Um homem foi à floresta e pediu às árvores que lhe dessem um cabo para o seu machado, alegando que precisava dele para sustentar a sua numerosa família. Considerando o sentido social e humanitário que aparentemente estava por trás daquela solicitação, o conselho das árvores mais velhas se reuniu, colocou o assunto em discussão, e ao final do encontro concordou com o que o lenhador desejava, dando a ele uma árvore jovem, ainda, para que com ela o solicitante pudesse preparar a peça de que necessitava para guarnecer o seu instrumento de trabalho.
De posse da autorização o homem não perdeu tempo e tratou de entrar em ação imediatamente: para começar, ele cortou a arvorezinha que as árvores mais velhas lhe haviam dado e fez com ela o cabo de que precisava, colocando-o em seu machado; em seguida, passou a usá-lo numa faina incessante, derrubando em pouco tempo, com seus golpes potentes e certeiros, um bom número das mais nobres, das maiores e das mais antigas árvores da mata.
Em ...
Continue a leitura...
Na fazenda, a época era de preparação do solo para plantio, e por isso desde cedo o dono da propriedade fazia seus dois bois irem e virem de um lado a outro do terreno puxando o arado tosco, um galho de madeira dura que servia para cavar a terra, erguê-la e revolvê-la. O trabalho era monótono, penoso e cansativo, mas os bois eram fortes, estavam acostumados a essa lida, e o resultado é que executavam sua tarefa com a paciência e conformismo que somente os bovinos possuem.
Ali perto, uma bezerra já bem crescida acompanhava aquele vai e vem ininterrupto dos bois grandalhões, e se compadecia da má sorte que o destino lhes impusera. “Coitados – pensava ela -, que vida mais sem graça a desses coitados, que não fazem outra coisa senão trabalhar, trabalhar, trabalhar... Feliz sou eu que posso desfrutar o quanto queira de tudo aquilo que a natureza me oferece, sem ser obrigada a coisa nenhuma”.
Os bois não a ouviam, mas adivinhavam seus pensamentos. Afinal de contas, ...
Continue a leitura...
Se lutamos contra o fascismo, ao lado das Nações Unidas, para que a liberdade e a democracia sejam restituídas a todos os povos, certamente não pedimos demais reclamando para nós mesmos os direitos e as garantias que as caracterizam. A base moral do fascismo assenta sobre a separação entre os governantes e os governados, ao passo que a base moral e cristã da democracia reside na mútua e confiante aproximação dos filhos de uma mesma pátria e na conseqüente reciprocidade da prática alternada do poder e da obediência por parte de todos, indistintamente. No momento em que o mais antigo - o precursor dos Estados totalitários - naufraga no mar profundo dos seus próprios vícios, pressente-se que se aproxima, para todos os povos, a oportunidade de uma retomada de consciência dos valores democráticos, ou, para melhor dizer, de sua regeneração pelo sentimento e pelo pensamento (na ilustração ao lado, Adauto Lúcio Cardoso).
Seu passageiro declínio explica-se pelo encanto da aparente novidade de que se revestiu a doutrina fascista. Só não desejam mudar os homens que estão tranqüilos. Os ...
Continue a leitura...
Localizado no nordeste gaúcho, na região dominada pelos campos ondulados do planalto da Serra Geral e conhecida como Campos de Cima da Serra, o município de Cambará do Sul, distante 190 quilômetros de Porto Alegre, oferece a quem o visita a oportunidade de conhecer o Parque Nacional da Serra Geral, que preserva um ecossistema de rara beleza e importância. Criado em maio de 1992 como forma de ampliar a área de proteção dos grandes e famosos cânions brasileiros, esse parque - com área de 17.300 hectares que se estendem por terras dos municípios de Jacinto Machado e Praia Grande, em Santa Catarina, além das de Cambará do Sul - é como uma extensão do Parque Nacional de Aparados da Serra, compondo com ele uma área de conservação bem mais ampla.
