1654 - CAMPINA DA TABORDA - Pernambuco

O último reduto dos holandeses no Brasil capitulou em 26 de janeiro de 1654, precedendo de dois dias a entrada triunfal das tropas de Vital de Negreiros e João Fernandes Vieira em Recife. Ao se submeterem às tropas luso-brasileiras nessa ocasião, os holandeses se comprometeram a restituir imediatamente ao rei de Portugal a cidade de Recife, todas as demais povoações e todos os fortes existentes nas quatro capitanias que tinham estado em seu poder. Seria dada anistia plena aos próprios portugueses e judeus ou súditos de outras nações que tivessem tomado o partido dos holandeses; os capitulantes sairiam com armas e bagagens , devendo as armas ficar sob a guarda\das autoridades lusas até o momento em que os vencidos embarcassem para a Holanda. Qualquer súdito holandês poderia ficar no Brasil e viver nas mesmas condições em que viviam os portugueses, mas os que desejassem retirar-se poderiam conduzir os seus bens e liquidar seus negócios em Pernambuco, por si ou seus procuradores.

 

Discorrendo sobre o episódio, a pesquisadora Semira Adler Vainsencher, do Instituto de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco, órgão ligado ao Ministério da Educação, diz que “O Forte de São Tiago das Cinco Pontas situa-se no atual bairro de São José, próximo à antiga Estação Rodoviária de Santa Rita. É a última construção holandesa no Recife e um dos monumentos mais representativos da arquitetura colonial. Foi edificado pelos flamengos, no ano de 1630, por determinação do Príncipe de Orange - Frederik Hedrik -, tendo como seu idealizador o comandante Teodoro Weerdemburgh. Chamou-se, primeiramente, de Forte Frederico Henrique”.

 

“Construída em taipa sobre um solo alto, e dominando, por completo, o porto do Recife, a fortaleza possuía como padroeira Nossa Senhora da Assunção. Ficava em uma área próxima às cacimbas de água potável de Ambrósio Machado, um abastado senhor de engenho na ilha de Antônio Vaz. Em decorrência de sua proximidade com tais cacimbas, também foi denominada de Forte das Cacimbas de Ambrósio Machado e de Forte das Cacimbas das Cinco Pontas”.

 

“Os objetivos mais relevantes daquela fortaleza eram os de garantir à população o suprimento de água potável, mediante a proteção das cacimbas (ponto vital para o abastecimento d’água do Recife), e impedir que os navios inimigos circulassem pelas águas do rio Capibaribe, e chegassem até a Barreta dos Afogados (através de uma passagem existente nos arrecifes), podendo se evadir, a partir daí, com os barcos carregados de açúcar”.

 

“Com a vinda do Conde João Maurício de Nassau-Siegen para o Recife, os holandeses iniciaram a construção de um canal de trinta metros de largura, partindo do Forte Frederico Henrique e se estendendo até o local onde se encontra, hoje, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Em 1637, por sua vez, as muralhas e a profundidade do fosso da fortaleza foram reformados”.

 

“No século XVII, ela é destruída por João Fernandes Vieira (ilustração ao lado) e ocupada por tropas luso-brasileiras, sob o comando de André Vidal de Negreiros e do general Francisco Barreto de Menezes. A capitulação dos holandeses ocorre na campina do Taborda, perto do atual Cabanga Iate Clube. Quando o Forte foi rendido, em 1654, havia os seguintes elementos em seu inventário oficial: 17 canhões de calibre 2 a 24, dois alfanges de cortar cabeça e vários outros apetrechos bélicos”.

 

“A esse respeito, existe hoje na entrada do forte uma placa que registra a rendição holandesa: Seus dizeres são os seguintes. “Próximo a este forte das Cinco Pontas, um dos últimos baluartes flamengos, na chamada campina do Taborda, existiu a porta sul de Mauricéia, onde o mestre de campo general Francisco Barreto, chefe militar da campanha de libertação e restauração de Pernambuco, recebeu a 28.1.1654, na qualidade de vencedor, as chaves da cidade, que lhe foram entregues pelo general Segismundo von Schkoppe, comandante das forças holandesas que na antevéspera se haviam rendido. Esta memória foi mandada colocar pelo Exército, no ensejo das comemorações do tricentenário da Restauração. 1654 – 1954”.

 

Em outro texto sobre a passagem histórica, este da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, encontra-se a explicação para o nome Campina do Taborda. Nele se diz que:

 

“Ainda em 1630 foi (o forte) acrescido na direção Sul, de suas fortificações denominadas hornaveques. O primeiro, para uma defesa mais eficaz e denominar as cacimbas citadas, vitais ao abastecimento de toda a praça de guerra em que Recife foi transformada. O segundo, de duração efêmera, foi construído sobre a campina onde morava o pescador Antônio Taborda e demolido em 1713. Em 14 Jan 1654, a campina, o pescador e o forte citados entraram gloriosamente para a história, em razão da Capitulação Holandesa no Brasil, na Campina do Taborda, defronte ao forte em tela, ponto chave da defesa terrestre do Recife e prestes a render-se depois de 10 dias de ação fulminante da Companhia Geral do Comércio e do Exército Patriota. Assim, suas muralhas testemunharam a rendição do invasor, que, por 30 anos ameaçou a Unidade e a Integridade do Brasil e viram passar vitoriosos, em 28 Jan, por seu interior, o General Barreto de Menezes e outros líderes patriotas que receberam as chaves do Recife. Ao longo da História, os fortes das Cinco Pontas e o do Brum tiveram presença histórica assinalada em Pernambuco”.