Supremo Ser Incriado / Santo Deus Onipotente / Manda teus raios de luz / Ilumina a minha mente / Para transformar em versos / Uma história comovente.
Falo da vida de Ester / Que na Bíblia está descrita / Era uma judia virtuosa / E extremamente bonita / Por obra e graça divina / Teve venturosa dita.
Foi durante o cativeiro / Do grande povo Judeu / Um rei chamado Assuero / Naqueles tempos viveu / E com o nome de Xerxes / Na História apareceu.
O rei Assuero tinha / Pelo costume pagão / Um harém com muitas musas / As mais belas da nação / Mas era a rainha Vasti / Dona do seu coração.
Porém a rainha Vasti / Caiu no seu desagrado / Pois embora fosse bela / Não cumpriu um seu mandado / Vasti, durante um banquete / Não quis ficar a seu lado.
Com isto o Rei Assuero / Bastante se enfureceu / Mandou buscar outras moças / E por fim ele escolheu / Ester, a bela judia / Sobrinha de Mardoqueu.
Porque os seus conselheiros / Consideraram uma ofensa / A bela rainha Vasti / Não vir a sua presença / Perdeu a rainha o posto / Foi esta a dura sentença.
Ester era flor mais bela / Filha do povo judeu / Porém perdeu os seus pais / Logo depois que nasceu / Foi viver na companhia / De seu tio Mardoqueu.
Dentre as mulheres mais belas / Ester foi a escolhida / Pra ser a nova Rainha / Pelo rei foi preferida / Mardoqueu disse à sobrinha: / - Não revele a sua vida!
- Pois nosso povo é cativo / E vive na opressão / Talvez o rei não a queira / Vendo a sua condição / É melhor guardar segredo / Sobre seu povo e nação.
Não pretendo alongar-me, / Porém vos digo o que sei: / Mardoqueu era versado / Na ciência e na Lei / Trabalhava no palácio / Era empregado do rei.
Mardoqueu um dia soube / Que dois guardas do portão / Tramavam secretamente / Perversa conspiração / Eram Bagatã e Tares / Homens de mau coração.
Tramavam matar o rei / E Mardoqueu descobriu / A conversa dos dois homens / Ele sem querer ouviu / Foi avisar a Ester / E ela ao rei preveniu.
Assuero indignado / Com esta conspiração / Mandou ligeiro prender / Os dois guardas do portão / Eles descobriram tudo / Quando os pôs em confissão.
Os dois guardas receberam / Um castigo exemplar / Provada a sua traição / O rei os manda enforcar / Depois mandou os escribas / Em seus anais registrar.
Mardoqueu perante o rei / Subiu muito de conceito / Deu-lhe o rei um alto posto / Por ser honrado e direito / Por isso era invejado / Por Aman, um mau sujeito.
Este Aman de quem vos falo / Era o Primeiro Ministro / Um dos homens mais perversos / De quem se teve registro / Tramava contra os judeus / Um plano mau e sinistro.
Por força de um decreto / Queria que o povo inteiro / Se ajoelhasse a seus pés / Sendo ele um embusteiro / Queria ser adorado / Igual ao Deus Verdadeiro.
Isso era um grande martírio / Para a raça dos judeus / Porque só dobram os joelhos / Em adoração a Deus / Fato que desperta a ira / Dos pagãos e dos ateus.
O Ministro indignou-se / Com todo o povo judeu / Porque não obedeciam / Aquele decreto seu / Pensava em aniquilar / A raça de Mardoqueu.
Mandou baixar um Edito / Marcando a hora e o dia / Para o povo ajoelhar-se / Porém Aman não sabia / Que a bela rainha Ester / Era uma princesa judia.
Mardoqueu leu o decreto / Gelou de medo e pavor / Comunicou a Ester / Que Aman, em seu furor / Queria exterminar / A raça do Redentor.
- Querida Ester, disse ele / Venho triste lhe contar / Que o Primeiro Ministro / Jura por Marduk e Isthar / Que o nosso povo judeu / Decidiu eliminar.
- Esse Decreto já foi / Pelo rei sancionado / Armou para nós a forca / O dia já está marcado / Matará todo judeu / Que não ver ajoelhado.
- Meu tio, responde Ester / Eu nada posso evitar / Pois quem se apresenta ao rei / Sem ele próprio chamar / Por um decreto real / Manda na hora enforcar.
Deixemos aqui Ester / Lamentando pesarosa / Vamos tratar de Aman / Criatura orgulhosa / E saber o que tramava / Esta cobra venenosa.
Disse ele a Assuero: / - Há um povo no reinado / Que tem um costume estranho / Não cumpre nenhum mandado / Que fira algum mandamento / Por seu Deus determinado.
- Constitui um mau exemplo / Para outros povos e assim / Considero que este povo / Viver conosco é ruim / Eu quero a tua licença / Porque quero dar-lhes fim.
