A a D - ARRASTAR A ASA

Para homens e mulheres, a palavra namorar tem muitos significados, entre eles os de procurar inspirar amor a alguém, galantear, cortejar, fitar insistentemente e com afeto, desejar possuir, chamar, atrair, fazer a corte, empregar todos os esforços para conseguir alguma coisa, forcejar ou fazer diligência na tentativa de obter algo. No terreno amoroso, esse comportamento também é comum entre os animais, como no caso do pavão, por exemplo, que pratica o cortejo mais deslumbrante do reino das aves: durante o período de acasalamento ele fica se exibindo com pompa para as fêmeas que passam pelo seu território, abrindo a longa cauda azul e verde em forma de leque, na esperança de atrair uma companheira.

 

A andorinha fêmea, por sua vez, encontra na simetria e tamanho da cauda de uma andorinha macho as respostas para suas dúvidas sobre o parceiro ideal, e este, para chegar a essa condição, precisa ser forte e robusto, pois vai consumir muita energia no esforço ingente de fazer sua cauda crescer. Mas a dança também está presente no processo de acasalamento de outras espécies de animais, servindo para anunciar intenções ou simplesmente atrair uma parceira. Entre os pássaros, alguns têm procedimento especial, como as aves-do-paraíso, da Nova Guiné, que desfilam suas penas brilhantes contra o verde escuro da copa das árvores durante as espetaculares danças de cortejo que executam; ou os pica-parras do oeste da América do Norte, cujas danças de cortejo incluem a cerimônia da corrida: nela, os casais emergem junto das águas, mantêm-se eretos com as patas submersas, e correm juntos alcançando uma distância de 20 a 30 metros.

 

Mas como os pássaros não conseguem armazenar esperma, eles precisam acasalar diversas vezes para garantir que o ovo seja fecundado, o que deve ser feito antes da casca ser formada. É o que acontece com o galo, conhecido como senhor do terreiro, que procura interessar e atrair a galinha com o arrastar das suas asas no chão, enquanto rodopia próximo à ela com o objetivo de impressioná-la. Foi daí que nos veio a expressão arrastar a asa, usada para identificar a situação em que alguém com intenções românticas se insinua junto a outra pessoa, tentando conquistá-la através do uso de galanteios ou fazendo charme. Da mesma forma como o galo, à sua maneira, faz quando corteja a fêmea que está na sua alça de mira.

 

Com relação ao galo, que a linguagem popular costuma apresentar como símbolo do macho dominador, sua figura é utilizada em um sem número de outras expressões populares que ressaltam essa sua característica. É o caso, por exemplo, das frases “onde há galo não canta a galinha”; “onde o galo canta, não canta a galinha”; “cantar de galo”; “o galo daqui sou eu”; “galo no seu poleiro briga com o mundo inteiro”; “cada galo em seu terreiro”; “triste é a casa onde a galinha canta e o galo cala”; “onde o galo canta, aí janta”, além de outras com sentidos diversos, como “cozinhar o galo”, com significado de matar o tempo, fazer horas; “ao cantar do galo”, indicando o período da madrugada”; e “galo de briga”, sinônimo de indivíduo irritadiço, que briga por qualquer motivo ou que está sempre a provocar brigas.


Uma curiosidade sobre galos: o significado da palavra inglesa cocktail (ou coquetel, na forma aportuguesada), é rabo de galo, e sua origem tem algumas versões extremamente interessantes, embora improváveis. Uma delas conta que na Guerra da Independência norte-americana, a viúva de um soldado revolucionário decorava os drinques que servia em seu bar com as penas roubadas de um galo do inimigo; a segunda explicação associa a palavra às penas de galo usadas para mexer às bebidas servidas aos apostadores das brigas dessas aves, realizadas na região do Mississipi; e uma terceira fala de um drinque preparado por uma garçonete mexicana muita bonita chamada Coctel, daí ter sido batizado com o seu nome.

 

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