A a D - DIA "D"
Dia “D” é a expressão usada para indicar que algo importante deverá ser feito em determinada data, ou como advertência de que aquele será o prazo concedido a alguém para o cumprimento de qualquer tarefa ou obrigação. Essa frase foi criada ao final da 2ª Guerra Mundial, quando tropas integradas principalmente por soldados ingleses, americanos e franceses, estavam sendo preparadas para atacar os alemães.
Tudo começou em 1940, ano em que a Alemanha invadiu a Holanda. Bélgica e França. Por isso, soldados britânicos desembarcaram no continente europeu para defender os países amigos, mas se viram forçados a retornar às pressas, atravessando o canal da Mancha e deixando para trás suas armas, equipamentos e munição, sob pena de serem dizimados. Esse desastre militar conhecido como Retirada de Dunquerque, não foi assimilado pelo comando das tropas aliadas, que logo em seguida iniciou a formação de forças de elite compostas por homens treinados em operações anfíbias, cuja missão era a de atacar e efetuar o reconhecimento das fortificações alemãs levantadas ao longo da costa européia.
Em janeiro de 1943 o general britânico Frederick Morgan foi encarregado da preparação de um plano de invasão da França, cujo esboço ele apresentou ao alto comando aliado em agosto do mesmo ano, com o nome de Operação Overlord, no qual o dia da execução ficava estipulado provisoriamente para 1º de maio de 1944. Por questões de segurança a data acertada passou a ser conhecida como o Dia “D”. Em dezembro de 1943, durante conferência entre Winston Churchill, primeiro-ministro inglês, e o presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt, o general americano Dwigt Eisenhower recebeu o comando da operação porque o grosso do efetivo encarregado da invasão seria formado por soldados do seu país. Porém, questões táticas e meteorológicas determinaram a transferência da data da invasão primeiramente para 05 de junho, e depois para 06 de junho de 1944, quando então 10 colunas de navios que se estendiam por mais de 30 quilômetros, transportaram os 156.000 homens e 20.000 veículos desembarcados em cinco praias francesas. Tamanho foi o sigilo sobre o Dia “D”, que os alemães só tomaram conhecimento da data, hora e local da invasão quando ela já estava em pleno andamento.
Esse momento decisivo na história da Segunda Guerra Mundial foi descrito da seguinte forma pelo professor e escritor gaúcho Voltaire Schilling:
Desde 1942, Hitler, com 65% das suas divisões de combate lutando no oriente contra os soviéticos, decidira proteger o front ocidental erguendo uma série de casamatas no litoral do Atlântico: a Muralha do Atlântico. Cobriria a costa da Noruega até o norte da Espanha. Pronta, a Atlantic Wall lembraria um colar de cimento e ferro com bunkers construídos a cada 300 metros, aparelhados com canhões navais de 152mm. capazes de expulsar ou manter a distância qualquer barco mais ousado. Ainda 58 divisões participavam da guarda, sendo que 10 delas eram divisões Panzer. Caso o inimigo ultrapassasse a primeira linha fortificada, era o plano do general Erwin Rommel, os tanques seriam deslocados rapidamente para vedar a brecha e fazê-los retroceder de volta à praia. Para o OKW, o alto comando alemão, a dúvida era saber por onde exatamente os aliados fariam o seu desembarque. Hitler acertou no alvo. Ao contrário do que sustentava o marechal von Rundstedt, de que os invasores viriam pelo estreito de Calais, que era o caminho mais curto, percebeu que os aliados precisariam de um grande porto, e este ficava em Cherburgo na Normandia.
Na madrugada do dia 6, mais de 800 aviões conduzindo a bordo três divisões aerotransportadas anglo-americanas, lançaram tropas pára-quedistas atrás das defesas alemãs, exatamente para desbaratar a estratégia de Rommel, fazendo a maior confusão possível. Ao amanhecer, exatamente às 6.30 h. deu-se a vez dos lanchões de desembarque. Milhares deles apareceram na frente das cinco praias previamente acertadas (seus codinomes eram Omaha,Utah, para os americanos; Juno, Gold, Sword para os anglo-canadenses). Os sentinelas alemães ficaram atônitos ao se depararem em meio a névoa matinal que se dissipava com um horizonte tomado por embarcações. Em seguida, um calor dos infernos abateu-se sobre eles. Do mar, 500 navios de guerra abriram as baterias contra as linhas de defesa. Do alto, despencavam toneladas de bombas dos 10 mil aviões que participavam da operação. Um dilúvio de explosões praticamente paralisou-lhes a resistência.Nos dias seguintes, o trabalho da força aérea aliada, da USAF e da RAF, foi seccionar a Normandia do restante da França por meio de bombardeios seletivos que destruíram todas as pontes sobre o rio Loire e o rio Sena. Isoladas, as guarnições alemãs que resistiam à invasão ficaram impedidas de receber reforços das Divisões Panzer que estavam aquarteladas em outros lugares.
Ao todo, aconteceram 10 mil baixas do lado aliado neste primeiro lance da Operação Overlord, que é considerada a maior ofensiva anfíbia de guerra já ocorrida.





