N a Q - QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COM GATO

A caça não é uma atividade exclusivamente humana, pois vários animais a praticam. O homem pré-histórico também a exerceu e, ainda hoje, povos primitivos vivem dela. No início, os caçadores usavam pedras e porretes, quando não simplesmente as próprias mãos, mas com o correr do tempo surgiram primeiramente as armas de arremesso, como lanças e flechas, e posteriormente as de fogo. O primeiro caçador de que se tem notícia foi Nemrod, filho de Cus, neto de Cam e bisneto de Noé. Em Gênesis, na Bíblia (10:8,9), está escrito que ele foi o primeiro homem poderoso sobre a terra e um grande caçador diante do Senhor. É provável que caçasse o leão e outros animais com a lança, como os assírios faziam nos tempos primitivos.

 

Com o passar do tempo a caça evoluiu graças à utilização do cão, do jaguar e de aves predadoras como o falcão, além do emprego de armadilhas de tipos variados e que funcionavam segundo uma enorme variedade de processos: o visgo, por exemplo, é conhecido desde a mais remota antiguidade. Entre os povos antigos os assírios caçavam com arco e flecha, a pé, a cavalo ou em carros de duas rodas, localizando suas presas com a ajuda de cães e leopardos amestrados; já os egípcios organizaram seu sistema de caça empregando cães e leões amestrados. Na Grécia e na Roma antiga a atividade da caça gozou de grande prestígio entre os homens da época, tanto que lhe atribuíam origem divina não só porque a deusa Diana e o deus Apolo se dedicavam a essa arte, mas também pelo fato de heróis míticos como Hércules, Teseu e Meleagro, terem sido grandes caçadores.

 

Bem mais adiante, já na Idade Média, existiam associações de caçadores na Alemanha, França e Inglaterra, as quais tinham caráter religioso e secreto.  Durante esse período, príncipes e nobres praticavam o que consideravam esporte utilizando, durante a sua execução, grande número de servos, batedores e cães. A caça de montaria, a que se fazia a cavalo e com a ajuda de cães, era dirigida por um mestre de caçada, indivíduo que gozava de grande estima por parte do rei e desfrutava de inúmeros privilégios.  Além dessa praticava-se também a altanaria (ou alta volataria e falconaria), na qual eram usados falcões ou outras aves adestradas.

 

Como se observa, a participação do cão nas caçadas realizadas pelo homem a título de esporte ou em  busca de alimentação, é prática que vem de longa data. Na Idade Média, sobretudo, o cão de caça recebeu grande atenção, tanto que nessa época já existiam numerosas raças selecionadas para um determinado tipo de busca, sendo abundantes as indicações sobre a maneira de os criar, alimentar e cuidar das doenças que os atacam. Certamente foi em virtude disso que surgiu a expressão “quem não tem cão caça como gato”, pois se ninguém entendia a prática dessa atividade sem que se tivesse ao lado um cão apto por instinto e adequadamente treinado para a tarefa, sugeria-se aos que se encontrassem nessa situação o emprego da astúcia, da malícia, da artimanha, da velhacaria e sagacidade, mesmos ardis do gato que se esgueira silenciosamente para conseguir capturar o que deseja. Com o tempo, porém, a locução sofreu pequena alteração e transformou-se em “quem não tem cão caça com gato”, exprimindo a idéia de que se alguém não pode fazer alguma coisa de determinada maneira, o único recurso que lhe resta é procurar uma outra forma de resolver o seu problema.

 

Sobre o gato, também presente nessa história, ele é um animal que apesar de domesticado tem grande predileção pela caça, distinguindo-se de tal forma como um grande predador de ratos que freqüentemente é criado para esse fim. Além disso, qualquer bichano igualmente aprecia pequenas aves e até mesmo répteis, não desperdiçando a oportunidade de apanhar peixes. Animal limpo e gracioso, o gato doméstico transformou-se, nos países civilizados, no único felino que vive espontaneamente na residência do homem.

 

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