A a D - DERRAMAR LÁGRIMAS DE CROCODILO

Os crocodilos pertencem à ordem dos répteis aquáticos e estão divididos em famílias diferenciadas entre si pelo formato do focinho mais ou menos alongado. Todas essas espécies são providas de unhas, com os machos e fêmeas possuindo dois pares de glândulas não visíveis externamente, um situado na região do pescoço e o outro na cloaca, ambos produzindo almíscar, substância amarga e de coloração amarelada que se evapora com extrema facilidade e exala forte odor, sobretudo durante o cio.

 

Os costumes desses animais são assemelhados, ou seja, eles vivem na água dos grandes rios e nos brejos, embora também consigam sobreviver na água salgada. Conhecidos pelo temperamento pouco dócil, bravo e arredio, os crocodilos são bons nadadores e normalmente podem ser encontrados reunidos em grande número. De hábitos crepusculares ou noturnos, só acidentalmente procuram a terra firme, ora para se aquecerem ao sol, ora para migrarem de um local a outro, ou simplesmente depositar seus ovos na areia. Extremamente vorazes, os crocodilos alimentam-se com qualquer tipo de animal morto ou vivo, sendo capazes de engolir presas de tamanho quase igual ao seu. E a sofreguidão com que eles fazem isso acabou despertando nos homens de antigamente o interesse em descobrir por qual razão esses grandes predadores deixavam escapar algumas lágrimas na hora da refeição.

 

Essa curiosidade vinha de longa data, e a primeira explicação quem deu foi Caio Plínio Segundo (que viveu de 23 a 79), um naturalista romano mais conhecido como Plínio, o Velho, ao sugerir que os crocodilos do rio Nilo choravam ruidosamente e manifestavam desespero somente para despertar a compaixão de passantes incautos, que assim se aproximavam deles e eram devorados. Segundo a lenda, Plínio Segundo era um homem que gostava de saber das coisas, e morreu por causa dessa curiosidade científica quando tentava observar mais de perto a erupção do vulcão Vesúvio que soterrou as cidades de Pompéia e Herculano. Além de ter escrito uma Historia de Roma e várias crônicas históricas, infelizmente perdidas, Caio Plínio Segundo também foi autor da “Historia Natural”, terminada no ano 77 e preservada até hoje, composta por 37 livros que constituem um autêntico tratado enciclopédico da Antigüidade, já que trata de Cosmologia e Astronomia (2 livros), Geografia e História (4 livros), Zoologia (5 livros), Botânica e Agricultura (8 livros), Medicina (13 livros), Geologia, Mineralogia, Metalurgia e Arte (5 livros). Esta obra, que contém um grande número de informações baseadas em conceitos fantásticos e relatos de viajantes, foi uma das mais lidas durante dezenas e dezenas de anos.

 

Uma outra versão sobre as lágrimas dos crocodilos, mais ou menos parecida com a anterior, surgiu durante a Idade Média, e garantia que esses répteis realmente costumavam chorar após devorar alguém, mas seus criadores não se preocuparam em determinar por qual razão as feras faziam isso. Muitos anos depois surgiu finalmente a terceira explicação, que é a mais aceitável de todas: como a conformação da cabeça do crocodilo tem a forma achatada, uma forte pressão é exercida contra o céu da boca no momento em que ele mastiga a sua presa, o que comprime as glândulas lacrimais e provoca o derramamento de lágrimas.

 

Seja como for, o certo é que a imagem de um bicho engolindo alguém ou outro bicho, ao mesmo tempo em que chora, deu origem à expressão popular "derramar lágrimas de crocodilo", cujo significado indiscutível é o de que essa é a manifestação cínica de uma falsa tristeza.


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