R a U - SANGUE DE BARATA
Provida de uma casca dura e brilhante, e também de uma boca adaptada à mastigação, a barata é um dos mais eficientes destruidores de lixo da natureza.
Elas sofreram poucas mudanças em sua forma ao longo de mais de 300 milhões de anos, e sobrevivem mastigando matéria orgânica viva ou morta. Assim como aconteceu com o rato doméstico, as baratas também descobriram que onde os homens fazem suas casas há sempre um suprimento regular de restos de comida.
Valendo-se do seu corpo achatado para rastejar sob tábuas de assoalho ou entre fendas estreitas, a barata fixa sua moradia nas residências humanas porque nesses lugares há sempre grande quantidade de comida e calor artificial, situação ideal à subsistência de uma colônia de baratas.
Elas também contam com outras vantagens que contribuem para o sucesso de sua permanência nas casas: comem praticamente de tudo, inclusive papéis e capas de livros, e com seu rápido reflexo à luz tornam-se difíceis de serem capturadas.
Esse inseto tem vida longa e reproduz-se abundantemente - a fêmea da barata americana pode viver até quatro anos e colocar mais de mil ovos ao longo da vida. Embora não tenham uma visão aguçada, sua extrema sensibilidade a mudanças de luz e das ondas sonoras, que detectam através de pêlos sensitivos em um par de órgãos protuberantes localizados no rabo, permite que elas fujam ao menor sinal de perigo, desaparecendo rapidamente. São igualmente atentas às mínimas vibrações do solo, podendo perceber movimentos inferiores a um milionésimo de centímetro.
A barata se reproduz por meio de ovo, e morre logo depois de terminada a postura. As larvas, ao nascer, são brancas, e levam quatro anos até atingir completo desenvolvimento, realizando quatro mudas durante esse período. Inseto terrestre, só raramente elas voam, vivendo escondidas durante o dia e se movimentando à noite, à procura de alimentos.
Por fugirem da luz e de qualquer movimento que percebam, por mínimo que eles sejam, escondendo-se imediatamente em frestas, buracos, vãos e tubulações de esgoto, os homens passaram a vê-las como símbolos do medo e da covardia.
Daí se dizer que quando um homem é medroso além do normal, aceitando passivamente as ofensas que lhe são dirigidas, ou se afasta apressado ao perceber um possível envolvimento em situações de risco, é porque ele tem “sangue de barata”.





