N a Q - PONTA DO ICEBERG
Iceberg é uma massa de gelo flutuante que se desprendeu das geleiras polares e foi carregada pelas correntes marinhas até regiões navegáveis bem distantes das regiões polares. Apenas um nono da altura total do iceberg se conserva acima da superfície, ficando a maior parte submersa. Ou seja: caso um desses blocos de água congelada tenha altura total de quarenta e cinco metros, apenas cinco metros estarão à vista, enquanto os outros quarenta metros permanecerão mergulhados no mar. O degelo dos icebergs acontece em conseqüência do trabalho erosivo das ondas e da fusão natural provocada pelo contato com águas mais quentes, mas durante sua viagem com destino ignorado, o iceberg sofre constantes mudanças de inclinação e mesmo reviravoltas, devido ao rompimento do equilíbrio.
O bloco de gelo gigantesco que forma um iceberg pode medir quilômetros, e por incrível que pareça, não é salgado, mas sim constituído da água doce que ficou congelada em geleiras da Antártica e Groenlândia, os dois principais pontos onde eles são formados. Os icebergs existem há mais de dez mil anos, e o peso de um deles, de tamanho médio, chega facilmente aos vinte milhões de toneladas. Mas o maior já encontrado flutuando à deriva tinha 335 quilômetros de comprimento por 97 quilômetros de largura, área superior à da Bélgica, e foi localizado em dezembro de 1956 pelo navio norte-americano Glacier, no Oceano Pacífico.
Como se observa, os icebergs podem atingir, algumas vezes, quilômetros de comprimento e dezenas de metros de altura, variando muito quanto ao seu tamanho e conformação. Os provenientes do hemisfério Norte são quase sempre resultantes da fragmentação de geleiras costeiras, apresentando formato irregular e relevo acidentado, enquanto os do hemisfério Sul, um continente austral que é praticamente uma só geleira com costas planas, são achatados. Algumas vezes eles provocam ruídos ou se abrem em fendas de tamanhos variados, e a explicação para o fenômeno está na pressão a que ficam sujeitas as bolhas de ar nele contidas.
Os estudiosos começaram a se interessar pelos icebergs em fins do século 18, devido ao aumento do número de embarcações afundadas depois que se chocaram com eles. Desses desastres, o mais triste aconteceu com o transatlântico Titanic, que naufragou em 14 de abril de 1912, durante sua primeira travessia da Europa para a América, provocando a morte de quase 1.600 pessoas. Em virtude disso, realizou-se em 1913 uma conferência internacional cujo objetivo era o estudo de medidas que pudessem minimizar o problema, tendo como resultado a criação de um serviço de patrulhamento feito por barcos e custeado pelas nações interessadas na navegação através da zona considerada como perigosa.
A expressão “ponta do iceberg” lembra o perigo representado pelos blocos de gelo flutuando sem rumo pelos mares, uma vez que eles mostram pouca coisa do que são, em relação ao risco que oferecem a navegantes desprevenidos. Da mesma forma como acontece na linguagem popular, que utiliza a frase-feita para classificar as situações em que o indivíduo pensa ter pela frente algum problema de pequena importância, quando na verdade, alguma coisa muito pior vai lhe aparecer pela frente, a qualquer momento.





