SAPO GIGANTE DE MADAGASCAR

Paleontólogos descobriram em Madagascar, na parte noroeste dessa ilha situada ao largo da costa oriental do continente africano, os restos de um sapo gigante que media 40,6 centímetros, pesava 4,5 kg e teria vivido há cerca de 70 milhões de anos entre os dinossauros da África.

 

Esse sapo enorme possuía dentes e uma couraça grossa, podendo ter chegado a devorar dinossauros recém-nascidos, segundo os cientistas liderados pelo paleontólogo David Krause, da Universidade Stony Brook (EUA). A notícia da descoberta desse fóssil foi publicada no início de 2008 na revista científica Proceedings of the National Academy of Science, e a ilustração acima (de Luci Betti-Nash / SUNY - Stony Brook) mostra como ficaria o animal extinto caso fosse colocado ao lado de um exemplar da espécie atual de sapo africano.

 

Os descobridores dos ossos do sapo gigante batizaram-no com o nome científico de Beelzebufo ampigna, uma mistura de latim e grego cujo significado é algo como sapo diabólico, ou sapo do inferno. Os paleontólogos acreditam que esse anfíbio pertencia à mesma família dos sapos que hoje em dia vivem na América do Sul, e por isso, na opinião de Daviud Krause, se os seus costumes eram idênticos aos dos seus descendentes sul-americanos, ele deveria ser bastante voraz. “É possível, inclusive, que tenha devorado mamíferos, rãs menores e, levando em conta seu tamanho, até mesmo alguns filhotes de dinossauros", confirmou o pesquisador.

 

As teorias indicam que a região hoje pertencente a Madagascar foi separada da América do Sul pelo oceano, durante a era em que o sapo gigante teria vivido. "Os sapos não poderiam ter nadado entre os continentes, já que precisam de água doce para sobreviver”, ponderou o paleontólogo. E deixando sem resposta uma indagação - “Estamos nos perguntando o que um sapo sul-americano está fazendo em Madagascar, do outro lado do mundo” - ele sugeriu que a descoberta poderia ser indício de que, na época, havia alguma conexão terrestre entre aquela parte do mundo e o continente americano, talvez através da Antártida, então muito mais quente do que é hoje.

 

Sobre tal possibilidade, cientistas já levantaram a suspeita de que possivelmente existiu, em tempos pré-históricos, uma ligação entre Madagascar e a América do Sul, uma vez que nos dois territórios foram encontrados fósseis de animais do cretáceo, incluindo dinossauros, que apresentavam sinais de parentesco. Ao fornecer evidência de que uma criatura que viveu há milhões de anos possui parentes vivos na América do Sul, a nova descoberta veio reforçar essa hipótese.

 

Foi no ano de 1993 que o paleontólogo encontrou pela primeira vez, na ilha de Madagascar, ossos de rã extraordinariamente longos. Anteriormente ele já havia descoberto fósseis de dinossauros e de crocodilos na mesma área, mas somente anos depois sua equipe conseguiu acumular peças suficientes para reconstruir o sapo e analisar seu peso e suas medidas. Esses restos fósseis datam do fim do período Cretáceo, entre 65 e 70 milhões de anos, aproximadamente, e suas características permitem o levantamento da hipótese de que o Beelzebufo talvez possa ter sido o maior sapo a ter habitado a face da Terra, conforme acreditam os paleontólogos. Eles também determinaram que o sapo gigante poderia pertencer ao gênero de rãs Ceratophrys, da América do Sul.

 

Entre as teorias sobre a existência do Beelzebufo, talvez a mais consistente sustenta que ele provavelmente vivia num ambiente semi-árido e caçava saltando de forma inesperada sobre suas presas. Na definição de David Krause, apresentada em entrevista dada ao site LiveScience.com, “eles eram predadores de emboscada, do tipo `senta-e-espera´ Suas pernas não eram longas, portanto eles não pulavam muito bem. Daí, provavelmente esperavam a presa se aproximar deles. Eram como duas bolas redondas, basicamente apenas boca e estômago. Os cientistas pensam que eles comiam sapos menores, lagartos e ratos”.

 

Embora fosse, realmente, o rei dos sapos, maior cerca de nove centímetros em relação ao atual campeão conhecido da espécie, o sapo Golias, que habita o oeste da África e pesa pouco mais de 3 kg, ele perde o título de maior anfíbio de todos os tempos para o Prionosuchus, ou prionossuco, que viveu em território brasileiro no período Permiano (terminado há 245 milhões de anos). Os fósseis desse animal foram encontrados no ano de 1948, na Formação Pedra do Fogo, Bacia Sedimentar do Maranhão, também conhecida como do Parnaíba. Com nove metros de comprimento, e aparência que lembrava a de um crocodilo sem escamas, o prionossuco, aquático e carnívoro, tinha como habitat a floresta úmida, rica em peixes e outros anfíbios que lhe serviam de alimento.

 

Fonte: Globo Ciência, em 19/02/2008