Embora tenha sido quase sempre representado como um animal semelhante ao cavalo, mas tendo no meio da testa um chifre reto de base branca, estrias negras em espiral e ponta vermelha, alguns autores antigos afirmaram que o unicórnio também possuía cauda de leão, patas de antílope e olhos azuis. Seu nome vem de duas palavras latinas: unus, que significa um, e cornu, chifre.
Durante muito tempo o homem acreditou na sua existência, mas hoje se supõe que essa crença era apenas resultado de uma confusão com o rinoceronte. Na Idade Média, o unicórnio foi considerado um símbolo de pureza, e como animal heráldico, aparece no escudo da Grã-Bretanha.
Na verdade o unicórnio é citado tanto na mitologia oriental como nas lendas gregas e romanas, e segundo relataram os cronistas mais antigos, quando o primeiro desses animais fantásticos chegou ao nosso mundo, embrulhado em uma nuvem impelida por um tornado branco, assim que desceu suavemente nos campos da Terra ele furou uma pedra com seu chifre, brotando dali uma fonte de vida que fecundou o solo com plantas frutíferas. Grandes árvores começaram então a se desenvolver naquele lugar, e a área ao redor delas foi pouco a pouco sendo povoada por animais selvagens de todos os tipos e tamanhos, porque essa era a vontade de Deus e o unicórnio o instrumento do seu querer.
A descrição do unicórnio feita pelo naturalista romano Plínio, o Velho (23-79), é tomada como modelo para a maior parte das representações do misterioso corcel, imaginadas posteriormente: ele o pintava como “um ferocíssimo animal, semelhante no resto do corpo a um cavalo, com a cabeça de cervo, patas de elefante, cauda de javali, voz retumbante e o único chifre preto, de dois côvados de comprimento, (cerca de 1,20 m.) no meio da testa”, acrescentando, ainda, que o unicórnio “não pode ser apanhado vivo”. Essa afirmativa, segundo os historiadores, servia mais como desculpa aos contemporâneos do aplicado estudioso da natureza, pelo fato do unicórnio não aparecer nas arenas dos anfiteatros de Roma.
A lenda diz ainda que o unicórnio simbolizava o amor, a majestade, o poder, a honestidade, a liberdade, e tudo quanto mais de bom possa existir no ser humano. Ele era um animal selvagem e não domesticável, que bebia água corrente e se alimentava de frutas, grãos ou folhas tenras das árvores, procurando sempre lugares escondidos onde pudesse descansar tranqüilamente do cansaço provocado pelas viagens que fazia. Em momentos de perigo, ou de prolongada concentração, o chifre do unicórnio poderia brilhar com suave esplendor, mas normalmente, e para proteção do animal, ele não era visto pelos humanos, que por isso pensavam estar diante de um simples cavalo.
Na Idade Média acreditava-se que o chifre do unicórnio era um talismã com enorme poder mágico de cura e antídoto perfeito para qualquer tipo de veneno. A crença vigorante na época garantia que ao ser pulverizado, o pó resultante poderia ser utilizado para eliminar não só os males provocados por picadas de animais venenosas, mas também ataques de vermes, perda de memória e muitas outras moléstias. E tão forte era essa certeza que o chifre pulverizado continuou sendo recomendado por farmacêuticos até meados do século 18.
Os modernos zoólogos não levam a sério a existência do unicórnio. No entanto, existem animais que têm na cabeça uma protuberância óssea semelhante a um chifre, o que pode ter dado origem à lenda. O do rinoceronte, por exemplo, é uma delas, embora seja pequena e não corresponda à descrição do chifre do unicórnio. O que mais se assemelha a um chifre no meio da testa é a protuberância óssea que existe na cabeça da girafa, mas além de ser curta e rombuda, ela não constitui o único chifre do animal, e sim um terceiro, entre outros dois.