Doenças - IMPOTÊNCIA
Impotência é a incapacidade do homem de realizar o ato sexual por causa de ereção ausente ou insuficiente do pênis, ejaculação precoce, dificuldade ou ausência de ejaculação, incapacidade de alcançar o orgasmo, falta de desejo ou de prazer. Têm-se demonstrado que os casos de impotência, em sua maioria, são de origem emocional, sendo raras as causas orgânicas (inflamações, tumores, degenerações neurológicas), que quando existem são bem evidentes.
Como é normal certa flutuação na capacidade sexual do homem, as irregularidades que acontecem em seu desempenho nessa área - causas de impotência ocasional - não deveriam preocupar ninguém. Daí falar-se de impotência apenas quando a dificuldade é acentuada, persistente e sentida como doença pelo indivíduo.
Os homens que têm um mínimo de sensibilidade psicológica não costumam apresentar um desempenho sexual automático, maquinal, desencadeado apenas pela presença de uma mulher, seja ela qual for, disposta a participar de uma relação. Por ser relativamente caprichosa, a sexualidade resiste a ser enquadrada em circunstâncias determinadas pela pessoa. Um coito regular requer uma escolha pessoal baseada no aspecto físico, nas características intelectuais ou afetivas, e na afinidade de pele e de cheiros, além de muitos outros fatores, como a escolha do lugar e a disposição do momento. Na verdade, o instinto sexual é predominantemente seletivo, e se as pessoas se guiassem por ele provavelmente teriam relações sexuais bem mais satisfatórias. Assim, a incapacidade sexual depende muito mais desses fatores que da vontade do homem.
A sexualidade acontece, ou seja, não é planejada, cabendo ao homem e à mulher muito mais aprender a senti-la e acompanhá-la do que a exercê-la, pois ambos nunca poderão estar absolutamente certos de que acontecerá. E quando não acontece, essa situação é muito mais evidente no homem que na mulher. O temor da ausência de ereção leva o indivíduo a uma série de idéias erradas que contribuem para criar-lhe sérias dificuldades sexuais e mesmo a impotência. O mais comum desses erros é causado pela preocupação excessiva com uma incapacidade momentânea, e por causa disso o homem, antes de analisar a situação em que isso ocorreu, põe a culpa em si mesmo.
Daí ao segundo erro é um passo: ele acha que para a deficiência não acontecer novamente, precisará controlar-se, o que é impossível, já que a ereção não depende diretamente de sua vontade. Mas se em outras circunstâncias ele conseguir sucesso, atribuirá isso à sua força de vontade e se sentirá realizado como macho, reforçando o mito de que pode dominar a sua sexualidade. Em caso contrário, ele entrará em angústia, receoso de ter perdido a virilidade, temendo ser mal visto pela sociedade (que cultua a mesma ficção). Esses temores causam impotência nas relações seguintes, e a incapacidade ocasional passará a ser permanente, a menos que a pessoa adquira uma compreensão verdadeira do fenômeno sexual e de si mesma.
Os sexólogos observam na sociedade ocidental uma atitude contraditória em relação ao sexo. De um lado o homem recebe pressões para que seja másculo e se comporte como o machão mitológico, de modo que nenhum desvio desse comportamento idealizado (uma relação sexual mal sucedida, por exemplo) é tolerado, e quem nele incorre já perde atributos considerados essenciais a uma definição arbitrária de homens. Esse é um dos motivos pelos quais a impotência ocasional pode se tornar permanente. De outro lado, a sociedade reprime o sexo de várias maneiras e alimenta uma série de preconceitos que inibem as manifestações sexuais. Assim, o indivíduo que procura viver plena e pacificamente sua sexualidade, está sujeito a críticas, oposições, maledicências, perseguições e inveja.
Geralmente, a pessoa é condicionada desde criança a ver o sexo como uma aventura cheia de perigos e ameaças, Ao ser surpreendido numa excitação sexual, o menino observa reações negativas dos adultos, que vão desde os silêncios constrangedores e as explicações sumárias e precipitadas, até os sermões e as punições. Na imagem que o menino faz do próprio corpo, a área sexual fica imprecisa, e ele é levado, ao mesmo tempo, a protegê-la (por instinto) e a sufocá-la (por repressão). A contradição prossegue pela vida, com os comportamentos sexuais provocando desde reações de entusiasmo até condenações e desprezo.
Embora a psicoterapia seja o tratamento mais recomendado para a impotência, pode-se recorrer, também, ao estímulo orgânico através de alguns hormônios sexuais. Para vencê-la é preciso que a pessoa deixe para trás os preconceitos e as idéias falsas (como a de que a capacidade sexual só depende da vontade), adote uma compreensão exata do fenômeno sexual, e perceba os mecanismos sociais que atuam contra a sexualidade, para poder enfrentá-los. Nos casos clínicos de impotência, a grande dificuldade confessada por muitos terapeutas é vencer no paciente aqueles preconceitos, que apesar de quase sempre inconscientes impõem, ao mesmo tempo, realizações sexuais muitas vezes descabidas, constituindo-se em uma carga de ameaça e intimidação que mantém o homem preso a eles.
Depois de perceber a maneira contraditória pela qual a sociedade age em função do sexo, o paciente poderá deixar de considerar a impotência uma culpa e adquirir tranqüilidade suficiente para superá-la. E realizar-se sexualmente de maneira livre, realista e de acordo com sua personalidade.





