, ao mesmo tempo, tantas pessoas em um estádio. Um exemplo disso foi a partida entre Brasil e Paraguai, realizada no estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, em 31/08/1969, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1970 (Brasil 1x0), com 183.341 espectadores. No Morumbi, em São Paulo, o recorde pertence ao confronto Corinthians x Ponte Preta, em 09/10/1977, segundo jogo decisivo do campeonato paulista daquele ano (Ponte Preta 2x1), com público de 138.032 assistentes, e no Mineirão, Belo Horizonte, a maior platéia foi registrada em 04/05/69, quando Atlético e Cruzeiro decidiram o campeonato mineiro da temporada (Cruzeiro 1x0).
O futebol existe desde épocas remotas, tendo sido passatempo da corte japonesa por volta de 2.500 a.C. O mesmo aconteceu na China, quando o imperador Cheng-Ti, que reinou entre 32 a.C. e o ano 6 da nossa era, foi um entusiasta de sua prática, apesar dos cortesãos terem feito de tudo para convencê-lo de que aquela correria, além de cansativa, não combinava com a dignidade imperial. Na prática de educação física da mocidade grega figurava o episkiros, que parece ter sido o antepassado europeu do futebol, indo dali para a Itália, onde recebeu o nome de harpastum, sendo levado pelos legionários romanos a todos os cantos do império. Introduzido na Inglaterra pelos normandos, lá permaneceu até se tornar uma paixão nacional que aos poucos foi sendo transferida para outros países.
No Brasil o futebol chegou em 1886, e depois de engatinhar por algum tempo ganhou força e personalidade, cunhando frases e criando uma tecnologia própria. Como no caso do “gol de placa”, cuja explicação é a seguinte: em 5 de março de 1961, Fluminense e Santos disputavam uma partida pelo torneio Rio-São Paulo. Aos 41 minutos do segundo tempo, o jogador Pelé dominou a bola na entrada da sua área e partiu em direção ao gol contrário, driblando seis adversários que surgiram à sua frente e fazendo um gol espetacular. Em cima do lance o então comentarista esportivo Joelmir Bething sugeriu que seu jornal (O Esporte) eternizasse o lance mandando fazer uma placa de bronze. Ela foi feita e afixada no saguão do estádio carioca, sendo inaugurada na semana seguinte pelo próprio jogador. Nascia, assim, a expressão “gol de placa”, que hoje é usada quando qualquer jogador faz um desses gols considerados inesquecíveis.
A edição de 21/07/1999, da Revista Veja, publicou reportagem assinada por Ricardo Galuppo, sobre Joelmir Bething. Com o título de “O Homem que Rima Números”, a matéria relembra da seguinte forma o episódio do gol espetacular: “As frases escritas por Bething têm métrica e rimas. Os textos são guiados por metáforas. ‘Para se fazer entender você precisa repetir uma mesma idéia até cansar. Por mais óbvia que ela seja’, recomenda o jornalista, reproduzindo uma frase marcante que escutou em 5 de março de 1961. A lição é inesquecível porque Bething a ouviu do escritor Nelson Rodrigues, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Foi Rodrigues quem ensinou a ele, na época repórter esportivo, essa fórmula que até hoje utiliza em seus textos. A data é memorável porque, naquele dia, num jogo entre Santos e Fluminense, Bething de certa forma entrou para a história do futebol. O Santos vencia a partida por 1 a 0 quando Pelé recebeu a bola na meia-lua da área do Santos e arrancou em direção ao gol adversário, driblando a tudo e a todos. Passou até pelo Castilho e fez o gol fantástico. Bething, como todos os que viram a obra-prima, ficou encantado. Na volta a São Paulo sugeriu que o jornal O Esporte, onde trabalhava, mandasse fazer uma placa de bronze para registrar a beleza do lance. A sugestão foi aceita. Ele encomendou a placa e pagou com dinheiro do próprio bolso (até hoje não foi ressarcido). No domingo seguinte, a placa foi afixada no saguão do Maracanã e descerrada pelo próprio Pelé, antes do jogo contra o Vasco. Joelmir, portanto, foi o criador, não da expressão gol de placa, mas da própria placa do gol, tornado por ele assim inesquecível. "Nunca fiz um gol de placa, mas fiz a placa do gol", diz.