A capacidade sensitiva dos animais varia de espécie para espécie. Nos mamíferos, os sentidos de olfato e paladar são separados, como nos seres humanos, por exemplo, que reconhecem sem dificuldade os diferentes odores que possam estar espalhados pelo ar, mas só conseguem diferenciar o sal do açúcar através do paladar. Em outras criaturas a percepção do gosto e a impressão dos cheiros se tornaram tão apuradas que elas acabaram adquirindo uma sensibilidade perfeita para identificar determinadas substâncias químicas, podendo detectá-las no ar mesmo em quantidades mínimas.
Como no caso das moscas varejeiras, que conseguem descobrir uma solução açucarada sem necessidade de tocá-la porque são duzentas vezes mais sensíveis à presença de açúcar que o ser humano. Já as delicadas borboletas, que têm sua boca adaptada a uma alimentação baseada em néctar e sumos, utilizam sensores localizados nos pés quando desejam encontrar a planta onde colocarão os ovos que garantirão a continuidade da espécie a que pertencem. Os insetos necessitam do paladar não apenas para escolher corretamente a comida mais adequada, mas também como recurso que lhes permita evitar substâncias nocivas ou perigosas. Muitos deles possuem as células sensitivas do paladar localizadas em torno da boca, enquanto outros, como as borboletas, trazem nos pés os sensores que lhes dão condições de saber onde estão pisando. Já os abutres americanos, particularmente os que sobrevoam áreas arborizadas, onde não se pode enxergar através do topo das árvores, precisam contar com o olfato para detectar carniça. Por isso eles têm grandes áreas do cérebro destinadas a esse sentido.
Mas as cobras exercitam de modo diferente a habilidade de identificar corretamente os odores que chegam até ela, porque cheiram como se estivessem provando o ar. Quando esticam sua língua bifurcada para fora da cavidade bucal, elas colhem os aromas que flutuam nas redondezas, e em seguida, colocando as duas pontas existentes na extremidade desse órgão em um par de orifícios localizados no céu da boca, os ofídios provam o ar valendo-se dos pêlos finos que guarnecem essas cavidades, captando através deles as mensagens químicas que imediatamente são encaminhadas ao cérebro. É dessa forma que as cobras conseguem encontrar a comida de que necessitam, ou são alertadas sobre algum perigo iminente.
Muito próximas dos lagartos, as cobras são reconhecidas pelos corpos alongados e por não possuírem os membros externos que os diferenciam da maioria dos outros répteis. Elas se movimentam de forma serpentiforme, ou sejam, produzindo em seu longo corpo ondulações que lhe permitem deslocar-se, enquanto as grandes e pesadas, como a jibóia, fazem isso através de contrações e distensões de sua musculatura ventral (da barriga). Algumas cobras têm conservado traços internos de seus membros externos traseiros, principalmente as jibóias e pítons. Devido ao corpo que possuem - comprido, longo e esticado - as cobras são internamente diferentes dos outros répteis, tendo ossos longos da coluna vertebral e vários pares de vértebras. Elas têm boa visão, embora não possam ouvir da mesma forma que os mamíferos, mas podem detectar vibrações de baixa freqüência no chão, que as alertam sobre a presença de predadores e presas.
Como os lagartos, as cobras possuem uma aparência variada e têm se adaptado para viver em vários lugares, exceto nas regiões polares. A maior parte das 3.000 espécies de cobras, aproximadamente, não é venenosa. No lugar do veneno, elas usam seus dentes em forma côncava, para agarrar e segurar suas presas. Muitas espécies sufocam suas presas, constringindo-as e enroscando-se ao redor dos seus corpos, principalmente aquelas que caçam presas ágeis e grandes. Aproximadamente dois terços das espécies de cobras pertencem a uma única família, a Colubrídeos, que inclui as mais comuns e não venenosas. Embora em menor número, as cobras venenosas estão bem distribuídas ao redor do mundo, mas são encontradas principalmente nos trópicos. Elas são comuns em locais onde existem muitos ratos e preás, mas nem todas elas são venenosas. Destas últimas, as características mais fáceis de serem identificadas são os olhos (pupila vertical como a dos gatos); as narinas (presença de dois furos laterais; as fossetas lacrimais); a cabeça (formato triangular); a cauda (afunila rapidamente); o hábito (noturno); e o padrão da cor (na cobra-coral verdadeira, os anéis coloridos dão a volta completa).
Para serpentes de hábitos diurnos a pouca visão e o olfato eficiente são totalmente satisfatórios para a atividade de caça. Mas as serpentes noturnas não contam com a visão pois a ausência de luminosidade a torna ineficiente. Assim sendo, mesmo com um olfato apurado, reconhecer o ambiente e perceber a presença de alimento é apenas parte do problema. É preciso saber em que direção e distância exata a presa se encontra e ainda como apanhá-la, se estiver se movimentando. Algumas dessas serpentes de hábitos noturnos, desenvolveram um mecanismo de localização de alimento extremamente eficiente e preciso.
As serpentes são carnívoras e caçadoras por natureza. Só comem proteína animal e recém-capturada. Todos os animais de sangue quente (aves e mamíferos), corretamente denominados de homeotérmicos, emitem raios de calor do tipo infravermelho, formando uma espécie de áurea invisível. As serpentes noturnas, que se alimentam de animais homeotérmicos, possuem, de cada lado da cabeça, um orifício entre o olho e a narina, chamado de Fosseta Loreal. Estas aberturas, direcionadas para o focinho do animal, possuem uma membrana ricamente enervada com terminações nervosas capazes de perceber variações de calor de até 0,5 graus Celsius num raio de 5 metros de distância.
As emissões de calor emanadas pelo animal homeotérmico, atingem a membrana e, por meio das enervações ligadas ao cérebro, criam uma imagem térmica altamente precisa, fornecendo o tamanho do animal (através das concentrações dos raios infravermelhos), a distância (através da variação de temperatura) e os movimentos (pelo deslocamento da imagem térmica).