Cambará do Sul é conhecida como a “terra dos canions”, termo usado em geologia para designar um vale profundo com paredes abruptas formando penhascos, geralmente escavado por um rio. Eles são também chamados de canhão, desfiladeiro ou garganta, e alguns exemplos são o Grand Canyon, nos Estados Unidos, ...
Continue a leitura...
O asno e a raposa firmaram entre si um acordo que garantia mútua proteção, ou seja, pelo combinado eles não só não se agrediriam, como também dariam segurança um ao outro e trabalhariam em conjunto na busca dos alimentos de que precisavam.
Depois de tudo acertado, os dois entraram na floresta, mas não foram muito longe e encontraram pela frente um leão com cara ameaçadora. Esperta como era, a raposa percebeu de imediato a situação perigosa em que se encontravam, e por isso aproximou-se do leão e propôs ajudá-lo na captura do asno, desde que rei dos animais prometesse não molestá-la.
Como este concordou de pronto com a proposta que lhe era feita, a raposa levou o asno até a entrada de uma caverna, e o convenceu a entrar lá dentro garantindo que existia muita comida guardada no interior daquele lugar.
Do lado de fora, ao perceber que tinha assegurado a captura do asno no momento em que isso ...
Continue a leitura...
Curitiba surgiu como arraial de mineração por volta de 1647. Fundada no planalto oriental paranaense a uma altitude de 900 metros, e não muito distante da Serra do Mar, era chamada de Nossa Senhora da Luz do Pinhais, nome que mais tarde foi mudado para Campos Limpos de Coritiba.
Durante dois anos pertenceu à comarca de Paranaguá, e seu progresso foi muito lento porque não se situava na rota das atividades econômicas mais importantes da época: a mineração, restrita pela relativa escassez de ouro, centralizava-se mais em Paranaguá, e a rota de gado, ligando Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, corria pelo planalto central, favorecendo Ponta Grossa.
Somente em 1812 ela se desvinculou da comarca de Paranaguá, e trinta anos depois foi elevada a categoria de cidade, mas seu desenvolvimento começou realmente quando a província do Paraná desmembrou-se de São Paulo (1853), e a localidade, então com 6.000 habitantes, tornou-se sede do novo governo provincial.
Continue a leitura...
Na mitologia grega, Poseidon (ilustração), um dos principais deuses do Olimpo, era o senhor do mar, dos rios e das fontes. Filho de Cronos (Saturno) e Cibele (Rea), em seu nascimento a mãe o escondeu na Arcádia, e fez o pai acreditar que teria dado a luz a um potro, que foi prontamente devorado por ele. Como comandava o movimento das águas salgadas e doces, os terremotos e as tempestades, ele promovia a segurança dos marinheiros, ou a destruição dos navios que os transportavam, de acordo com a sua vontade. Irmão de Hera (Juno), Hades (Plutão) Zeus (ou Júpiter, para os romanos), deus supremo dos helenos, Poseidon morava em um palácio de ouro construído no fundo do mar, costumando percorrer os seus domínios em uma carruagem também de ouro, atrelada a cavalos que corriam velozmente pela superfície dos mares e oceanos, levando consigo o tridente - uma lança terminada em três pontas -, com a qual podia provocar terremotos na terra.
Violento e irascível, ele vivia em constante discussão com os demais deuses, e às vezes, ao irritar-se além ...
Continue a leitura...
Em cumprimento ao disposto nos artigos 26 e 27 do Ato Adicional aprovado em 12 de agosto de 1834, realizou-se no país, em 07 de abril de 1835, a eleição para preenchimento do cargo de Regente Único, com mandato de quatro anos, renovável por igual período através de processo eletivo, procedimento que deveria ser adotado durante a menoridade de D. Pedro, o futuro imperador.
