A a D - DOENÇA DE SÃO GUIDO
A coréia é uma doença nervosa que nos casos brandos obriga os pacientes a movimentos convulsivos e contínuos no rosto e nos membros, mas que nos casos graves ataca todo o sistema muscular do organismo. Quando a perturbação ainda está na fase inicial, esses movimentos quase não são percebidos, tornando-se depois mais freqüentes e agitados, podendo ser acompanhados de algumas manifestações psíquicas como terrores noturnos, alucinações transitórias, e até mesmo delírio, estupor e demência aguda. A doença tem um curso normal de seis a dez semanas, podendo chegar até três ou quatro meses, atacando de preferência as crianças de cinco e quinze anos, principalmente as do sexo feminino, e também as mulheres grávidas. Seus primeiros sintomas são distração, depressão, irritabilidade nervosa, perda de apetite e conseqüente anemia.
Por outro lado, São Vito (?-303), também chamado por muitos de Guido, foi um mártir italiano filho de pagãos, mas educado na fé cristã por Santa Crescência e São Modesto. Denunciado pelo próprio pai a Valeriano, que era o governador da província da Sicília, para que este tomasse as providências determinadas pela lei, Vito conseguiu escapar de sua terra natal em companhia do casal de mestres religiosos, mas acabou sendo preso e martirizado no então distrito de Lucânia, localizado ao sul da Itália, durante a perseguição decretada por Deocleciano. Entretanto, publicações católicas esclarecem que o santo, considerado padroeiro dos epilépticos e um dos mais populares na Idade Média; foi realmente capturado em Roma e torturado, mas tendo sido libertado por um anjo, retornou à terra natal e lá morreu em paz. As duas versões são duvidosas, e o que se sabe com certeza é que existiram em Lucânia três mártires com esse mesmo nome, e que o culto a São Vito foi ganhando adeptos devido aos vários milagres a ele atribuídos. Sua festa é celebrada no dia 15 de junho.
O nome do santo é geralmente empregado para indicar a coréia, e essa associação existente entre São Vito e a doença nervosa provavelmente se prende ao fato de que pessoas atacadas do mal começaram a procurar a capela do santo, erguida na Suábia, um antigo ducado alemão da Idade Média, para pedir sua proteção. Porém, os defensores de uma outra versão acreditam que a coréia foi apelidada dessa forma porque no século 17 os moradores de algumas cidades alemãs acreditavam que as pessoas portadoras do mal poderiam alcançar a cura se dançassem diante da imagem do santo, no dia de sua festa. A orientadora e consultora de danças Eliana Caminada, que responde pelas disciplinas História da Dança e Técnica de Ballet Clássico no Centro Universitário da Cidade, no Rio de Janeiro, esclarece que essa dança de São Vito, ou São Guido, é descrita como parte de uma cerimônia mórbida em que, no quarto de um moribundo, o dançarino executava uma dança em desarmonia com o corpo, composta de movimentos convulsivos e espasmódicos, até começar a babar e perder a consciência.
Seja como for, o fato é que o nome pegou e virou expressão popular, razão pela qual se costuma dizer comumente que as pessoas agitadas, dessas que não param quietas em seu lugar ou apresentam movimentos involuntários provocados por contrações nervosas no rosto ou em outras partes do corpo, estão com a “doença de São Guido”.





