N a Q - PÔR A ALMA PELA BOCA
Na versão bíblica do Gênesis, “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe no rosto um sopro de vida, e o homem se tornou um ser vivente (2:7)”. Esse texto transmite a idéia de que desde o início dos tempos a alma e o sopro, ou corrente de ar expelida do pulmão, têm uma relação estreita entre si, e a partir dessa interpretação a discussão sobre o que é a alma, considerada em simples definição da palavra como sendo o princípio vital e base da consciência e da conduta do indivíduo, não terminou jamais, fazendo com que através dos tempos as opiniões a propósito da sua natureza tenham variado profundamente de povo para povo, de religião para religião, de pensador para pensador.
Na alta antiguidade acreditava-se que a alma dos mortos vinha perturbar a existência dos vivos, e para impedir que ela fizesse isso os primitivos introduziam espinhos nos pés do cadáver, na suposição de que isto impossibilitaria o espírito de caminhar. Por outro lado, também se acreditava que a destruição do cadáver pelo fogo igualmente destruía a alma. Para os selvagens, a sombra do corpo, ou até mesmo a sua imagem, era a própria alma, e estava sujeita à maldade dos inimigos. Na Grécia antiga, Aristóteles considerava a alma o princípio que diferencia a substância viva da substância não viva, e distinguia três tipos de alma: a vegetativa, a animal e a racional. Para os seguidores de Pitágoras, o corpo é o túmulo da alma, e a vida na Terra não passa de um período de tempo durante o qual a alma utiliza-se do corpo como de um seu instrumento, enquanto Filon pregava que o corpo é uma prisão, um esquife, um túmulo para a alma, que aspira sempre se erguer para Deus.
A alma é representada como sendo a respiração da criatura, pois sem ela não existe nenhum tipo de vida. Assim, o respirar se tornou sinônimo natural de viver e existir, com a exalação do último suspiro correspondendo ao ato em que a alma abandona definitivamente o corpo em que estava alojada. Nasceu daí a interpretação de que “pôr a alma pela boca”, que é quando o cansaço faz o indivíduo respirar com grande dificuldade e se põe a sugar o ar sofregamente, sugere o fim da vida, e daí, por redundância, essa expressão popular passou a ser usada em todas as situações em que o indivíduo demonstra estar tremendamente cansado, ou com sofrimento excessivo, e por isso mesmo aparenta estar preste a encerrar os seus dias de vida.
Entre as muitas tentativas de explicação para a alma está no texto que diz: “Se você se beliscar poderá sentir que está vivo. Se alguém lhe chamar aos gritos, você certamente irá atender ao chamado. Seus sentidos lhe orientam como reagir a cada ato que ocorre em sua vida. Mas quando alguém a quem você ama muito lhe magoa ou lhe ofende, que sentido você usa para expressar o que sente, além das lágrimas que escorrem em sua face? Sua alma! Uma alma é energia divina, é existência além da matéria, é a parte de você que existe além do seu corpo e dos seus cinco sentidos. Não pode ser vista. A alma é para o corpo aquilo que o astronauta é para a roupa espacial; funciona como uma bateria, dando vida e animação. Tire o astronauta da roupa, e esta será basicamente inútil. Tire a alma do corpo, e o corpo basicamente desmorona. (Isso é a morte - a separação entre corpo e alma). É impossível dar uma definição concreta da alma, pois a alma não é uma entidade concreta mas abstrata. Não é matéria - é energia - mas também não é energia física. É energia Divina, um pedacinho de D'us dentro de você. A pessoa teria de na verdade fazer calar os sentidos para sentir a alma. Se você fosse cego, surdo, mudo, sem nariz e com o tato insensível, ainda estaria vivo dentro de si mesmo. Mas que parte de você ainda está viva? Eis o que é a alma.