A Constituição Outorgada de 1824 determinava que os eleitores – cinco mil em todo o império, cuja população, na época, beirava os cinco milhões de habitantes, aproximadamente – deveriam ser cidadãos ativos, ou seja, somente os que poderiam votar e ser votados, e foram eles que escolheram entre os dois candidatos inscritos no pleito, cidadãos brasileiros natos, de um lado o paulista Diogo Antônio Feijó, apoiado pelas forças políticas do sul e do sudeste, e de outro o pernambucano Antônio Francisco de Paula Holanda Cavalcanti de Albuquerque, cuja família controlava cerca de um terço dos engenhos de açúcar instalados em Pernambuco.
Apurados os votos, verificou-se ...
Continue a leitura...
As águas tropicais dos oceanos Índico e Pacífico abrigam 27 espécies de um tipo de peixe muito procurado pelos aquariófilos, ou aquaristas, indivíduos dedicados à criação de peixes em aquários. Conhecidos popularmente pelo nome de peixe-palhaço, ou anfitrião, eles estão agrupados em duas famílias: Amphiprion e Premnas, que por sua vez se distribuem em várias subfamílias de tamanhos variados, como, por exemplo, a Amphiprion ocellaris, natural da Indonésia, Singapura, Austrália, Filipinas, com 17cm de tamanho e sem sexo definido ao nascer (no futuro o mais dominante do grupo se transformará em uma fêmea); ou a Premnas biaculeatus, ou Palhaço maroon, das Ilhas Marshall, com 11cm e vivendo em pares onde os machos são muito menores que as fêmeas.
Na natureza os peixes-palhaço preferem os ambientes de baixa profundidade, e como são pequenos e aparentemente frágeis, embora fortes e ágeis em sua movimentação, procuram a companhia das anêmonas-do-mar, animais que se prendem às camadas de rocha por um pé adesivo. Armada em seus muitos tentáculos (que podem variar de 10 a 100, conforme a espécie) com dardos ...
Continue a leitura...
Em 22 de junho de 2007, na cidade de Petaluma, na Califórnia, Estados Unidos, durante a feira do condado de Marin-Sonoma, um cão de nome Elwood, com dois anos de idade, ganhou o título de cão mais feio do mundo, e junto com ele, um prêmio de mil dólares. No ano anterior, ele havia conseguido a segunda colocação.
Mestiço das raças Chinese Crested e Chihuahua, com pelagem curta e de cor escura, Elwood pertence a Karen Quigley, moradora de Sewell, New Jersey.
Como ele tem dentes só na metade da boca, sua língua fica quase sempre pendendo para fora, do lado esquerdo, e quando é movimentada para cima acaba machucando seu olho, que por causa desse incômodo permenece sempre fechado.
Por achar que Elwood ficara muito feio, sua primeira dona decidiu entregá-lo para a carrocinha. Mas quando o marido de Karen ficou sabendo que ele seria sacrificado, levou sua esposa até o canil, o que acabou salvando a vida ...
Continue a leitura...
Acredito que todos vocês já tenham ouvido falar do Meteopé e Cevaitê, os dois times de futebol que agitam o dia-a-dia esportivo de Periquitinho Verde. De passado brilhante, mas ofuscado presente, essas duas agremiações continuam alimentando desvairadas paixões futebolísticas em todas as camadas sociais da cidade, fazendo nascer dessa extremada bem-querença, uma rivalidade esportiva que vai muito além das porventura existentes em outras localidades mais importantes de nossas terras, ou mesmo das estranjas.
Melhor dizendo: os cruzeirenses e atleticanos, os flamenguistas e vascaínos, os gremistas e colorados, ou quaisquer outros desses aficionados de carteirinha, são “fichinha” diante dos meteopenses e cevaitenses, que de tanto torcer chegam, às vezes, até mesmo à beira da irracionalidade.
Esse antagonismo clubista vem proporcionando, há anos, o surgimento de inúmeras histórias ligadas ao apaixonante “esporte bretão”. Elas são aparentemente inverossímeis, mas apesar disso, logo se incorporam ao rico acervo folclórico da cidade, passando a ser aceitas como narrativas honestas de situações incomuns não menos verdadeiras, vividas por periquitinhoverdenses de outros tempos. Dentre as tantas existentes, merece ser lembrada a dos dois atletas que ...
