A a D - DAR BOLA

A bola é um objeto redondo ou oval, maciço ou cheio de ar comprimido, feito para ser jogado, batido ou chutado em jogos ou diversos tipos de esporte. Ninguém sabe dizer com exatidão quando foi inventada, mas os pesquisadores garantem que nos tempos de antigamente elas eram usadas por egípcios, gregos, romanos, astecas e outros povos, em brincadeiras de todo tipo. Foi dessa forma que nasceram diversas modalidades de esporte hoje praticadas em qualquer canto do mundo, algumas bem conhecidas do grande público, outras nem tanto assim, mas qualquer uma delas tendo a bola, seja de que tipo for, como acessório indispensável para sua disputa.

 

Mas como saber só disso não basta, o interesse sobre descobrir quem inventou a bola permanece insaciado. Exemplo? O escritor Mário Prata, uberabense famoso, faz essa pergunta em crônica publicada no jornal Estado de São Paulo, edição de 11 de abril de 2001. “Quem inventou a bola? E para quê?”, pergunta ele inicialmente aos seus leitores. E logo continua: “A bola de gude, por exemplo. Será que os soldados de Napoleão jogavam bolinha de gude em terreno cheio de neve? Será que a bola, quando foi inventada, já tinha ar dentro ou era compacta, inteira, de pedra, por exemplo, usada só para se jogar lá de cima na cabeça dos invasores, aqueles dos aríetes? Tenho certeza de que a bola não foi inventada diretamente para se bater um escanteio. Ou seja, o cara inventou o campo de futebol primeiro, a marquinha, o escanteio, e aí alguém disse: tem que colocar um troço aqui que, com um impulso vai lá para o outro lado, no segundo pau. Depois um doido inventou uma bola pequena e durinha que uns brancos avermelhados ficam batendo com um taco para ela entrar dentro de um buraquinho. Será que o buraquinho foi inventado primeiro e alguém disse: temos que bolar um negócio para entrar aí dentro?”.

 

E afirma mais adiante: “... tudo na vida evolui. Menos a bola. Tudo bem, umas eram de couro, hoje são de outro material. Mas o jeitão é o de sempre. .Tem até uma que é oval, típica de americano, que me parece que é para correr abraçado com ela. A de pingue-pongue, por exemplo, é a que mais me impressiona. Como é que colocam aquele ar lá dentro? Deve ser simples, coisa bem bolada, etc. Mas acho esquisito. Não evolui. Não tem bola quadrada, com pedaços saindo de lado, et cetera e tal. Tem bola com valores. A bola preta é a sete. A cor de rosa é a seis. Quem foi o cara que definiu e decidiu isso? Ela não evolui, mas cria novas expressões. A bola da vez, por exemplo. De repente uma pessoa pode virar, da noite para o dia, a bola da vez. Veja a importância da bola na nossa vida”.

 

Pois é. Mas voltando aos esportes, de todos eles o que conta com maior número de apreciadores e praticantes é o futebol. Dizem que ele existe desde épocas remotas, tendo sido passatempo da corte japonesa por volta de 2.500 a.C. O mesmo aconteceu na China, quando o imperador Chang-Ti, que reinou entre 32 a,C, e o ano 6 da nossa era, foi um entusiasta da sua prática, apesar dos cortesãos terem feito de tudo para convencê-lo de que aquela correria, além de cansativa, não combinava com a dignidade imperial. Na prática de educação física da mocidade grega figurava o episkiros, que parece ter sido o antepassado europeu do futebol, indo dali para a Itália, onde recebeu o nome de harpastum, sendo levado pelos legionários romanos a todos os cantos do império. Introduzido na Inglaterra pelos normandos, lá permaneceu até se tornar uma paixão nacional que aos poucos foi sendo transferida para outros países.

 

Da prática do morto e enterrado pedibola - termo proposto um dia, sabe-se lá por qual intelectual de plantão, para substituir o anglicismo futebol – pelos clubes futebolísticos de norte a sul do país, nasceram expressões nomeando ou classificando determinados tipos de atletas e situações de jogo, como perna-de-pau, frangueiro, pipoqueiro, botineiro, armandinho, tirar de letra, drible da vaca, estar na banheira, gol de bicicleta, dar de bico, na gaveta, dar lençol e outras mais. Entre elas dar a bola, gritada pelo torcedor do time de cá quando entende que um atleta do seu lado deve entregar a dita cuja ao companheiro de equipe em melhor posição, e isso bem rapidinho, para colocar o time de lá no maior sufoco. Com o tempo tal expressão escapuliu dos estádios, perdeu o “a” espremido entre as palavras inicial e final, e passou a ser aplicada em diferentes situações que envolvam algum tipo de interesse, tal como acontece na frase Eu estava falando para a turma e ninguém dava bola; em Aquela moça está dando bola para mim; ou ainda em Ele me criticou, mas eu não dou bola para isso.

 

Outros aproveitamentos logo foram surgindo aqui e acolá, dando à bola “um objeto redondo ou oval, maciço ou cheio de ar comprimido, feito para ser jogado, batido ou chutado em jogos ou diversos tipos de esporte”, inúmeros sentidos. Como abaixo:

 

Bater uma bola – jogar futebol.

Comer bola – cometer um erro por distração.

Trocar as bolas – confundir-se.

Estar com a bola toda (ou cheia) – ter prestígio.

Pisar na bola – cometer um engano; dar um fora, uma mancada (com alguém).

Ser a bola da vez – estar em evidência (positivo), ou estar prestes a ser objeto de análise, de crítica, de exclusão (negativo|).

Levar bola – ser subornado.

Ter bola de crista­l – ser adivinho; ter capacidade de prever o futuro.

Estar ruim da bola – estar maluco, doido.

Ser bom de bola – jogar bem (futebol).

Dar bola para alguém – dar atenção ou mostrar interesse.

Encher a bola de alguém – alimentar o ego de alguém lhe fazendo elogios.

Dar tratos à bola – empenhar-se, esforçar-se intelectualmente para obter determinado resultado.

 

 

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