Lavrou-se então o decreto / Do extermínio judeu / Aman pegou uma cópia / E em praça pública leu / Somente por ter inveja / Da glória de Mardoqueu.
Naquela noite Assuero / Não podendo dormir mais / Mandou chamar seus escribas / Para lerem os editais / Entre estes documentos / Encontravam-se os Anais.
O leitor sabe que o rei / Foi salvo de um atentado / Por dois porteiros teria / Sido ele assassinado / Se não fosse Mardoqueu / Ter o caso desvendado.
Pergunta então Assuero / Depois que o escriba leu / Os anais onde constavam / Os feitos de Mardoqueu: / - Me diga qual foi o prêmio / Que este homem recebeu?
- Nenhum prêmio, majestade... / Responde o escriba ao rei / Então Assuero disse: / - Agora compensarei / O grande favor prestado / Gratidão é uma lei!
No outro dia Aman / Foi ao Palácio enredar / Quando Assuero o viu /Tratou de lhe perguntar:/ - Que deve ser feito ao homem / Que o rei pretende honrar?
Pensando que era pra si / Aquela grande honraria / Aman disse: - Majestade / Eis então o que eu faria / Com minhas roupas reais / Este homem eu vestiria.
Depois o faria montar / Um cavalo ajaezado / Com os arreios de ouro / E o brasão do reinado / Por alguém muito importante / Ele seria puxado.
E nas ruas da cidade / O guia deve bradar / Assim o rei Assuero / Manda agora publicar: / - Este é um homem de bem / Que o rei pretende honrar!
- Muito bem, diz Assuero / Bonito plano, este seu / Mande selar meu cavalo / Da forma que concebeu / E nele faça montar / Nosso amigo Mardoqueu.
Aman ficou constrangido / Mas resolveu perguntar / Qual o homem, majestade / Que o cavalo irá guiar / Disse o rei: - És tu, Aman / Quem o deve anunciar.
Aman saiu se mordendo / Foi o cavalo arrear / Depois mandou Mardoqueu / Sobre o mesmo se montar / Mas intimamente dizia / Em breve irei me vingar.
E pelas ruas de Susa / Foi Mardoqueu aclamado / Vestindo as roupas reais / Num bom cavalo montado / E pelo ministro Aman / O ginete era puxado.
O leitor deve lembrar / Que Ester, a bela rainha / Já sabia do decreto / E qual a sorte mesquinha / Destinada a seu povo / Porém o medo a detinha.
Há dias que ela esperava / Uma oportunidade / Para falar com o rei / Contar-lhe toda a verdade / E, em favor de seu povo / Implorar-lhe a piedade.
Mas o tempo ia passando / Como o rei não a chamou / A dura pena de morte / Decida ela enfrentou / Foi à presença do rei / Lá chegando se curvou.
Disse o rei: - Minha querida / A lei não é para ti / Não temas, pois não pretendo / Fazer qualquer mal a si / Diga-me logo o que queres /Porque tu vieste aqui?
Disse ela: - Majestade / Viva em paz, a governar / O motivo que me trouxe / É que vim te convidar / Para um singelo banquete / Que pretendo preparar.
Este banquete eu vou dar / Na noite de amanhã / Quero apenas que convides / O nosso ministro Aman / Espero que não me faltes / Espero com grande afã.
Disse o rei: - Vá sossegada / Por certo, não faltarei / Ao banquete que darás / Como sem falta eu irei / E o Primeiro Ministro / Em breve convidarei.
Ester não disse mais nada / Tratou de se retirar / Chamou as suas criadas / Foi depressa preparar / O banquete que em breve / Ela haveria de dar.
No outro dia Aman / Pelo rei foi convidado / Porém, como ignorava / O que estava preparado / Compareceu orgulhoso / Bastante lisonjeado.
Na presença do ministro / Assuero perguntou / Diz-me agora, ó rainha / Por que razão me chamou? / Então Ester decidida / Por esta forma falou:
- Majestade eu tenho a honra / De ser a tua consorte / Porém a mão do destino / Quer turvar a minha sorte / Porque o meu próprio povo / Está condenado à morte!
Diz o rei: - Quem concebeu / Este plano tão malvado? / Por que motivo o teu povo / À morte foi condenado? / Disse ela: foi Aman / Ele é o grande culpado!
Pois este homem se julga / Acima do próprio Deus / Quer que todos se ajoelhem / E cumpram os desígnios seus / Por isso ele planeja / Exterminar os judeus.
Quando ela disse aquilo / Aman não pôde falar / Tremia ali de pavor / Sem poder se explicar / E o rei indignado / O mandou encarcerar.
No outro dia Aman / À morte foi condenado / Na forca que ele havia / Pra Mardoqueu preparado / Por um capricho da sorte / Foi nela própria enforcado.