Continue a leitura...
Situada a 292 km de Belo Horizonte, e contando hoje com uma população estimada entre 45/50 mil habitantes, Diamantina, na borda da serra do Espinhaço, é um patrimônio cultural da humanidade: em 1938, o conjunto arquitetônico do seu centro histórico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e em 1999, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial.
Sua história principia no início da segunda década do século 18, época em que os bandeirantes vasculhavam a região do Jequitinhonha em busca dos metais preciosos. Como bem diz o jornalista Marcelo JB Rezende, “Os desbravadores chegaram em busca de ouro, mas não demorou muito para que descobrissem que a vocação daquela terra era outra. Uma vocação que consumiu milhões de anos da natureza e presenteou o homem com uma verdadeira preciosidade”.
Um desses aventureiros era Jerônimo Gouvêa, que tinha como objetivo maior a exploração do vale do rio Jequitinhonha, onde, afinal, acabou encontrando o ouro que procurava. Com a divulgação do achado os garimpeiros começaram a chegar à região atraídos ...
Continue a leitura...
De um lado cantava o sol,
do outro, suspirava a lua.
No meio, brilhava a tua
face de ouro, girassol!
Ó montanha da saudade
a que por acaso vim:
outrora, foste um jardim,
e és, agora, eternidade!
De longe, recordo a cor
da grande manhã perdida.
Morrem nos mares da vida
todos os rios do amor?
Ai! celebro-te em meu peito,
em meu coração de sal,
Ó flor sobrenatural,
grande girassol perfeito!
Acabou-se-me o jardim!
Só me resta, do passado,
este relógio dourado
que ainda esperava por mim . . .
Continue a leitura...
Trechos do Manifesto Republicano publicado no dia 3 de dezembro de 1870, no jornal A República, do Rio de Janeiro.
“No Brasil, antes ainda da idéia democrática, encarregou-se a natureza de estabelecer o princípio federativo. A topografia do nosso território, as zonas diversas em que ele se divide, os climas vários e as produções diferentes, as cordilheiras e as águas estavam indicando a necessidade de modelar a administração e o governo local acompanhando e respeitando as próprias divisões criadas pela natureza física e impostas pela imensa superfície do nosso território. Foi a necessidade que demonstrou, desde a origem, a eficácia do grande princípio que embalde a força compressora do regime centralizador tem procurado contrafazer e destruir (na ilustração, jornalista Quintino Bocaiúva, um dos redatores do manifesto)”.
“Enquanto colônia, nenhum receio salteava o ânimo da monarquia portuguesa por assim repartir o poder que delegava aos vassalos diletos ou preferidos. Longe disso, era esse o meio de manter, com a metrópole, a unidade severa do mando absoluto. As rivalidades e os conflitos ...
Continue a leitura...
Há milhares de anos o arroz é o alimento básico de mais da metade da população mundial, chegando seu consumo anual por pessoa, em alguns países da Ásia, a ultrapassar 130 quilos. Assim como a cevada e a aveia, o arroz cresce dentro de uma casca protetora que precisa ser removida para que o grão possa ser utilizado como alimento. Com isso, muitos nutrientes se perdem, como o farelo e os germens, removidos no processo utilizado para obtenção do arroz branco. O arroz integral, que consiste de caroços intactos com camadas de farelo, tem um valor nutritivo maior do que o arroz branco, mas contém o ácido fítico, uma substância que interfere na absorção do ferro e do cálcio.
As 25 espécies desta gramínea são tidas como originárias da Ásia e da África, sendo provável que tenham surgido no Período Cretáceo, há 120 milhões de anos. Com a passagem do tempo e com o progresso da agronomia e das técnicas agrícolas, conseguiu-se chegar a variedades muito aprimoradas que oferecem maior produtividade e grandes lucros aos plantadores.
Continue a leitura...