1566 - POÇO BENTO DE MAGÉ - Magé (RJ)

Na virada do século, final do ano 2.000, a cidade de Magé, Estado do Rio, completou 435 anos de idade.  Sendo a mais antiga do território fluminense, ela guarda em sua memória histórica registros valiosos sobre os tempos da colonização e do império, como, por exemplo, a de ter sido um dos pontos terminais do Caminho das Pedras, primeira estrada entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, aberta em 1726 pelo desbravador Bernardo de Proença; ou a de ter mantido em sua orla marítima, até 1888, o porto mais movimentado do Brasil colônia, por onde escoavam para Portugal os tesouros arrancados de Minas Gerais, e no qual também atracava uma embarcação vinda do Rio de Janeiro trazendo passageiros para a própria cidade, Teresópolis, e com destino a Minas Gerais; ou ainda, a de ter sido escolhida como ponto de partida para a primeira estrada de ferro construída no Brasil (obra de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá), um trecho de quatorze quilômetros ligando a localidade ao pé da serra da Estrela, na direção de Petrópolis; além de muitas outras.

 

Entre estas merece destaque a do Poço Bento do padre José de Anchieta. Uma das versões sobre ele conta que em 1566 o missionário aportou na praia da Piedade e lá encontrou um poço de água salobra imprópria para consumo, e esta se transformou em potável a um simples toque de seu cajado. Outro relato assevera que no mesmo local o padre perfurou com seu bordão a terra dura como pedra, porque castigada por forte seca, do pequeno buraco começou a brotar água pura e cristalina, o que continua acontecendo até hoje. A notícia desse milagre se espalhou rapidamente, e a partir daí o poço milagroso (na ilustração acima) passou a receber um grande número de romeiros vindos de muitos lugares, em busca de cura para os seus males. Nessas terras os padres jesuítas construíram uma ermida junto ao morro da Piedade, que se transformou mais tarde no santuário de Nossa Senhora da Piedade.

 

O povoamento de Magé começou em 1565, quando o português Simão da Mota recebeu de Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil e comandante das forças portuguesas que lutavam para expulsar os franceses da baía de Guanabara, uma sesmaria “com 600 braças de terra ao longo da água e 1.000 braças pela terra à dentro" (a braça era uma medida de comprimento equivalente a 2,2 metros). O motivo da doação foram os relevantes serviços prestados pelo agraciado na defesa do Rio de Janeiro contra os franceses. Ele se mudou para as terras que recebera levando mulher e filhos, além de muitos escravos e vários amigos, e escolheu como local de moradia as vizinhanças do morro da Piedade, onde construiu sua casa de morada.

 

Apesar disso, foi um outro português, Cristóvão de Barros, quem acabou ganhando maior prestígio como fundador da cidade. Ele havia lutado com valoroso empenho contra os franceses que tentavam se apossar do Rio de Janeiro, e por isso, em 1566, fora recompensado com duas sesmarias também em Magé. Sendo ativo e empreendedor, Cristóvão instalou em suas terras um engenho de cana-de-açúcar, o qual se tornou tão produtivo que chegou a ser considerado como um dos mais importantes do Brasil naquele período. Graças a esse fato a região passou a ter um desenvolvimento acelerado, o que determinou a concessão, por parte dos portugueses, de novas sesmarias para absorver esse crescimento. Por esse motivo, e pela difusão do nome de Magé em todo o país, Cristovão de Barros passou a ser considerado, de fato, como o maior responsável pela fase inicial de ocupação das terras do município.  

 

A data de aniversário do município - 9 de junho de 1789 - refere-se ao dia em que o vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa ordenou a elevação da localidade à categoria de vila, mudando-lhe o nome de Magepe para Magé, e determinando os seus limites. Sua elevação à categoria de cidade deu-se em 2 de outubro de 1857, por ordem do imperador Dom Pedro II.