V a Z - VIDA ESPARTANA

A principal organização social na Grécia Antiga era constituída pelo genos, uma associação de várias famílias descendentes de um antepassado comum, ou então adoradores da mesma divindade. A chefia entre eles era exercida pelo homem mais velho do agrupamento - e transmitida ao seu filho primogênito -, enquanto sua economia baseava-se na atividade agro-pastoril, o que dava auto-suficiência à família e uma certa independência econômica. Nessa época praticava-se o trabalho de forma coletiva e distribuía-se a produção igualitariamente, mas esse sistema desagregou porque seus praticantes usavam técnicas rudimentares que não acompanhavam o crescimento da população, e com isso a terra começou a ser dividida em núcleos cada vez menores e insuficientes para exploração. O filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) afirmou que a polis, ou cidade, teve origem na genos, e segundo sua definição, tratava-se da reunião de elementos ligados entre si pelo parentesco e submetidos ao regime monárquico.

 

A cidade de Esparta - Spárti em grego moderno -, que era uma delas, situada no sudeste da península do Peloponeso, às margens do rio Eurotas. representou, na Grécia Antiga os valores da austeridade, do espírito cívico e militar, da igualdade social e da submissão total do indivíduo ao estado. A educação espartana era bastante rígida porque visava a formar cidadãos dispostos a entregar a própria vida por Esparta, servindo como soldado. Quem nascia sem condições de lutar era morto. Nascendo apto, ficava com a mãe durante sete anos; passando depois às mãos do Estado. Aos 12 anos, para fortalecer o físico e desenvolver a destreza, o menino submetia-se a provas de sobrevivência no campo, e aos 17, os rapazes passavam por um rito de iniciação no qual, entre outras tarefas, tinham de esconder-se nos campos e matar quantos escravos conseguissem. Aos 30 anos o soldado tornava-se cidadão, ficando desobrigado de dormir no acampamento e sendo-lhe permitido, então, o casamento e a participação política.

 

Quando sexagenários, os espartanos eram dispensados do exército, podendo participar da Gerúsia (Conselho dos Anciãos), composta por 28 membros vitalícios, eleitos por aclamação pela assembléia do povo, denominada Apela. Aos integrantes da gerúsia, os gerontes, cabia preparar as leis a serem votadas pela Apela e constituir um tribunal que julgava os processos de interesse do estado, especialmente os que afetassem os soberanos. A Apela, formada por todos os cidadãos com plenos direitos, aprovava ou rejeitava os projetos apresentados, elegia os gerontes e os éforos (principais magistrados de Esparta) e votava a paz e a guerra.

 

Esparta foi erguida no século IX a.C. e a cidade logo se impôs sobre as vizinhas graças a seu poderoso exército. Após a unificação, todo o território ficou sob seu comando, e suas terras repartidas entre os guerreiros. A população foi dividida em três classes: a dos espartanos, ou cidadãos, com todos os direitos civis e políticos; a dos periecos, homens livres, antigos habitantes da região, possuidores de terras, sem direitos políticos mas obrigados ao serviço militar, e aos quais se atribuía a responsabilidade pela prática do comércio e indústria, atividade vedada aos espartanos proibidos de acumular riquezas; e os hilotas, escravos do estado, que cultivavam as terras dos espartanos. Numericamente inferiores, os espartanos se impuseram uma severíssima disciplina militar, sobre a qual se assentava sua organização político-social. Isentos de tarefas agrícolas, dedicavam-se ao governo, à caça e ao treinamento militar e desportivo, atividades essas entendidas como necessárias ao correto procedimento pessoal e social.

 

As moças também recebiam treinamento análogo e privilegiavam o dever patriótico em relação ao amor à família. A mulher espartana vivia para a pátria. As moças eram educadas com severidade pela família e recebiam treinamento para tornar o seu corpo forte e atlético. Sua maior missão era dar filhos fortes ao Estado (fiéis cidadãos e bons soldados). Mas, diferente de Atenas, a mulher espartana foi mais independente na pólis. À frente do governo estavam dois reis de sucessão hereditária, que perderam poder porque como a autoridade da aristocracia aumentava cada vez mais, o regime transformou-se rapidamente em uma oligarquia. Os cidadãos passaram a ter representatividade cada vez menor na tomada de decisões, de cuja determinação se apossaram os gerontes.

 

Esse duro estilo de comportamento adotado pelos espartanos nos deixou como herança a expressão “vida espartana”, cujo significado é o de se viver de forma simples, comedida e disciplinadamente, em obediência rígida a determinados princípios e regras balizadoras da conduta pessoal e social dos indivíduos.

 

A cidade moderna de Esparta foi edificada a partir de 1834, junto às ruínas antigas. É um pequeno núcleo comercial e industrial que vive da produção de cítricos e azeite de oliva.

 

 

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